Uma análise de milhares de anos

[Opinião] O desenvolvimento das vacinas está muito rápido?

2020.10.19 16:11 cara_com_um [Opinião] O desenvolvimento das vacinas está muito rápido?

O principal argumento dos antivax agora é que o desenvolvimento da vacina foi muito acelerado e não deu tempo para ser bem testado.
Bem, estamos em 2020. É bastante lógico que o desenvolvimento de vacinas seja mais rápido que era no século passado, seria muito estranho se não fosse, e há diversos motivos para isso:
Enfim, há motivos para uma velocidade maior no desenvolvimento, não é por estar sendo feito "nas coxas" como alguns antivax disfarçados tentam insinuar.
Como todo remédio, sempre há algum risco associado, mas mesmo assim será bem menor que a doença. Temos que lembrar também que os governos, instituições e pessoas que irão aprovar o seu uso, serão responsabilizadas civil e criminalmente caso ocorram problemas sérios, por isso, mesmo pressionadas, avaliarão muito bem o risco/benefício antes de uma liberação irresponsável.
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2020.09.28 22:22 Des777soc O stalinismo nunca apoiou nenhuma revolução; as boicotou (II)

Stálin trabalhou para impedir as revoluções na França, Itália e Grécia, bem como para tomar o controle das revoluções no Leste Europeu, pactuando com o imperialismo
Por: Eduardo Vasco
Recentemente, o jornalista Breno Altman comentou:
“Segundo Trotsky, Stalin seria um ‘organizador de derrotas’. Mas as várias revoluções pós-1945 foram comandadas por partidos aliados à URSS ou ao movimento comunista se integraram. Nenhuma vitória teve liderança trotsquista ou de outras linhagens dissidentes. Não é curioso?”
Bom, se é curioso, então vamos tentar matar essa curiosidade, ao menos parcialmente, neste artigo.
Comecemos pela segunda parte de seu comentário. Por que será que nenhuma revolução vitoriosa foi liderada por trotskistas? Será porque o próprio Stálin mandou executar todos os trotskistas que havia na URSS e o próprio Leon Trótski? Será porque os partidos comunistas da maior parte do mundo, marionetes de Moscou, realizaram uma verdadeira repressão contra os militantes trotskistas dentro e fora de suas organizações? Será porque o inimigo central de toda a política stalinista era justamente o “trotskismo”, do qual eram acusados todos aqueles que não se ajoelhavam aos pés de Stálin?
Na primeira parte deste artigo citei a revolução espanhola de 1936. A organização mais esclarecida e avançada no movimento da esquerda espanhola dentro da revolução era o POUM, que contava com muitos simpatizantes de Trótski, embora não fosse um partido trotskista. Mas, por não seguir os ditames do Crêmlin, foi duramente perseguido por seus “aliados” do partido comunista e das Brigadas Internacionais nas regiões dominadas pelo PCE. A mando da URSS, seus membros foram presos, obrigados a deixarem o partido, suas milícias foram dissolvidas, o partido colocado na ilegalidade e seus dirigentes, como o secretário-geral Andrés Nín, foram sequestrados, torturados e, finalmente, executados. O esmagamento do POUM pelos stalinistas foi fundamental para a posterior derrota da esquerda para o fascismo na Guerra Civil, com a vitória da contrarrevolução que levou a Espanha a amargar quase 40 anos de terror franquista.
Altman afirma, também, que as revoluções pós-1945 foram lideradas por partidos stalinistas. Isto é, a burocracia soviética teria sido responsável, em última instância, por essas revoluções. Nada mais longe da realidade.
Exemplo disso é a própria libertação dos países do leste europeu do jugo nazista no final da II Guerra Mundial.
A expansão da Alemanha para o leste fez com que as tropas de Hitler ocupassem todos os países da Europa Oriental, incluindo partes da União Soviética. Nesses países, os nazistas implantaram governos fantoches, estabelecendo uma violenta repressão contra a classe operária. Na Polônia, por exemplo (cuja parte ocidental foi entregue a Hitler por Stálin), ocorreram algumas das mais tenebrosas atrocidades já vistas contra a raça humana.
Mas como toda grande guerra é um fator revolucionário, no leste europeu não foi diferente. Embora extremamente abatida pela repressão dos ocupantes, a classe operária desses países manteve-se resistente à medida que os regimes fantoches apodreciam, sem qualquer apoio real em nenhuma parte expressiva da população.
Nesses países, os alemães haviam tomado conta de toda a economia. As fábricas, indústrias e bancos pertenciam ao III Reich e suas economias tinham a única finalidade de abastecer a Alemanha. Eram países colonizados. As usinas, metalúrgicas, minas, fábricas de munições e equipamentos, tudo operava em função da máquina de guerra nazista.
Com o intenso desgaste alemão, motivado por uma guerra em duas frentes de batalha e com o domínio colonial corroído pela resistência armada, os alemães tiveram de abandonar suas propriedades industriais e fugir. A população, cada vez mais organizada em variadas milícias armadas, ergueu-se em um verdadeiro movimento revolucionário para retomar o país, sem os capitalistas, expropriando a propriedade privada. Explodem insurreições por todas as partes.
Aí é que entra o stalinismo, reorganizando os “partidos aliados à URSS” – como diz Altman, na verdade partidos absolutamente controlados por Moscou. Muitos deles cujos burocratas estavam fora de seus países e que, com a chegada do Exército Vermelho, que marchava para o oeste ao expulsar a Wehrmacht e seus aliados romenos, húngaros, búlgaros etc, caíram de paraquedas, tornando-se prepostos da URSS justamente para conter o desenvolvimento socialista da revolução para uma tomada do poder diretamente pela classe operária.
Mais do que isso: Stálin boicotou a tomada do poder pelos partisans em diversos países. Já em 1943, os correligionários de Tito elaboram um programa de socialização da propriedade privada para uma Iugoslávia liberta. Stálin não gosta e manda Dimitri Manuilski, um de seus funcionários para o estrangeiro, avisar Tito que isso não seria tolerado. “O patrão está muito descontente; diz que é uma punhalada pelas costas contra a União Soviética e uma manobra contra a Conferência de Teerã”, escreveu Manuilski, como relata o historiador Jean-Jacques Marie em sua biografia de Stálin.
De fato, o líder soviético já vinha esboçando a partilha da Europa com Churchill e Roosevelt após a vitória iminente dos Aliados contra Hitler. Pouco depois, o destino do continente foi traçado: a Europa Ocidental ficaria na órbita de EUA e Inglaterra, enquanto a Oriental ficaria sob a influência soviética. A Grécia deveria ser controlada pelos britânicos e a Alemanha dividida em quatro, com uma parte para os franceses.
Mas foi ainda pior: após os povos do leste europeu expulsarem os nazistas, não foram apenas os fantoches da burocracia stalinista que tomaram o poder, fazendo uma revolução “por cima” – na verdade, aproveitando-se da revolução para afastar a classe operária efetivamente do poder. Em todos os países (Polônia, Bulgária, Romênia, Hungria, Tchecoslováquia) foram estabelecidos governos de coalizão com os partidos do imperialismo. Eram, em última análise, governos de frente ampla, uma vez que congregavam tanto os partidos comunistas stalinistas como liberais, católicos e “social-democratas”. Nasciam, assim, as chamadas “democracias populares” – que foram levadas ao status de democracia perfeita pela propaganda stalinista no mundo todo, inclusive sendo extremamente elogiadas pelos dirigentes e intelectuais do PCB no Brasil.
O stalinista húngaro Martin Horvat chamou esses regimes de “a forma mais progressista da democracia burguesa, ou mais exatamente como a única forma progressista”. Na Bulgária, onde o Partido Comunista procurava tomar o poder sozinho, Stálin criticou a “pressa” dos dirigentes, bem como mostrou preocupação com a saída do Partido Agrário da coalizão governamental com os comunistas, impondo inclusive que o próprio Partido Comunista se transformasse em uma frente ampla.
Dois países não seguiram esses moldes: Iugoslávia e Albânia. O primeiro, como citado acima, enfrentou os boicotes de Stálin e levou os partisans comandados por Tito ao poder. Isso fez com que a burocracia soviética se enraivecesse e iniciasse, principalmente após 1948, um processo de constante agressão contra os iugoslavos, inclusive acusando Tito de ser um “trotskista”, apenas porque os iugoslavos optaram por ser livres do controle stalinista. Os albaneses conquistaram a libertação da mesma maneira, com os partisans liderados por Enver Hoxha tomando o poder. Em uma característica que lhe assemelha a Mao Tsé-Tung, o líder albanês acabou por defender Stálin publicamente, fruto de sua posição política notoriamente sectária e confusa, embora nunca tenha sido controlado pela burocracia stalinista e tenha rompido todas as relações com ela a partir dos anos 50.
Nos países que ficariam sob a influência de EUA e Inglaterra, a situação não foi diferente. Também foram criados governos de frente ampla, com a incorporação dos partidos comunistas teleguiados por Moscou ao Estado burguês. Na França e na Itália, por exemplo, o PCF e o PCI, sob ordem direta da URSS, desarmaram suas milícias e toda a classe operária, abrindo mão da revolução para constituir um governo de unidade nacional com a direita e inclusive com remanescentes do fascismo. É conhecido o caso italiano, no qual o famoso líder do PCI, Palmiro Togliatti, tornou-se vice-primeiro-ministro e depois ministro da Justiça, anistiando uma série de magistrados que, durante a ditadura de Mussolini, foram responsáveis pela condenação de milhares de militantes comunistas, e mantendo intacta a estrutura judiciária da Itália, que até hoje tem uma Justiça marcadamente fascistóide.
Na Grécia, os comunistas lideravam o movimento de resistência antifascista que apresentava uma ascensão revolucionária e Churchill apoiou a brutal repressão do governo monárquico, resquício do domínio fascista. Stálin respeitou os acordos feitos antes e depois da Conferência de Ialta, lavando as mãos diante do banho de sangue. “Não tenho a intenção de julgar as atuações britânicas na Grécia”, disse Stálin a Churchill (Jean-Jacques Marie. Stalin, p. 757). O primeiro-ministro britânico agradeceu, pouco depois: “Reconheço as atenções que me demonstrou quando nos vimos obrigados a intervir com consideráveis forças armadas para barrar o ataque do EAM-ELAS [braço armado do Partido Comunista Grego] contra a sede do governo em Atenas” (Idem). Em realidade, durante toda a guerra civil, Stálin atuou contra qualquer tipo de ajuda aos comunistas gregos.
Esse cenário se desenhou até 1948, quando o imperialismo, por necessidade, rompeu a aliança com a União Soviética, expulsando os stalinistas dos governos de França e Itália e iniciando a chamada “Guerra Fria”. Isso fez com que as frente amplas se desmanchassem. Stálin, assim, se viu obrigado a tomar o poder nos países do leste europeu, fazendo com que os partidos comunistas engolissem os demais partidos das coalizões. O que, no entanto, significou a consolidação da integração dos elementos direitistas e burgueses ao regime, e não seu esmagamento. Tal fato foi um fator de direitização ainda maior desses regimes e supressão final das aspirações populares, apesar de ser mantida a propriedade estatal dos meios de produção.
Assim, se na Europa do Leste o stalinismo impediu o desenvolvimento independente das massas trabalhadoras para a tomada do poder e completo esmagamento da burguesia e de seus representantes, entregando o governo para burocratas fantoches que nada tinham a ver com a revolução operária, na Europa do Oeste o stalinismo simplesmente traiu a revolução ao desarmar o povo e ordenar que seus partidos integrassem os regimes burgueses, sendo cada vez mais meros coadjuvantes na cena política ao longo das décadas seguintes.
A URSS de Stálin, portanto, não comandou nenhuma revolução. As roubou para si e para seus burocratas subordinados, no caso do leste europeu, e as traiu de maneira criminosa, na Europa Ocidental.
Por outro lado, pode até ser verdade que nenhuma revolução vitoriosa tenha levado um partido trotskista ao poder, como afirma Altman. Entretanto, será mesmo que o trotskismo não influenciou essas revoluções? E, ainda, não teriam algumas dessas mesmas revoluções sido provas da teoria trotskista da revolução permanente? Analisaremos essas questões posteriormente.

https://www.causaoperaria.org.bo-stalinismo-nunca-apoiou-nenhuma-revolucao-as-boicotou-ii/
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2020.09.28 10:24 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 2: Que se lixe isto, vou comprar um carro]

Olá amigos. Hoje vamos falar de carros, um assunto que me é muito querido.

Take-Aways Principais

Driving is love, driving is life

Quando tinha 14 anos os meus pais deram-me uma motinha de 50cc velhinha. Tinha dezenas de milhares de quilómetros, estava a precisar de algum trabalho, gastava muita (MUITA) gasolina, mas era minha. A partir desse dia tornei-me independente: tinha a possibilidade de ir onde quisesse, quando quisesse. Toda a cidade passou a estar acessível no espaço de minutos e não horas, e as aldeias envolventes em "meias horas" e não horas. Deixei de ter que pedir para que me levassem aos sítios, passei a ir quando queria ou precisava. Com algum dinheiro da mesada podia ir saindo com os amigos e começando a ter uma vida mais "adulta". Pouco tempo depois, ainda por volta dos 14, aprendi a conduzir carros também (em estradas privadas, claro).
O valor desta transição é absolutamente imensurável no desenvolvimento de um miúdo. Passa a haver responsabilidade. Quando tinha acidentes, o que acontece de certeza, a culpa era minha e havia consequências. O corpo doía, a mota aparecia riscada e a precisar de reparações, e o que não conseguisse fazer eu tinha que encontrar forma de pagar. Os vizinhos queixavam-se do barulho. Quando chovia chovia-me em cima, e quando fazia frio de manhã a mota não queria pegar. Mas! Quando queria ir ao Continente comprar doces podia ir, quando queria ir visitar o meu pai não tinha que pedir boleia a ninguém, e por aí fora.
A experiência de começar a conduzir muito cedo, particularmente no ambiente "controlado" de uma cidade pequena, serve também para desenvolver algum instinto (à falta de melhor expressão) para a condução, nomeadamente para as duas partes fundamentais que as constituem:
Eu não sei como tem sido ultimamente, mas o processo de obter a licença dos 14 anos há quase 20 anos atrás era ridiculamente simples. Eu sinto que isso não é necessariamente mau, pois reduz a barreira de entrada à condução numa altura em que ainda é possível ganhar aquele "jeito" para a condução sem se tornar uma coisa estrangeira e forçada. Tudo somado, foi facilmente uma das experiências que mais serviram para me fazer crescer naquela altura, e algo que pretendo certamente incutir em infelizes filhos que alguma vez venha a ter.
Quando fiz 18 anos deram-me um carro (muito) velhinho para as minhas voltinhas em Coimbra, para onde iria estudar. Mais uma vez, é um privilégio: era muito velhinho, o seguro era baratinho e o imposto também, mas mesmo assim nem toda a gente conseguia ter o seu próprio carro. Por ter carro nunca precisei de usar os autocarros muito regularmente, o que me permitiu poupar noutras coisas: podia fazer as minhas próprias mudanças quando mudava de casa, podia participar em actividades extra-aulas com mais facilidade, etc etc. Fui quase sempre designated driver, mas sempre foi uma responsabilidade que aceitei com muito gosto: é bom de ter a oportunidade de levar os meus amigos a casa em segurança no fim de uma noite de castanhada. Se eu próprio quisesse participar na castanhada, a Maria normalmente voluntariava-se para trazer o carro para casa.
Ter um carro velho, sem modernices como sensores (ahah), GPS, rádio (exacto), direcção assistida ou ABS, permitiu-me fazer certas coisas. Com a liberdade de experimentar, pude tentar fazer várias reparações eu próprio; notavelmente, o disco de embraiagem que neste momento está nesse carro, que ainda anda, fui eu que o coloquei lá. Pude também fazer uso de alguns baldios que há em Coimbra e arredores para aprender a controlar o carro em situações mais extremas; uma espécie de curso de condução em condições adversas do homem pobre. O que é que acontece se tiver que fazer uma travagem de emergência em piso escorregadio? Como compensar a falta de ABS caso as rodas tranquem? E se a traseira deslizar?
Conduzir, para mim, não é um privilégio nem uma mania nem um capricho. É uma das pedras basilares da forma como lido com o dia-a-dia, uma forma inalienável de independência. O transporte pessoal é uma extensão do meu corpo e conduzir é um escape muito, muito importante.

Viver no campo sem carro

Durante os primeiros 6 meses que passei no UK tive que viver sem transporte próprio; apenas conduzi carros alugados por curtos períodos para ver casas ou fazer mudanças. Usei esses meses para me ambientar, deixar passar o primeiro inverno, estabelecer-me no trabalho e tratar de todas aquelas burocracias que discutimos no capítulo anterior. Aguentei todo esse tempo graças ao facto de a empresa para quem trabalho oferecer um serviço de shuttles para funcionários, que liga o campus às cidades e vilas mais próximas, numa das quais eu vivo. Isto permitiu-me não me preocupar com transportes para o trabalho durante meses, o que foi uma benesse incrível.
Estes primeiros meses foram de adaptação, de exploração e de cometer erros parvos. De aprender a perceber os Ingleses, como se comportam nas coisas mais básicas, e de me tentar misturar com eles com sucesso. Eu optei por viver no campo (i.e. significativamente fora das cidades grandes aqui à volta) por várias razões:
Tirando as viagens casa-trabalho-casa, a minha mobilidade estava muito reduzida. Ir a qualquer lado envolvia caminhar uma distância suficientemente grande para me chatear, no mínimo até à estação dos comboios e depois outro tanto onde quer que fosse. Ir às compras era um pau no cu porque tinha que as arrastar pelo monte acima até casa, pelo menos até descobrir que os supermercados entregam em casa por um preço muito muito razoável.
E depois há a rede de transportes. Eu adoro andar de comboio, mas infelizmente aqui é impossível. Nós somos dois, e ir à cidade mais próxima custa-me, pelo menos, umas 20 libras em bilhetes de comboio. Para comparação, demoro uns 25min a chegar lá de carro (mais ou menos o mesmo) e gasto talvez 2 ou 3 libras de combustível. Já para não falar no congestionamento a certas horas, em que não só os bilhetes são estupidamente mais caros, como temos que fazer a viagem toda em pé. Viagens grandes então nem se fala! Eu quero ir à Escócia ver se encontro a Nessie, e a viagem de comboio para 2 pessoas, ida e volta, ia-me custar facilmente 1000£!! Os comboios em si são espectaculares; fazem os nossos velhinhos Intercidades parecer ainda mais velhos e merdosos do que são mesmo.
Aos autocarros aplicam-se comentários semelhantes, com algumas agravantes. Não só são caros como tendem a não andar a horas, são populados com as pessoas mais nojentas que se consiga imaginar, e devem ser limpos à saída da fábrica e nunca mais.
Se calhar sou eu que sou maniento, se calhar acham que sou um snob mal habituado que anda de cu tremido desde cachopo, se calhar acham que devia era viver uns anos sem carro para ver o que é bom. Eu cá acho que paguei as minhas favas e agora mereço andar de carro até me doerem os joellhos. Eu antes quero poder ter carro e viver deslocado da cidade, do que viver no centro e andar no meio do magote enfiado em autocarros bolorentos e metros a cheirar a mijo. São escolhas. Não vejo grande apelo na "vida cultural" da cidade, da qual até posso desfrutar pegando no carrito e indo lá ver o que é o quê.

Comprar um carro

Um dia destes, com a conta do banco recheada de dinheiro de devolução de impostos, decidi que estava na hora de comprar um carro. Andei a ver carros novos e usados, e decidi que o hot hatch era para mim. Algo na vizinhança das 20000 libras, 10 pagas à entrada e outras 10 pagas em prestações durante uns 3 anos. Parecia-me razoável, estava bem dentro dos limites do que podia pagar e não me impedia de ir chegando aos meus objectivos de poupança.
Marquei um test drive e apanhei um comboio até ao stand. Chegado lá, aproveitei para fazer todas as perguntas e mais alguma ao vendedor, entre as quais como funcionaria o financiamento. Aí ele entregou as más notícias: com menos de 3 anos de residência, é virtualmente impossível conseguir financiamento para um carro, muito menos naqueles valores. Chateei-me, chamei um taxi e fui-me embora sem muito mais conversa. Fiquei fodido. Ainda verifiquei junto do meu banco com esperança da que eles, sabendo quanto ganho, etc, fizessem um jeitinho. Os valores a que me podia candidatar era muito mais baixos do que alguma vez funcionariam, por isso desisti do financiamento. Pela primeira vez na minha vida, ia comprar um carro a pronto.
Passei umas semanas a estudar melhor o mercado de usados. Andei a ver no autotrader [1], aparentemente o site mais popular de anúncios de carros. A primeira coisa em que reparei foi o quão mais baratos os carros são aqui que em Portugal. Eu sempre achei os carros usados caríssimos em Portugal, mas isto trouxe à luz o quão roubado o tuga médio é quando compra um carro. Para terem uma ideia, um familiar meu tinha comprado um carro por 5000€ (valor ajustado ao mercado) pouco antes de me mudar para cá. O mesmo carro, mesmo ano, mesmo trim level, com menos quilómetros, aqui custava 750£. Telefonei-lhe a gozar com ele, foi incrível.
Então decidi que o meu orçamento seria os tais 10k que pretendia originalmente dar como entrada. Deixei de parte a ideia do hot hatch para poder comprar algo mais recente, pois queria um carro com 2 ou 3 anos no máximo. Este limite não era tanto por cagança, mas porque queria apostar mais na fiabilidade do que noutros aspectos. Um carro mais novo, com menos quilómetros, tem uma probabilidade menor de me dar problemas no início, o que me compra tempo para conhecer o panorama de oficinas aqui à volta, o que esperar do seguro, etc. Pequeno, novo, simples, fiável; fui à caça
Há um conjunto de coisas a ter em atenção quando se procurar um carro usado:
Curiosamente, acabei por comprar o meu carro no mesmo stand onde fui antes, ao mesmo vendedor que me tinha entregue a triste notícia sobre o financiamento. Ele ficou impressionado por me ver de volta, mas a vida tem dessas coisas. Apenas fiz um test drive, e comprei imediatamente o carro. Pode parecer precipitado, mas:
bom negócio. Um bocadinho acima do valor de mercado segudo o autotrader, mas nada de muito preocupante.
Ficou marcado ir levantar o carro dali a 2 dias, e entretanto teria de tratar do seguro. Eu já tinha feito algumas simulações de seguros, portanto sabia o que esperar, mas mesmo assim achei caro: quase 1000£ ano para o seguro de um carro pequeno. Entretanto tenho explorado melhor o assunto, e parece que o mercado de seguros no UK sofre de graves problemas:
Para tornar o sistema verdadeiramente insultuoso, há seguradoras que oferecem potenciais descontos se instalarmos no carro um tracker da sua eleição [4]. Ou seja: cobram o que quiserem e ainda querem saber onde ando e a que velocidade ando, e se eu conduzir "bem" segundo lá os critérios deles, fazem-me um desconto; se não gostarem da minha condução sobem-me o preço. Naturalmente, mandei-os passear e paguei mais por um seguro sem tracker. Honestamente, acho a mera proposta de me deixar espiar por um potencial desconto no seguro nojenta: é o reflexo de um sistema profundamente partido. Ninguém diz a um português o que é conduzir "bem", caralho.
O seguro do carro trata-se todo online, o que para mim é muito estranho, e até se pode verificar online se o carro tem seguro [5]. Os comparadores de preços [6] são nosso amigos, mas cuidado com eles por vezes; já li casos de pessoas que tiveram apólices canceladas por tentarem muitas comparações com detalhes ligeiramente diferentes (infelizmente não encontrei uma ref para esta, mas penso que foi no /LegalAdviceUK). Correndo o risco de me repetir, o sistema de seguros auto aqui está profundamente desregulado e a precisar de alguém com tomates para o resolver. Certamente não será o BoJo.
No dia em que levantei o carro:
Dias depois recebi o novo V5C em meu nome. O V5C é uma espécie de livrete, ou "documento único" se formos modernos, mas ao contrário do livrete nunca deve andar no carro pois é muito fácil transferir o V5C para outro nome sem intervenção do dono anterior. Mais curiosamente ainda, o V5C não prova propriedade do carro, apenas quem é o "registered keeper" dele. Por outras palavras, a minha única forma de demonstrar que sou dono do carro é a factura que me deram quando o comprei. Neat.
Sentei-me no carrito, carreguei no botão para arrancar o motor pensando "que modernice", e ele lá acordou. Curiosamente, só nesta altura é que me ocorreu: se calhar não era uma má ideia ir ler sobre as regras da estrada aqui. Sorte a minha, o governo tem a totalidade do Highway Code [8] disponível no site, e tenho-o lido aos bocadinhos. Mais sobre isso no próximo capítulo.
Curiosamente, não é preciso termos connosco nenhuma documentação quando conduzimos [9]. Os Ingleses têm uma abordagem diferente da nossa no que toca à documentação; é tudo guardado em bases de dados do governo, e eles só precisam de verificar a matrícula contra a base de dados para saber se está tudo bem. O condutor apenas precisa de ter a carta de condução, e alguma identificação por conveniência. Eu pessoalmente costumo ter o cartão de cidadão e a carta de condução. Idealmente teria o passaporte, mas evito andar com o passaporte no bolso, e o cartão de cidadão deve ser mais do que suficiente como identificação até no mundo pós-brexit. Na realidade penso que a carta de condução por si chegaria, mas mais vale estar seguro né?
Virei proprietário do meu próprio veículo! Mais um, porque nunca vendi o bolinhas que está em Portugal.

Conclusão

Tenho que confessar que estou impressionado pela positiva com a experiência que foi comprar um carro no UK. O processo foi muito mais simples do que esperava, e praticamente tudo se tratou no stand na hora da compra. Até o seguro podia ter ficado logo resolvido, mas eu preferi fazer em casa com mais algum controlo sobre isso. Nota-se que é um sistema muito mais polido que em Portugal, pelo menos na minha experiência.
A minha relação próxima com a condução começa a entrar, infelizmente, em rota de colisão com o status quo: vivemos num mundo que cada vez menos suporta o transporte individual. Há gente a mais no mundo, e há carros a mais no mundo, há fumo a mais no mundo. Na realidade, há "a mais no mundo" de quase tudo o que é mau, pessoas incluídas. Sinto que esta minha necessidade de conduzir vai brevemente bater de frente contra a necessidade global de cortar no transporte individual a favor de transportes colectivos. Até lá, vou aproveitar as espectaculares estradas de campo aqui à volta, particularmente a horas em que não estejam completamente congestionadas. Fiquem de olho, o próximo capítulo vai falar sobre a experiência que é conduzir no UK, e como é que difere do que eu esperava.
Desta feita apontei para um post mais curto que o anterior, que essencialmente parte este assunto em dois: este primeiro cobre o processo de como (e porquê) comprei o carro, e o seguinte vai cobrir a experiência de conduzir em si. Notei que o engagement no capítulo 1 foi menor que nos posts anteriores, e suspeito que ler uma epopeia tão longa não ajuda; digam-me nos comments se tenho razão.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

Referências

Capítulos Anteriores

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2020.09.17 14:39 Fitburn Doenças crônicas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, aumentam o risco de morte do Covid-19?

Doenças crônicas de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, aumentam o risco de morte do Covid-19?

Um novo estudo aponta a própria obesidade como culpada. Uma análise de milhares de pacientes tratados em um sistema de saúde do sul da Califórnia identificou a obesidade extrema como o principal fator de risco de morte entre os pacientes da Covid-19. Mais surpreendentemente, entre os adultos mais jovens e de meia-idade até 60 anos ou menos, e particularmente entre os homens.
Entre as mulheres com a doença, o índice de massa corporal - uma medida da gordura corporal com base na altura e no peso - não parece estar independentemente associado a um risco aumentado de morrer em qualquer idade, disseram os autores, possivelmente porque as mulheres têm peso diferente do que homens, que tendem a ter mais gordura visceral e abdominal. O estudo foi publicado na revista Annals of Internal Medicine.
A obesidade e o coronavírus são uma combinação perigosa por uma série de razões.
A obesidade causa restrição à respiração, tornando mais difícil limpar a pneumonia e outras infecções respiratórias. A gordura é biologicamente ativa e uma fonte de produtos químicos pró-inflamatórios, promovendo um estado de inflamação crônica no corpo antes mesmo de Covid-19 se instalar. A obesidade causa alterações metabólicas e anormalidades, mesmo na ausência de diabetes.
O estudo não é o primeiro a apontar a obesidade como responsável pelas mortes de Covid-19 em pessoas mais jovens. Embora os primeiros relatórios da China e da Itália não enfocassem a obesidade como um fator de risco independente, os médicos de outras partes do mundo, onde a obesidade é mais prevalente, foram rápidos em perceber que os indivíduos mais jovens que ficavam muito doentes frequentemente eram obesos.
Apenas 6% da população chinesa é obesa, em comparação com 20% da população da Itália, 24% da Espanha e 20% no Brasil. Os Estados Unidos, por outro lado, têm uma das maiores taxas de obesidade do mundo, 42%, e consequentemente o país com maior taxa de mortalidade do Covid-19.
Há muito trabalho que podemos fazer para combater melhor a Covid e muito que podemos fazer para melhorar nossas estratégias contra a obesidade, alimente bem, exercite-se, mude seus hábitos !
A academia é seu melhor remédio!
submitted by Fitburn to u/Fitburn [link] [comments]


2020.08.01 20:03 hebreubolado Crítica cinematográfica do filme Mogli - O Menino Lobo (2016) do Jon Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Referências: KIPLING, R. Os Livros da Selva. trad. Alexandre Barbosa de Souza, Rodrigo Lacerda. Clássicos Zahar, SP: 2016.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.07.23 12:10 Gndossan Juiz acusado de ver relatos de menores abusados julgou pais de prostituta

https://www.noticiasaominuto.com/pais/1536734/juiz-acusado-de-ver-relatos-de-menores-abusados-julgou-pais-de-prostituta

O juiz Joaquim Manuel Silva, acusado por Ana Loureiro de ver vídeos de menores a relatarem abusos sexuais enquanto recorria a serviços de prostitutas, acredita que está a ser alvo de uma vingança, revela hoje a SIC Notícias.
De acordo com o canal de televisão, o magistrado de Mafra descobriu que foi ele que, em 2004, pronunciou os pais da prostituta e que os levou a julgamento num processo que lesou o Estado em mais de 2.3 milhões de euros.
Maria Gerarda e Manuel Marques eram os principais arguidos de um esquema de fraude e falsificação. Segundo a SIC Notícias, o casal, que detinha um posto de colheitas, na Almirante Reis, em Lisboa, falsificou milhares de credenciais e vinhetas de médicos e centros de saúde que enviavam para outros laboratórios que faziam parte do esquema. Pediam, normalmente, as análises mais caras e o valor das comparticipações do Estado era depois distribuído.
Perante esta descoberta, Joaquim Manuel Silva diz que é “muita coincidência” estar a ser acusado pela filha deste casal de algo que garante estar inocente.
“Isto é um bocado estranho. Isto vem de onde? Não sei se há, se não há [relação]. Que investiguem! Agora que é muita coincidência é”, atira na reportagem emitida esta quarta-feira.
Ainda durante a mesma entrevista, o magistrado garante que está inocente, que regula casos de responsabilidade parental e não de abusos de menores e que nunca recorreu a serviços de prostitutas.
“Eu tenho 59 anos e estou divorciado há dois, era normal ter ido às prostitutas, seria normal, mas eu já disse que nunca fui. Acham que eu sou parvo? Se eu tivesse ido ia dizer que nunca fui e depois descobriam que eu tinha ido e depois está a mentir aqui, está a mentir ali. Eu nunca fui. Para mim aquilo não tem sentido nenhum porque a dignidade das mulheres ali vale zero. Coitadas! Só tenho compaixão por aquilo. Portanto, eu não contribuo para aquele tipo de escravatura. Respeito quem faz, não tenho nada a ver com a vida privada de cada um. Eu não faço!”, garante Joaquim Manuel Silva.
Já Ana Loureiro mantém todas as acusações. A proprietária de uma casa de prostituição assegura que nunca se cruzou com Joaquim Manuel Silva na sala de audiências e soube pelo jornalista da SIC que foi ele quem interveio na fase de instrução do processo em que os pais foram arguidos.
A mulher garante ainda que não ganhava nada em mentir e que já entregou todas as provas ao Ministério Público e Polícia Judiciária.
“Vingança de quê? Não foi o Manuel que condenou a minha mãe, eu nem fazia ideia que ele tinha estado nesta reabertura de instrução, mas não foi ele que condenou a minha mãe”, salienta.
Recorde-se que Ana Loureiro é a primeira subscritora de uma petição para legalização da prostituição. No Parlamento, a 4 de junho, durante uma audição, a prostituta apontou o dedo a Joaquim Manuel Silva, garantindo que este pagava por sexo oral, enquanto ouvia relatos de crianças abusadas, usando esta denúncia para apelar à legalização da profissão mais antiga do mundo.

*surprised pikachu face*
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2020.07.09 20:22 altovaliriano Meistres que viveram entre os Filhos da Floresta

As origens da Cidadela são misteriosas, porém a história que nos é contada por Meistre Yandel (narrador de 'O Mundo de Gelo e Fogo') é que ela teria sido criada como uma homenagem póstuma a Peremore Hightower por seu irmão, o Rei Urrigon Hightower.
Não há uma data precisa para o evento. Entretanto, como ambos Peremore e Urrigon era filhos de Uthor da Torre Alta, que era casado com Maris a Donzela, que por sua vez era filha do legendário Garth Greenhand. Sobre o Mão Verde, Meistre Yandel fala o seguinte:
Milhares de histórias são contadas sobre Garth na Campina e além dela. A maior parte é implausível, e muitas são contraditórias. Em algumas, ele é contemporâneo de Brandon, o Construtor, de Lann, o Esperto, de Durran Desgosto-Divino e de outras figuras pitorescas da Era dos Heróis. Em outras, ele aparece como ancestral de todas elas.
(TWOIAF, A Campina: Garth Greenhand)
Ainda que a maior parte das lendas indique para que Garth tenha vivido durante a Era da Aurora (ou até antes), o que podemos ter algum grau de certeza é que Garth não viveu depois da Era dos Heróis. Consequentemente, a Cidadela teria sido criada antes da chegada dos Ândalos ou, ao menos, no começo dela.
Neste contexto, pareceria óbvio que os meistres tenham tido contato com o conhecimento dos Filhos da Floresta e até tenham tido contato com eles. Porém, o conhecimento da Cidadela sobre os Filhos da Floresta parece incompleto, mesmo entre aqueles com conhecimentos sobre magia (os de elos de aço valiriano).
De fato, Brynden Rivers explica o seguinte sobre os corvos dos Filhos:
– Foram os cantores quem ensinaram aos Primeiros Homens a enviar mensagens por corvos... mas, naqueles dias, as aves podiam dizer as palavras. As árvores se lembram, mas os homens esquecem, então agora escrevem a mensagem em pergaminho e amarram em volta da perna da ave com quem nunca compartilharam a pele.
(ADWD, Bran III)
Meistre Luwin disse a Bran que poderia lhe ensinar "a língua dos corvos" (AGOT, Bran VI), porém nenhum dos corvos de Luwin fala propriamente. Além disso, o velho meistre demonstra um forte ceticismo sobre a magia, o que não combina com a postura de alguém que realmente sabe fazer os corvos falarem da forma explicada por Corvo de Sangue.
Em outra passagem do capítulo em que Bran está na caverna dos "cantores" (como os Filhos da Floresta se chamam), Jojen esclarece uma visão equivocada dos meistres sobre os Deuses Antigos:
Os meistres lhe dirão que os represeiros são sagrados para os antigos deuses. Os cantores acreditam que os represeiros são os antigos deuses. Quando os cantores morrem, tornam-se parte desta divindade.
(ADWD, Bran III)
Diante disto, a impressão que as Crônicas passam é a de que, ainda que a Cidadela e os Filhos da Floresta tenham coexistido, a ordem dos meistres acabou por captar errado os preceitos da cultura dos Filhos da Floresta, pois muita coisa se perdeu no telefone sem fio dos relatos de segunda mão que ele acabaram por reunir e estudar.
Essa impressão está errada.
Existiram meistres (no plural, mesmo) que viveram entre os Filhos da Floresta e deixaram obras sobre isso na Cidadela. Explicando sobre a fundação de Vilavelha, Meistre Yandel faz a menção ao trabalho destes meistres:
Podemos ter uma certeza, no entanto. Que homens viviam na foz do Vinhomel desde a Era da Aurora. Os registros rúnicos mais antigos confirmam isso, assim como certos relatos fragmentários que chegaram até nós por meio de meistres que viveram entre os filhos da floresta.
(TWOIAF, A Campina: Vilavelha - continua abaixo)
É importante esclarecer que não parece que os "relatos fragmentários" seja uma referência ao estado de conservação e organização das obras destes meistres, mas sim sobre a abrangência do conhecimento que foi coletado sobre a fundação de Vilavelha.
Em outras palavras, minha interpretação é de que esses meistres conseguiram poucas e esparsas informações sobre Vilavelha junto aos Filhos, mas isso não quer dizer que os relatos são incompletos em relação à cultura dos Filhos da Floresta em si. Assumir que as obras são fragmentárias em relação a tudo que os meistres presenciaram e aprenderam com os "cantores" me parece um suposição excessivamente ampla.
À par disto, o trecho em que Samwell comenta a Jon sobre as obras que encontrou na biblioteca da Muralha ganha novo significado:
Encontrei desenhos de caras nas árvores, e um livro a respeito da língua dos filhos da floresta… Trabalhos que nem a Cidadela possui, pergaminhos da antiga Valíria, contagens das estações feitas por meistres mortos há mil anos…
(ACOK, Jon I)
A fala de Samwell sempre teve duas intepretações possíveis: 1) Como Samwell não é meistre, ele apenas supõe que a Cidadela não tem estas obras; 2) Samwell realmente sabe do que está falando, mas o que a cidadela não tem são livros específicos sobre rostos nas árvores e a língua dos Filhos.
Porém, ao reler essa passagem, eu reparei que há uma vírgula depois da da parte em negrito, e não um ponto. Ou seja, Samwell não está afirmando qualificando os livros sobre os Filhos da Floresta. Apenas está enumerando os outros achados: "Trabalhos que nem a Cidadela possui, pergaminhos da antiga Valíria, etc".
De toda forma, a pergunta que fica é "quanto realmente sabe a Cidadela sobre os Filhos da Floresta?". Meistre Jellicoe era um daqueles que viveu entre os Filhos da Floresta e as informações que ele traz sobre Vilavelha são intrigantes:
Um deles, Meistre Jellicoe, sugere que o assentamento no alto da Enseada dos Murmúrios começou como um posto comercial, onde navios de Valíria, Velha Ghis e Ilhas do Verão paravam para reabastecer provisões, fazer reparos e permutar com as raças mais antigas, o que parece uma ideia tão provável quanto qualquer outra.
(TWOIAF, A Campina: Vilavelha - continuação da citação acima)
À primeira vista parece uma informação lógica. Se Vilavelha era um porto comercial no Mar do Verão, nada mais normal que receber visitas dos grandes impérios da época e das Ilhas do Mar do Verão. Porém, tendo em mente que esta informação deve ter chegado ao meistre através dos Filhos da Floresta.
Em poucas palavras, é possível que valirianos e filhos da floresta tenham se conhecido em Vilavelha. Considerando-se que a cidade provavelmente foi construída antes da Era dos Heróis, este encontro pode ter acontecido antes da Longa Noite. isto reforçaria a tese de muitos leitores de que povos do Leste também lutaram em Westeros contra os Outros, dando origem a lendas como a de Azor Ahai.
Essa conclusão revela o quão importante pode se revelar a análise dos trabalhos destes meistres na Cidadela. Talvez vejamos esta investigação ser feita nas Crônicas por Samwell, agora que ele está em Vilavelha. Talvez haja outras dicas nos livros que nos ajudem a deduzir mais informações sem termos que esperar por Ventos do Inverno. Contudo, como não as encontrei, só posso esperar vê-las nos próximos livros.
O que vcs acham?
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2020.06.15 01:13 jgcompytb20 Liked on YouTube: AULA GRÁTIS 4 – Análise do CI de Carga do Celular Iphone! CURSO DE MANUTENÇÃO E CONSERTO DE CELULAR!

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2020.06.03 01:59 RafaelHonorato01 Questionamentos ao maior estudo de cloroquina

O que acham dos questionamentos que foram feitos ai maior artigo científico que analisou o uso de Cloroquina? Viram isso?
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Quais os questionamentos ao maior estudo realizado sobre a cloroquina
Camilo Rocha01 de jun de 2020(atualizado 01/06/2020 às 20h26)
Carta assinada por 140 pesquisadores contesta metodologia e dados de levantamento com 96 mil pacientes de covid-19. Periódico faz correções, mas diz que elas não comprometem conclusões
FOTO: DIEGO VARA/REUTERS
AMOSTRAS DE DIFOSFATO DE CLOROQUINA DISTRIBUÍDAS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE
O maior estudo já feito a respeito dos efeitos da cloroquina e da sua derivada hidroxicloroquina em pacientes com covid-19 está sendo contestado por especialistas em alguns de seus aspectos. Amplamente divulgado pela imprensa, o levantamento publicado em 22 de maio analisou dados de 96 mil doentes de vários países.

Do total, 14.888 pacientes haviam recebido algum tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina, sozinhas ou em combinação com outros remédios. Segundo o estudo, em todas as situações houve aumento no risco de morte e de arritmias cardíacas graves. A conclusão do trabalho foi de que a “segurança e benefícios” da cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina tiveram “avaliação ruim” quando usadas no tratamento da covid-19.

Encabeçado por Mandeep R. Mehra, do centro cardiovascular da Escola de Medicina de Harvard, a pesquisa foi publicada e revisada pela revista médica britânica The Lancet, referência mundial.

Na sexta-feira (29), 140 médicos e pesquisadores de diversos países (nenhum brasileiro) enviaram uma carta à Lancet na qual pedem transparência com relação à metodologia, aos dados e ao processo de revisão do estudo. “Os autores [do estudo] não aderiram a práticas que são padrão nas comunidades de aprendizado de máquina e estatística. Não divulgaram seu código ou dados”, afirmaram os cientistas. Os pesquisadores solicitaram ainda que o trabalho fosse validado por um comitê independente apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A publicação da pesquisa motivou a OMS a suspender estudos clínicos com a hidroxicloroquina. A França alterou a recomendação para uso de hidroxicloroquina no tratamento com covid-19 e interrompeu testes após a divulgação do estudo. Outros países europeus também vetaram o uso do remédio.

Diversas pesquisas anteriores, realizadas com grupos menores de pacientes, já haviam apontado que o remédio não surtia efeito contra o novo coronavírus. Fabricada há mais de 80 anos, a cloroquina e sua derivada hidroxicloroquina são tradicionalmente receitadas a pacientes com malária, artrite reumatóide e lúpus.

ÍNDEXTudo sobre Coronavírus no Nexo
GRÁFICOQual o material mais eficaz para máscaras, segundo este estudo
EXPRESSOAté quando será necessário adotar o isolamento social?
O presidente Jair Bolsonaro e seu colega americano Donald Trump defenderam o uso da cloroquina como tratamento para covid-19 ao longo da pandemia. No Brasil, o remédio passou a ser recomendado pelo Ministério da Saúde para doentes em todos os estágios da covid-19, em 20 de maio. A medida é uma orientação, e a decisão final de receitar é dos médicos, com autorização do paciente.

No domingo (31), a Casa Branca comunicou que o governo americano mandou duas milhões de doses de hidroxicloroquina para o Brasil.

O que os cientistas apontam
A carta ao Lancet lista dez aspectos problemáticos da pesquisa. Abaixo estão alguns dos principais pontos:

Falta de informações a respeito dos hospitais que forneceram dados de pacientes usados no levantamento ou identificação dos países onde estão localizados. A base de dados pertence a uma empresa americana chamada Surgisphere, especializada em análise de dados de saúde, que negou acesso às informações solicitadas pelos pesquisadores, alegando questões contratuais com governos. O presidente da Surgisphere, cirurgião vascular Sapan Desai, é coautor do estudo.
Segundo os pesquisadores, dados sobre África contidos no estudo indicam que quase 25% de todos os casos de covid-19 e 40% de todas as mortes no continente ocorreram em hospitais associados ao Surgisphere, com sistemas eletrônicos sofisticados de coleta de dados e monitoramento de pacientes, o que segundo os pesquisadores não condiz com a realidade. “Tanto o número de casos e de mortes, e a coleta de dados em detalhes, parecem improváveis”, diz o texto da carta.
Dados relativos à Austrália não são compatíveis com relatórios das autoridades, e incluíam “mais mortes hospitalares do que haviam ocorrido em todo o país durante o período do estudo”. Também registravam muitos casos para apenas cinco hospitais. A Surgisphere explicou que, neste caso, houve um erro que classificou um hospital da Ásia como sendo australiano. Para os pesquisadores, isso indica a necessidade de revisão em todo o banco de dados.
Na visão dos cientistas, diversas características dos casos analisados (severidade da infecção, dose utilizada, efeitos temporais), chamados “fatores de confusão”, jargão da estatística para variáveis que podem levar a interpretações distorcidas, não foram considerados de forma adequada.
Um dos signatários da carta, James Watson, cientista sênior do Centro de Pesquisa de Medicina Tropical Mahidol Oxford, teve seus questionamentos a respeito da análise estatística do estudo reproduzidos em um blog da universidade de Columbia, nos EUA.

Segundo ele, o fato de o estudo registrar uma mortalidade de quase o dobro em pacientes que receberam cloroquina ou hidroxicloroquina em comparação aos que não receberam é algo inusitado. A proporção é muito maior do que a observada em estudos anteriores sobre o medicamento.

Watson também chama a atenção para o fato de o estudo ter apenas quatro autores, “o que é estranho para um estudo global em 96 mil pacientes”. Segundo o cientista, estudos com esse perfil na medicina em geral são desenvolvidos em grupos colaborativos, e podem chegar a ter entre 50 e 100 autores.

FOTO: DIEGO VARA/REUTERS

FUNCIONÁRIO DE HOSPITAL EM PORTO ALEGRE MOSTRA PÍLULA DE CLOROQUINA. MINISTÉRIO DA SAÚDE AMPLIOU USO DO REMÉDIO PARA CASOS LEVES
“Não estou acusando os autores/empresa de dados de qualquer coisa desonesta, mas como eles quase não dão detalhes sobre o estudo e ‘não podem compartilhar os dados’, é preciso analisar as coisas de uma perspectiva cética”, escreveu.

O tempo levado pelos pesquisadores para a conclusão do trabalho também foi considerado atípico. Em pouco mais de cinco semanas, os autores analisaram dados de dezenas de milhares de pacientes, escreveram o artigo e passaram pela revisão por pares da revista Lancet.

O que dizem os autores do estudo
“As análises foram realizadas com cuidado e as interpretações fornecidas foram avaliadas intencionalmente. Estudamos um grupo muito específico de pacientes hospitalizados com covid-19 e declaramos claramente que os resultados de nossas análises não devem ser interpretados para aqueles que ainda não desenvolveram a doença ou para aqueles que não foram hospitalizados”, afirmou Sapan Desai, presidente da Surgisphere e coautor do estudo publicado na Lancet. Ele ressaltou que as limitações de um “estudo observacional” foram destacadas e reafirmou a conclusão de que o uso da cloroquina fora do contexto de testes clínicos não era recomendável.

No sábado (30), a revista científica publicou duas correções ao estudo, mas afirmou que “não houve alterações nas conclusões do artigo”. Ao New York Times, uma representante da publicação disse que mais atualizações serão fornecidas conforme necessário. “O Lancet incentiva o debate científico e publicará as respostas ao estudo, juntamente com uma resposta dos autores, na revista no devido tempo”, afirmou.

Um representante do doutor Mandeep R. Mehra, professor de Harvard que encabeçou o artigo, declarou que os autores da pesquisa pediram uma revisão acadêmica independente e uma auditoria do estudo.

Método científico
Pesquisas científicas são apresentadas ao mundo por meio de artigos em publicações científicas. Antes de serem publicadas, esses artigos são revisados por pares, etapa na qual especialistas naquela determinada área verificam a solidez do estudo, dos experimentos, da metodologia e das conclusões obtidas.

No entanto, mesmo uma pesquisa revisada por pares continua aberta a discussões e contestações, em um processo completamente normal e esperado na esfera científica. Muita dela poderá ser provada simplesmente errada. A pesquisa revisada é “conhecimento provisório, talvez verdadeiro, talvez não”, definiu o estatístico da universidade de Columbia e analista de pesquisa Andrew Gelman, em um artigo sobre o estudo da Lancet.

Um movimento chamado Ciência Aberta defende uma prática científica que disponibiliza informações em rede, pela internet, com o objetivo de que estas sejam acessíveis a toda a comunidade, incluindo universidades, instituições financiadoras e outros pesquisadores.

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2020.05.23 13:53 cowboy_pantaneiro Se um forte traço de Bolsonaro é sua personalidade inconsequente e subversiva, seu ponto fraco se revela em suas tendências psicóticas - e é no mínimo razoável imaginar a oposição tentando fazê-lo enlouquecer de vez

Não é novidade pra ninguém que observe a rotina deste homem de perto que ele demonstre paranóias constantes, como dormir com uma arma ao alcance das mãos e desconfiar o tempo todo que sua comida pode ter sido envenenada, possua crenças fervorosas às mais diversas teorias da conspiração, e a tendência ao absurdo em tudo aquilo que pensa e que mal consegue articular em sua fala sem que a língua enrole. E isso não é de hoje e nem começa com ele na cena do planalto.
Temos um homem cujo primeiro destaque público foi sua prisão por planejar plantar bombas em quartéis militares, quebrando uma rígida regra de hierarquia e entusiasmando colegas seus a se revoltarem junto a ele.
Depois de anos vivendo no ostracismo como deputado, Bolsonaro ganha destaque inédito nas redes sociais: nada mais é do que o poder de uma voz absurdamente apelativa incendiando uma platéia de milhares de pessoas. Um entusiasta com a habilidade de cativar as massas comparável à de pastores experientes com intenções excusas, mas diferente desses, um frontman que parece acreditar fielmente no próprio pensamento e discurso desconexo da realidade. Bolsonaro parece incapaz de julgar seu próprio comportamento e aprender com os erros, talvez seja um exemplo extremo do prepotente dono da verdade e da bola.
Tudo isso é evidenciado com uma breve análise da história pública e da vida particular de Bolsonaro. Seus irmãos o descreveram em diversas entrevistas como um ser que sempre foi iluminado, desde cedo o orgulho da família, nascido para brilhar. Messias é apenas seu segundo nome, mas em sua cabeça e possivelmente na de seus pais, messias é sua missão divina.
Junto a essa personalidade extremamente messiânica e narcisista existe uma outra face, que revela medo, desconfiança, paranóia, delírios, impulsividade e agressividade, inclusive com seus próximos.
Isso tudo indica uma ampla vulnerabilidade psicológica da qual seus opositores provavelmente conhecem muito bem. Qualquer manchete sensacionalista, menção a crimes e investigação ou acusações pessoais, projetam em sua mente uma ameaça atormentadora contra sua vida e sua missão na terra, seguida de uma reação desproporcional e impulsiva, como se o inimigo estivesse sempre ao seu lado e pudesse ser qualquer pessoa. Bolsonaro chega ao ponto de confessar suas próprias intenções ilegais em entrevistas e se auto-incriminar perante a mídia numa simples tentativa de se defender. Quanto mais pressão colocam sobre ele e sua família, mais espinhos Bolsonaro solta. Mais leis ele atravessa. Mais adeptos insanos conquista, e mais rastro de destruição evidencia.
Se essa estratégia continuar em uso por muito tempo, teremos dois possíveis desfechos pra essa história: a perturbação mental finalmente desmancha Bolsonaro em delírios irreversíveis, ou então passaremos anos dentro de uma realidade que nada mais é do que a projeção de uma mente em psicose perturbada desde a infância.
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2020.05.18 16:43 neropericias Quais profissões estão em alta daqui a 5 anos?

Quais profissões estão em alta daqui a 5 anos?

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Se você está se preparando para o mercado de trabalho, com certeza precisa saber quais profissões estão em alta daqui a 5 anos. Digo isso, pois, com as altas e baixas nas mais diversas áreas, fica difícil escolher uma área para se especializar ou um curso superior, não é mesmo?
Então veja ao longo desse conteúdo quais são as melhores opções para você investir hoje e, certamente, ter mercado garantido daqui cinco anos, vamos lá!

Especialistas em Big Data


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Se especialistas em Big Data são profissionais essenciais nos dias de hoje, saiba que, em cinco anos, esses profissionais serão ainda mais necessários.
Digo isso, pois, é através do cientista de dados (Nome denominado para profissionais que trabalham com Big Data), que as empresas conseguem processar e, é claro, utilizar, o enorme volume de informações despejados todos os dias na internet.
Caso você não saiba, diariamente, são produzidos cerca de 2500 petabytes, isso é, nada menos, que 2,5 quintilhão de bytes por dia.
Se ainda não se impressionou, saiba que 1 quintilhão de dados é equivalente a: 220 bilhões de músicas ou 153 milhões de filmes.
Se você gostou da ideia de analisar grandes fluxos de dados e ajudar empresas a tirarem o melhor proveito das informações, veja abaixo quais são os pré-requisitos para que você consiga atuar na área:

Conhecimento em áreas exatas e tecnológicas

Aqui podemos citar estatísticas, computação e matemática.

Quanto ganha um especialista em big data?

O salário atual desse profissional possui uma grande variação, de: R$ 2 mil reais podendo chegar a R$ 30 mil reais.
O salário acima com certeza sofrerá alguns reajustes e, em cinco anos, será ainda mais atrativo. Se você estava em dúvida de quais as profissões em alta para 2020, esta é uma delas; tanto para 2020 como daqui há cinco anos.

Engenheiro com foco em Agronegócios

Com certeza os setores de agronegócios estarão em alta daqui cinco anos e, dentre as profissões dessa área, se destaca o engenheiro com foco em agronegócios.
Esse profissional é essencial, pois, é através dele que é possível obter os melhores resultados de produção. Para se ter uma ideia, o engenheiro de agronegócios é responsável por:
  • Gestão e análise do solo
  • Controle de pragas
  • Encontrar a melhor solução de adubagem e irrigação
  • Planejamento do plantio
  • Reprodução/alimentação/abate de animais
  • Encontrar soluções ambientais
O salário desse profissional pode variar de acordo com as atribuições e cargo que o mesmo desempenhar no setor agrícola, mas podemos dizer, com certeza, que a média salarial é de R$ 5 mil reais.
Esta é sem dúvida mais uma das profissões em alta 2020 e que continuará em alta para os próximos 5 anos.

Área de TI

Podemos afirmar que a área de TI e todas as suas subdivisões estarão em alta daqui cinco anos, pois, o mundo caminha, cada vez mais, para tecnologia da informação.
Abaixo segue algumas subdivisões da área de TI:

Infraestrutura

Aqui podemos citar analistas de suporte técnico e, é claro, os administradores de redes.

Software

Na área de software temos os programadores e desenvolvedores.

Banco de dados

Aqui estão os especialistas e administradores de banco de dados
Claro que a área de TI possui ainda mais subdivisões, mas, listamos aqui as que, certamente, serão muito buscadas daqui cinco anos.
Devido a falta de um teto salarial nas áreas de TI, não é possível estipular um valor salarial médio, podemos apenas dizer que esse profissional já está em falta no Brasil e, por esse motivo, os salários estão crescendo cada vez mais.

Gestor de Resíduos

Diferentemente da terceira revolução industrial, quando o foco era a evolução e não o meio ambiente, hoje o mundo olha, primeiro, para o meio ambiente e depois para a indústria, o que levou as empresas a adotarem medidas seguras de operação.
Por esse motivo o gestor de resíduos é o profissional ideal para atender tanto, a demanda pública, quanto privada, buscando soluções que não agridam o meio ambiente. Logo abaixo é possível observar um pouco do que esse profissional faz e o que ele representa para a sociedade em geral:
  • Criar estratégias seguras para destinação de rejeitos residenciais e industriais
  • Criar projetos que possibilitem a transformação do lixo em algo útil
  • Criar medias e planos de ação voltados a redução do descarte incorreto
  • Incentivar a utilização de materiais recicláveis
Se você quer ajudar o meio ambiente, então essa é a carreira ideal para você daqui cinco anos. Lembre-se que os cursos superiores desejados são: Ecologia, Ciência ambiental, geologia, engenharia civil, etc.

Profissionais da área da saúde


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A pandemia mostrou, sem dúvida, que a área da saúde é defasado e carece de profissionais em todos os setores, desde o técnico em enfermagem até os cirurgiões, clínicos, especialistas, etc.
Portanto, se você deseja uma vaga garantida no futuro, opte por se especializar em algum curso voltado a saúde, como por exemplo:
  • Enfermagem
  • Medicina
  • Técnico em enfermagem
Claro que a faixa salarial irá depender, exclusivamente, da sua formação e, também, a instituição que você irá trabalhar, portanto, escolha com sabedoria.

Desenvolvedor de Software

Investir em cursos superiores na área de desenvolvimento de software é, sem dúvida, uma maneira de garantir um emprego daqui a cinco anos.
Vale ressaltar que, apesar da grande procura por profissionais que possuem curso superior em alguma área da computação, alguns cursos técnicos também podem abrir as portas para entrar para o mundo do desenvolvimento de software e, com o tempo, continuar se qualificando para o mercado de trabalho.
Abaixo segue o salário de desenvolvedor de software:

Quanto ganha um desenvolvedor de software?

Um desenvolvedor de software ganha, em média, R$ 6 mil reais, podendo chegar a R$ 8 mil reais.
Ressalta-se que o salário estipulado acima é o atual, em cinco anos o mesmo estará reajustado e, sem dúvida, será ainda maior.

Empreendedor digital

O empreendedorismo digital nunca para. Pessoas em todo o mundo já ganham muito dinheiro hoje com esse tipo de atividade que consiste, nada menos, que abrir um negócio totalmente online.
Veja abaixo algumas maneiras de ganhar dinheiro na área do empreendedorismo digital:
  • Vender produtos digitais
  • Prestar serviços terceirizados
  • Trabalhar com criação e desenvolvimento
Essas são apenas algumas dicas, saiba que ainda há outros nichos de mercados que, sem dúvida serão muito lucrativos e, como o mundo caminha para uma era digital, sem dúvida em cinco anos isso irá dar muito dinheiro.

Perito de Assinatura

Outra que faz parte do time das profissões em alta não só para 2020 mas como para os próximos 5 ou 10 anos é de perito de assinatura ou perito grafotécnico. É este o profissional capaz de identificar se uma escrita foi feita por determinada pessoa ou não.
A perícia grafotécnica, que é o trabalho que este profissional executa para poder afirmar com certeza sobre a origem de uma escrita é feita baseada nos elementos genéticos e genéricos que uma pessoa deixa ao fazer a escrita.
A perícia grafotécnica não analisa a forma da escrita como pensam os falsificadores, ela analisa estes elementos que são únicos para cada indivíduo.
O perito grafotécnico é também conhecido como perito de assinatura por ser esta a principal aplicação da técnica: a de identificar se uma assinatura foi feita por uma determinada pessoa ou não.
A profissão está em alta devido a diversos fatores, sendo os principais:
📷excelentes ganhos
📷falta de profissionais
📷possibilidade de exercer a atividade nas horas vagas
📷possibilidade de ter outra atividade em paralelo
📷facilidade para se formar
📷rapidez para se formar
📷baixo investimento para se formar: curso muito barato
Vamos agora explicar melhor cada uma destas vantagens.

Excelentes Ganhos

Este sem dúvida é o principal atrativo desta profissão em alta e certamente o que mais causa curiosidade nas pessoas que ouvem dizer que esta profissão é uma das profissões em alta de 2020. Mas afinal, quanto ganha um perito grafotécnico ?
Antes de mais nada é preciso esclarecer que este profissional não ganha salário, ou seja, não trabalha de acordo com as convenções da CLT.
O perito grafotécnico é um profissional autônomo e seu ganho é por cada perícia grafotécnica que faz.
Apesar de não ter salário fixo, seus ganhos são bem atrativos! Em média em uma perícia em assinatura simples este profissional ganha R$ 2.500,00; se a assinatura for mais complexa este ganho pode chegar a R$ 7.500 por assinatura. Faça as contas e veja quanto dinheiro ganha o perito grafotécnico.
Se ele fizer 2 perícias por semana das mais simplesinhas ele ganha R$ 5.000,00 por semana ou R$ 20.000,00 por mês. E olha que esta é uma meta bem baixa de perícias por semana.
Se o perito dedicar mais tempo à profissão e dobrar esta quantidade semanal de perícias, seus ganhos chegam a R$ 40.000,00 por mês!
Sem dúvida os ganhos de um perito grafotécnico é de fazer inveja!
Continue lendo e veja as outras atratividades da profissão

Falta de profissionais

Você já tinha ouvido falar da profissão de perito grafotécnico ? Se sim, parabéns, você faz parte de um time seleto de pessoas. Saiba que a grande maioria nunca ouviu falar da profissão.
A verdade é que ela não é regulamentada como é a de advogado, engenheiro, médico, etc e, por isso, é muito pouco divulgada.
Para se ter idéia, não existe faculdade de perícia grafotécnica.
Por ser pouco divulgada, poucas pessoas conhecem e, portanto, poucos profissionais existem atuando.
E, por ter poucos profissionais atuando, ela é uma das profissões em alta do momento e, certamente, será daqui há cinco anos.
Retrato disso são os milhares de processos parados há anos na justiça por falta de peritos na área.

Possibilidade de exercer a atividade nas horas vagas

O profissional em grafoscopia, por ser autônomo, não precisa cumprir horário e nem mesmo trabalhar em um local fixo.
Esta profissão pode ser exercida a partir de sua casa mesmo, nas horas vagas, de acordo com sua disponibilidade.
Isto é bom para você ? Então continue lendo que ficará surpreso com os outros benefícios deste profissão em alta.

Possibilidade de ter outra atividade em paralelo

Este é mais um dos benefícios da profissão; como não precisa ir a um determinado local para trabalhar e por não ter que cumprir horário, a profissão pode ser exercida em paralelo com sua atividade atual.
Você tem um emprego de carteira assinada ? Ótimo, então pode continuar trabalhando em seu emprego e atuar como perito grafotécnico nas horas livres.
Hoje em dia muitos buscam uma fonte de renda extra para completar o orçamento doméstico; alguns dão aula de inglês, outros fazem pães e doces, outros costuram, enfim, são muitas as formas que as pessoas conseguem um dinheirinho extra no final do mês.
Mas aposto que nenhuma delas dá rendimentos tão bons quanto a perícia grafotécnica! Apenas uma única perícia no mês é capaz de render muito mais do que um mês de trabalho nestas atividades extras.
Fica a dica!

Facilidade para se formar

Outra grande vantagem desta profissão é a facilidade de se formar em perito grafotécnico. Enquanto as outras profissões com salario alto exigem anos e anos de estudo em um faculdade e depois em uma especialização, a profissão de perito grafotécnico, que é uma profissão que dá excelentes rendimentos, exige apenas que você faça um curso de 22 horas/aulas.
Isso mesmo, você só precisa fazer um curso de 22 horas/aula para começar a ganhar muito dinheiro com esta profissão e, lembrando, que pode ser exercida nas horas vagas e em paralelo com sua atividade atual.
E mais, você só precisa assistir as aulas e assimilar o conhecimento; não é necessário fazer prova para obter o certificado e começar a atuar.

Rapidez para se formar

Como já falamos anteriormente você só precisa de 22 horas de aula para se formar na profissão. Sem dúvida esta é mais uma vantagem!
Estas 22 horas de aula você consegue fazer em 13 dias, aproximadamente!
Em qual outra profissão que te dê ganhos de R$ 20 mil mensais ou mais você consegue se formar em apenas 13 dias ?
Sinceramente, não existe!

Baixo investimento para se formar: curso muito barato

O investimento que você deve fazer para se tornar um perito de sucesso e ganhar muito dinheiro nesta profissão também é outra vantagem dela: é muito, muito baixo perto do retorno que ela proporciona e do valor necessário para se formar em outras profissões.
O investimento total que você precisa fazer com o curso de perito grafotécnico é muito baixo mesmo; ele é menor do que uma única mensalidade de uma faculdade. Se fizer a conta do quanto custa o curso todo de uma faculdade (lembrando que ela exige de 4 a 5 anos) o investimento no curso de perito é irrisório!
Ainda não está convencido de que a profissão de perito grafotécnico é uma das profissões em alta ?
Clique aqui para continuar lendo.
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2020.05.16 18:06 epilef_backwards Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).

Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).
Ninguém sabe o que o futuro reserva. É por isso que as possibilidades são infinitas.
É clicando com o botão direito e, imediatamente após, selecionando a opção de loop na OST "Christina I", belíssima instrumental composta pelo gênio do piano Abo Takeshi, que, em meio às lágrimas que rapidamente me vêm aos olhos ao relembrar do episódio 22, inicio a escrita da análise desse show. Devo avisar, de antemão, que Steins;Gate, animação que adapta a visual novel de mesmo nome, dirigido por Takuya Satō , não é um anime para qualquer um. Como bem dito por Thalius, ser para todos não significa ser para qualquer um. Essa citação, em particular, uma das minhas preferidas, cabe à animação não porque ela trata de assuntos supostamente incrivelmente complexos como o tempo, mas, sim, porque ela apresenta diversas camadas e níveis de entretenimento. É, sim, possível se entreter apenas com a camada mais superficial, aquela que apresenta uma história sci-fi sobre viagem no tempo, no entanto, o aproveitamento da mensagem real do anime só é despertado quando você adentra às profundezas de Steins;Gate. Para iniciar, é bem verdade que a presença de temas profundos e, mesmo, desconhecidos pela ciência atual pode parecer um tanto quanto amedrontador e até desencorajador, principalmente para aqueles que não estão acostumados com termos científicos ou não se interessam tanto pelas ciências "exatas". Felizmente, temos o primeiro acerto de Steins;Gate nesse ponto, e o início das características que o diferem de qualquer outro anime existente, pois o anime se prende apenas na intensidade necessária aos conceitos e explanações que supostamente deveriam ser complexas. Isso é inteligente por parte dos roteiristas, pois são apresentados, sim, momentos explanatórios sobre uma máquina que eles irão construir, sobre os conceitos utilizados nessa máquina ou, mesmo, sobre o funcionamento de certos princípios essenciais para o nosso entendimento;contudo, o anime nunca faz isso parecer monótono ou mais complicado do que é. Muito pelo contrário: Steins;Gate faz um trabalho excepcional em explicar os conceitos necessários à trama de maneira simples e compacta, sem necessidade de longos diálogos e/ou complicações extraordinários só para "cultizar" os personagens que realizam a explicação (sim, Sword Art Online: Alicization, eu estou olhando para você neste exato momento; para você e, principalmente, para a explicação longínqua, monótona e confusa sobre o funcionamento do mundo de realidade virtual apresentado na temporada). Desse modo, Steins;Gate consegue estabelecer rapidamente os conceitos principais que regem o show sem fazer parece-los bichos de sete cabeças, o que poderia, e, provavelmente, iria, afastar muitos indivíduos.
Outra qualidade louvável, ainda no mesmo plano da última, é a capacidade da animação em flutuar em um tema complexo como viagem no tempo e não apresentar furos no roteiro que embaralham a trama, fazendo que ela fique confusa e desconexa. Ao meus eu jamais tinha encontrado uma animação sobre viagens no tempo que não apresentasse sequer um furo de roteiro quando se trata de diversas linhas temporais. E exemplos contrários não faltam, incluindo o mundo fora das animações japoneses (a série The Flash, por exemplo, apresenta um roteiro fraco e repetitivo, no entanto, o que faz da experiência muito desagradável são os constantes furos criados pelo excesso de personagens indo e vindo em linhas do tempo que aparentemente são infinitas, porém, insuficientes para o roteiro, o qual usa e abusa em todos os níveis desse artifício do gênero). Isso é muito importante na consistência e no envolvimento com a obra, pois, assim que sabemos que o roteiro utiliza a viagem no tempo mais como artifício barato para resolver qualquer problema que apareça para ele, nosso senso de importância e de gravidade é drasticamente reduzido, uma vez que sabemos que, assim que o roteiro precisar, é só aparecer um personagem onisciente do futuro que irá resolver os problemas. Uma outra possibilidade de furo de roteiro causada pelo fator viagem no tempo é essa aparente onipresença de personagens que a utilizam. Em fato, talvez esse seja o maior problema nas histórias de viagem no tempo: personagens aparecem do nada e, bem como apareceram, começam a contar absolutamente tudo que irá acontecer, o que incluí detalhes impossíveis de serem lembrados. Tás posto um exemplo de ilustração: personagem A volta à linha do tempo que irá acontecer X evento de maneira a impedir aquele evento (lembrem-se, portanto, que é a primeira vez dela ali, o que significa que ela apenas tem noção de um PANORAMA sobre o futuro) e, de modo a confirmar que veio do futuro, diz que um copo de vidro irá ser derrubado e quebrado em exatos 5 segundos. Após os 5 segundos, bem como previsto por A, o copo é derrubado e, consequentemente, quebra ao tocar o chão. A pergunta mais simples e impossível de ser respondida é: como ela sabia do copo? Por acaso vir do futuro entrega à personagem conhecimento absoluto do que aconteceu antes? Sem contar que, em muitos casos, A sequer EXISTIA no momento que essa cena acontece, o que torna IMPOSSÍVEL o conhecimento do evento em questão. Esse truque é constantemente utilizado na parte da "solução do futuro distópico" e, por si só, não apresenta grande problema, o problema se instaura quando esse artifício compõe 90% das formas como a trama se resolve, pois fica clara a inabilidade do roteirista em utilizar sua criatividade e capacidade de escrever uma história no que tange à solução de problemáticas. Em suma, o problema não é haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática, o problema é só haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática. Quanto a isso, Steins;Gate dá uma aula de como resolver essa "intrincada do viajante do tempo", utilizando-se de uma série de artifícios narrativos para desviar o excessivo uso do já citado viajante. Em primeiro lugar, existem apenas dois personagens que possuem um conhecimento "sobrenatural": o protagonista, Okabe, e John Titor, aqui na pele de Suzuha, uma das personagens secundárias do show. Isso implica diretamente em dois fatores que devem ser de extrema atenção: existem menos personagens para furar o roteiro, uma vez que, quanto mais personagens transitam pelas linhas, mais fácil é do roteiro se perder em meio a tanta informação e o roteiro precisará de outras maneiras para resolver problemas, já que como se não fosse absurdo suficiente 20 personagens sabendo sobre linhas resolverem misticamente qualquer problema da trama, mais absurdo, ainda, é imaginar que apenas 2 o farão. Desse modo, Steins;Gate decide traçar um caminho que, embora seja mais complexo de ser realizado, pode entregar um resultado excepcional no final da obra. E felizmente é isso que acontece. Diferentemente das demais obras de viagem temporal, Steins;Gate apresenta um roteiro muito apurado e astuto, uma vez que ele se utiliza de personagens que já conhecemos como aqueles que irão, em um futuro, ter sapiência sobre tais viagens. Isso significa que os personagens que irão "dominar" o tempo já estão na trama, só precisamos dar tempo a eles para eles o dominarem. Em outras palavras: em teoria, temos somente dois personagens que sabem sobre viagens e máquinas do tempo e outras linhas temporais, no entanto, ao longo da própria história daquela linha do tempo, outros personagens também terão esses conhecimentos. Esse truque fica explícito na cena em que Daru reconstrói a máquina do tempo. Em um primeiro momento, poderíamos imaginar que ali se alocava um furo de roteiro, uma vez que, mesmo ele sendo colocado com um grande conhecedor de máquinas, programação e mecânica no geral, é surreal alguém construir um objeto que será criado anos a frente. Contudo, assim que imaginamos a pensar isso, recebemos a informação que o Daru será o construtor da máquina, o que significa que há parte do "DNA" dele nela, ou seja, a maneira de pensar dele, de montar máquinas própria do personagem, o que explica como ele conseguiu consertá-la. Outra "esperteza" do roteiro é criar um porto seguro, ou seja, aquele personagem que, independente da linha temporal, irá conseguir entender o que o viajante do tempo fala. Eu normalmente não gosto desse artifício, uma vez que ele é usado de maneira porca na maioria dos casos, pois, geralmente, não há nenhuma explicação lógica para aquela personagem em específica acreditar no viajante do tempo. No entanto, Steins;Gate não é a maioria dos casos. Aqui, temos a personagem Kurisu como sendo o porto seguro do personagem principal ao longo da sua caminha de construção e desconstrução da linha temporal. E tinha que ser ela, justamente porque ela é quem apresenta o conhecimento "bruto" sobre tais assuntos, ela é quem desenvolveu a máquina de saltos temporais. Ou seja, a escolha do roteiro foi exata e faz que não duvidemos da autenticidade do fato dela aceitar e entender o que o Okabe fala sempre que ele salta de uma linha para outra.
Saindo puramente dos aspecto envolvendo viagens e saltos temporais, o anime mostra novamente como possuir um roteiro sólido é uma das bases para a construção de uma obra-prima. Percebam como nada acontece em apenas um plano em Steins;Gate. Utilizando os dois exemplos citados no parágrafo acima, enquanto o roteiro anula a possibilidade de haver incongruências temporais ao trazer à tona que Daru foi o construtor da linha do tempo, ele cria um dos muitos plot twists da série; enquanto o roteiro utiliza Kurisu como o porto seguro do próprio roteiro para servir como alguém que aceita e ajuda o protagonista após o salto, ele insere os momentos mais profundos de desenvolvimento do casal e da sua relação, bem como aproxima ambos os personagens dos espectadores ao gerar um senso de humanidade e sentimentalidade nos dois. Sempre que pensamos que estamos encarando uma camada do show, seja um plot twist ou outro artifício do roteiro, temos, ao menos, mais uma outra camada acontecendo ao mesmo tempo. Desse modo, nada em Steins;Gate é único, gratuito, não existem cenas por conta própria, todas elas servem aos plots da animação mesmo que em camadas mais escondidas dos espectadores. Um exemplo claro são os D-mails: enquanto eles claramente servem como preparação para o plot da metade do anime, por trás deles temos a ideia de o quanto enviar uma simples mensagem pode alterar com a vida de milhares e, por que não, bilhares de pessoas. Um simples D-mail alterou por completo o bairro de Akihabara. Um simples D-mail alterou o sexo de uma das personagens, causou uma confusão gigantesca envolvendo outra personagem, o suicídio de outra. E o principal: a imprevisibilidade do tempo. Nem nós, nem os envolvidos nas mensagens e nem mesmo Okabe e Suzuha sabiam o que iria acontecer a princípio. Essas camadas são de extrema importância para um bom desenvolvimento a trama, uma vez que 24 episódios, mesmo parecendo uma quantidade considerável, é pouco tempo para uma história, ainda mais se tratando de animes (os quais os episódios tendem a durar entre 22 e 24 minutos com aproximadamente 19~20 minutos de animação propriamente dita, já que deve haver espaço para a opening e ending). Um dos truques de mestre do roteiro de Steins;Gate é apresentar várias coisas ao mesmo tempo: enquanto há um plot, temos desenvolvimento da trama, dos personagens, explanação sobre temas complexos de maneira surpreendentemente acessível (alô, Thiago!) e uma mensagem sendo passada por trás daquilo.
Ainda no roteiro, é chegada a hora de falar sobre o que, ao menos para mim, separa completamente Steins;Gate dos demais animes que eu assisti, sim, de todos, é chegada a hora de falar sobre os personagens. Ou melhor, sobre o desenvolvimento dos personagens. É muito raro, em animes, haver um real desenvolvimento de personagem, ou seja, um arco completo de desenvolvimento. O que acontece em animes que levam com mais seriedade o ato de escrever uma história, realidade que, infelizmente, não é a da maioria dos animes, é um "pseudodesenvolvimento", o que significa que, ao invés de ser apresentado um arco completo, é apresentado um meio arco ou um arco de "tamanho" correlato. Ou seja, nos é dado certo desenvolvimento do personagem, porém, tal desenvolvimento é limitado em demasia e, em alguns casos, é dotado de uma única utilidade na trama: não deixa o personagem, normalmente o principal, planificado, sem sentimentos, sem evolução. Isso porque tal evolução é o que humaniza o personagem, é o que nos faz sentir algo por ele, sentir suas dores e suas conquistas, pois criamos empatia por ele. E em Steins;Gate temos o que eu considero como sendo um dos melhores arcos de desenvolvimento de personagens do mundo dos animes. Antes de chegar nele, devo falar sobre os personagens em si.
A obra apresenta relativamente poucos personagens, estando esses relacionados de alguma forma com o laboratório, seja porque são um dos membros ou porque é quem aluga o laboratório para Okabe e seu grupo, o que possibilita a criação de uma identidade para cada um deles: os personagens de Steins;Gate, mesmo os secundários, são quase que exclusivos da obra. Mesmo muitos seguindo alguns estereótipos, eles sempre apresentam algo para nos lembrarmos de que eles são humanos e cada um apresenta sua própria personalidade. Isso, em si, já se caracteriza como uma característica importante no desenvolvimento de um anime de qualidade: é sempre bom termos bons personagens ao nosso lado durante a caminhada que nos será contada. Contudo, apenas bons personagens não fazem uma trama. É necessário haver o desenvolvimento deles, uma vez que é importante demonstrar que o que aconteceu na estória afetou eles de algum modo, afinal de contas, se não afetou meros personagens criados por outros humanos, quem dirá um humano. E, novamente, Steins;Gate acerta em cheio. Com momentos pequenos que demonstram o estado emocional dos personagens (falo de olhares, maneirismos criados ou deixados de lado, estado corporal, postura, etc) e de explanações necessárias sobre como personagens está se sentindo ou sobre como ele mudou após certo acontecimento, Steins;Gate desenvolve os seus personagens por meio de outros acontecimentos da trama(lembram do "sempre há mais de uma camada?" então...). Além de compactar a trama, os momentos de twists e plots são de extrema importância em um show porque é ali onde deve haver um impacto maior nas personagens e em nós espectadores, e Steins;Gate não deixa devendo em absolutamente nada quando falamos de plots e twists de uma estória. É inacreditável a capacidade do roteirista de subverter possíveis convenções do gênero em momentos tocantes, emotivos e importantes para a trama. É ao subverter as nossas expectativas após termos contato com tantas obras mal feitas sobre viagem no tempo que o roteiro encontra o elo entre as diversas partes da trama da animação; em outras palavras, é quando achamos que sabemos o que está acontecendo que o roteiro nos pega desprevenidos, é quando achamos que a situação não pode ficar pior que ela, de alguma maneira, consegue realizar esse feito. Inclusive, Steins;Gate apresenta algo único, ao menos eu nunca assisti uma obra com tal característica, ao realizar um dos maiores plots da série com algo que já tínhamos conhecimento. É o já conhecido, e muito bem utilizado nas melhores obras de todos os tempos do cinema, "nossa, como eu pude não perceber isso". Estou falando do momento em que o Okabe percebe que, ao decidir voltar à linha beta, ele também fez uma outra decisão: sacrificar Makise Kurisu. Um dos raros momentos nos animes que me dão arrepios ao lembrar dele. Mesmo já sendo algo que você sabe, afinal de contas ela morre naquela linha temporal no primeiro episódio, o anime faz questão de nunca mais tocar no assunto, de esconder tal fato, a fim de, no momento em que imaginamos estar tudo certo, nos pegar com os rabos entre as pernas. Absolutamente genial. São poucos os pontos que eu sequer cheguei a cogitar um erro quando se trata do roteiro de Steins;Gate.
E não bastando os inacreditáveis plots da série, temos um arco de desenvolvimento duplo que ocorre concomitantemente à evolução da trama e à preparação de outros plots (novamente, nunca é apenas uma camada): o arco do Okabe. Eu poderia resumir ele a algo como "assista por conta própria e experimente o que é a evolução real de um personagem", porém, estaria sendo injusto comigo mesmo, porque o fator que mais me motivou a escrever essa crítica foi esse arco. No início do anime nos é apresentado um estranho e peculiar cientistita japonês nomeado de Okabe Rintarou, o qual possuí um também estranho e peculiar laboratório composto por outos dois membros: Daru, conhecido como "super hackar", e Mayuri, uma gentil e inocente amiga de infânce de Okabe. No laboratório, eles testam equipamentos supostamente tecnologicamente avançados. Embora seja um local mais parecido com um mini-apartamento que foi utilizado por 20 anos como oficina e não com um laboratório, Daru e Okabe são extremamente inteligentes e realmente projetam e criam alguns objetos interessantes (enquanto Mayuri fica ao fundo compensando a aura nerd em demasia dos dois). Ao ser apresentado, Okabe apresenta diversos maneirismos e atitudes únicas do personagem, fatores que já estabelecem uma relação direta com o personagem: tudo aquilo que é novo é intrigante, e, se é intrigante o suficiente, por que não tentar entendê-lo? É apartir dessa ideia de peculiaridade do personagem que nos gradualmente, ao decorrer dos primeiros 11 episódios, aprendemos a gostar do personagem, a reconhecer tais pecualirades não apenas como esquizitices do personagem, mas sim como traços que componhem a sua personalidade animada, radiante e até despojada, mesmo ficando claro que ele não é o melhor cara do mundo quando se trata de relações interpessoais. No entanto, nunca é passada aquela ideia de pessoa isolada, que nega os demais em prol de uma ideia maluca da sua cabeça (a qual é muito presenta em cientistas malucos; geralmente, o personagem é um completo babaca), o que nos conecta de vez com o personagem. No entanto, tudo muda quando os efeitos dos D-mails começam a aparecer, tudo muda quando ele precisa a largar o seu estilo despreocupado com o mundo e começar a tomar decisões que vão alterar a sua vida e a vida de todos aqueles que ele ama. Inclusive as duas que ele mais ama. Mayuri e Kurisu são personagens chaves na história à medida que são elas, ou fatos que acontecem com elas, que guiam as tomadas de decisão de Okabe: ora a morte da Mayuri faz que Okabe decida ir de volta à linha Beta, ora Kurisu o faz entender de outra maneira a situação e o ajuda a superar os desafios dessa árdua caminhada. É ao longo dela, portanto, que temos o desenvolvimento desses dois como um casal e como figuras isoladas com um aumento considerado do "screen time" de ambos juntos, o que demonstra a inteção do roteiro em enfatizar eles como um casal. Mas lembram-se do que eu disse antes? Nunca é apenas uma camada. Não somente temos a intenção do casal pelo simples fato de ambos parecerem, e, quem sabe, serem feitos um para o outro, mas sim porque é desse desenvolvimento que o anime prepara o choque que tanto Okabe como nós iremos sentir: o da decisão entre quem irá viver e quem irá morrer. Vejam como aquelas ideias colocadas anteriormente sobre o porto seguro se conectam diretamente ao que acabara de ser exposta: é Kurisu quem serve de porto seguro, para a trama e para Okabe. É ela quem o ajuda nos momentos mais desesperadores, quem sorri para ele quando o mesmo só consegue ver uma linha que leva a um final desastroso. É, portanto, do desenvolvimento de um simples casal que o roteiro retira um rico arco de um dos personagens. Aliás, cito o romance dele com a Kurisu como o principal pois de fato ele o é, porém, cada personagem em específico da obra serve de desenvolvimento para o Okabe e cada linha temporal que ele volta ou avança apresenta uma direta alteração nele. Percebam como o anime dedicou um episódio inteiro apenas para ele e Ruka poderem ter seus conflitos e suas sub-tramas resolvidas. Nada é deixado para trás em Steins;Gate, bem como nada é de graça. Percebam como outro episódio é dedicado à explanação sobre a realidade da Moeka e sobre como ela foi induzida a realizar o ato que desencadeou toda a jornada de Okabe. As pontas das linhas da animação sempre se encontram devidamente amarradas.
No entanto, para completar o arco do personagem e separar, de uma vez por todas, Steins;Gate dos demais animes, temos a mensagem principal do anime. Percebam que eu sequer toquei nela ao longo da escrita, e isso se dá justamente porque o anime contém diversas mensagens, cada uma em sua devida camada de entretenimento. No entanto, foi após terminar o episódio 24, sentar e pensar um tanto sobre a obra que eu consegui enxergar o que o autor realmente quis passar para quem assiste a animação: muito mais do que uma obra sobre o tempo, sobre pulos, viagens e temáticas temporais, sobre um casal destinado a ficar junto, sobre como os humanos não devem brincar com o tempo achando que não haverão consequências futuras, Steins;Gate é sobre memórias. Não somente memórias, mas como essas memórias podem afetar uma pessoa. Como essas memórias moldam que nós, humanos, somos, como essas memórias são uma dádiva e uma maldição: esquecer elas pode ser doloroso, porém viver com elas pode ser tão doloroso quanto. Todos esses pontos convergem no que, para mim, foi o melhor momento do show: o episódio 22. Foi um dos únicos três momentos dentre os que eu já experimentei assistindo animes em que o pranto foi inevitável. Porque não somente é o ápice perfeito para um casal perfeito, não somente é um momento que todos pensávamos até então, não somente é um turbilhão de emoções: é sobre como esses momentos mágicos e líricos podem ser, em fato, um laço à realidade que vivemos que terá de ser partido de maneira dolorosa e melancólica. A dor de conhecer uma pessoa melhor do que ela mesma e ela sequer saber direito quem você é. A dor de ter que guardar as memórias vividas. A dor de ter que lidar com memórias que, como o nome sugere, são, agora, apenas memórias. Como bem dito por Kurisu, a Teoria da Relatividade é muito romântica. Mas muito triste.
Nada do que foi colocado seria tão efetivo se não tivéssemos uma brilhante trilha sonora de fundo. Em específico, devo citar a música que coloquei no início do texto. Essa é a OST que aparece no episódio 22, e justamente por ser o episódio mais emotivo e doloroso da série, essa OST carrega consigo um peso, uma clara dor, uma clara sensação de algo que ficou no passado. Ou melhor, em outra linha temporal. Algo que você amou e se agarrou com todas as forças, porém o destino inevitavelmente fez você perdê-lo. No geral, Steins;Gate tem muitas das melhores OSTs das animações, sempre cumprindo com o papel de reforçar o mood da situação.
Em suma, Steins;Gate é uma animação única pois consegue fazer muito bem tudo aquilo que se propõe a fazer: apresenta personagens incríveis e únicos, plots e twists de levar você do céu a terra em questão de segundos (os quais vão completamente te hipnotizar e forçá-lo a terminar o show sem pausas), arcos emocionais, principalmente o de Okabe, ímpares e cumpre a difícil missão de apelar o mínimo possível às convenções de obras do tipo. Se pudesse resumir o anime em uma palavra seria a palavra "único", pois diversas das características citadas não se encontram em outros animes ou, caso se encontrem, são minimizadas pela pressa do roteiro em querer demonstrar logo os plots da série. Não posso deixar de falar, antes de terminar o texto, sobre o passo do anime. Mesmo muitos criticando a primeira metade, ela, para mim, é o exemplo perfeito de como uma história deve ser feita. Sem pressa, demonstrando os personagens e dando a eles peso, importância, expressão, unicidade e humanidade. Steins;Gate é uma obra-prima do início ao fim e mesmo que possa apresentar algumas peças que, por se tratar de uma animação relativamente curta (lembremos que outras animações que fizeram algo parecido com Steins;Gate tiveram 40~50 para tal), podem faltar, as peças que se encontram montando o quebra-cabeça compensam completamente as que podem faltar. É como olhar uma Pixel Art a distância: um ou outro bloquinho faltando não retira a primazia do todo.
Minha nota perfeita é muito mais sobre como o anime me impactou do que seu número de acertos e erros, e é por isso que Steins;Gate segue sendo uma das quatro notas 10 na minha lista e meu terceiro anime preferido. Estonteante, imprevisível e apaixonante, certamente é um anime que te fará pensar sobre conceitos complexos, como viagens e saltos temporais, e, ao mesmo tempo, conceitos completamente humanos, como perda, memórias e escolhas.
Se tivesse acesso a uma máquina do tempo, buscaria alguma linha temporal em que o meu eu não se apaixonou completamente por Steins;Gate, porém, devo concordar com Okabe sobre como tudo parece convergir para um inevitável fim.
Escrita ao longo dos dias 14, 15 e 16 de maio de 2020, 16 anos antes da Terceira Grande Guerra.
Um dos poucos momentos na história da animação em que a perfeição foi alcançada. O final do episódio 24, junto com o episódio 22, são os melhores momentos que eu tive ao assistir uma animação japonesa ao longo das centenas assistidas.
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2020.04.24 18:19 HairlessButtcrack Cronologia do Covid-19

Boas malta fiz uma cronologia dos eventos nos estados unidos para entender como é que eles estiveram e quis comparar com a nossa. Decidi postar depois de ver este e este posts.
As conclusões não são boas, os media (americanos) dizem mal da inação do Trump mas nós tivemos uma sorte do Carvalho. Se em movimento de pessoas fossemos iguais a outros países os números eram muito piores, que se formos a olhar bem proporcionalmente em casos estamos ao nível dos estados unidos (mas com metade das mortes). A nossa primeira ação foi a meio de março.
(A minha cronologia certamente que não está completa e estou aberto a adicionar ou retirar coisas dadas fontes, Grande parte veio da Lusa/CM/JN outras coisas vieram da cronologia que fiz dos EUA)
Cronologia:
31 de dezembro de 2019 Organização Mundial de Saúde (OMS) revela haver mais de duas dezenas de casos de pneumonia de origem desconhecida detetados na cidade chinesa de Wuhan, província de Hubei.
1 de janeiro de 2020 É encerrado o mercado de peixe e carne de Wuhan que se pensa estar na origem da contaminação, dado que os doentes tinham todos ligação ao local.
4 de janeiro São 44 os casos de doentes com uma pneumonia de origem desconhecida reportados pelas autoridades chinesas.
5 de janeiro A OMS relatou uma "pneumonia de causa desconhecida" em Wuhan, China. A OMS desaconselhou restrições de viagem ou comércio na época.
8 de janeiro O CDC (EUA) emitiu o primeiro alerta público sobre o coronavírus.
9 de janeiro A OMS emitiu uma declaração nomeando a doença como um novo coronavírus em Wuhan. A China publicou os dados genéticos do novo coronavírus.
10 de janeiro É registado o primeiro morto, um homem de 61 anos, frequentador do mercado de Wuhan. Oficialmente há 41 pessoas infetadas na China. As autoridades chinesas identificam o agente causador das pneumonias como um tipo novo de coronavírus, que foi isolado em sete doentes.
13 de janeiro Primeiro caso confirmado fora da China, na Tailândia.
14 de janeiro A OMS disse que não encontrou provas de transmissão de pessoa para pessoa. https://twitter.com/WHO/status/1217043229427761152 https://nypost.com/2020/03/20/who-haunted-by-old-tweet-saying-china-found-no-human-transmission-of-coronavirus/
O chefe da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, forneceu confidencialmente uma avaliação “sombria” da situação para as principais autoridades de saúde chinesas. O memorando relacionado afirmava que "a transmissão de humano para humano é possível". Uma investigação da AP News indicou que a denúncia de um caso na Tailândia levou à reunião, bem como o risco de se espalhar com o aumento das viagens durante o Ano Novo Chinês e várias considerações políticas. No entanto, o público chinês não é avisado até 20 de janeiro.
15 de janeiro Primeiro caso reportado no Japão do novo coronavírus, entretanto designado como 2019-nCoV. Primeira declaração das autoridades portuguesas sobre o novo coronavírus. A diretora-geral da Saúde estima, com base nas informações provenientes da China, que o surto estará contido e que uma eventual propagação em massa não é "uma hipótese no momento a ser equacionada".
20 de janeiro Autoridades confirmam que há transmissão entre seres humanos. (CM reporta isto mas não consigo confirmar em mais fonte nenhuma, a OMS só confirmou a 23 de Janeiro)
O secretário geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Li Keqiang, emitem o primeiro aviso público sobre o coronavírus aos cidadãos chineses. Uma investigação da AP News alegou que, de 14 a 20 de janeiro, as autoridades chinesas tomaram medidas confidenciais para mobilizar sua resposta à pandemia, mas não alertaram o público. Alertar o público seis dias antes podia ter evitado "o colapso do sistema médico de Wuhan", segundo um epidemiologista.
21 de janeiro Primeiro caso nos Estados Unidos, num doente em Washington regressado de Wuhan.
22 de janeiro Macau confirma o primeiro caso da doença, numa altura em que há mais de 440 infetados. Começa o isolamento da cidade de Wuhan ao mundo. Autoridades de saúde chinesas cancelam voos e saída de comboios. Portugal anuncia que acionou os dispositivos de saúde pública e tem três hospitais em alerta: São João (Porto), Curry Cabral e Estefânia (ambos Lisboa).
23 de janeiro OMS reúne comité de emergência na Suíça para avaliar se o surto constitui uma emergência de saúde pública internacional. Decide não a decretar. Autoridades chinesas proíbem entradas e saídas numa segunda cidade, Huanggan, a 70 km de Wuhan. As duas cidades têm em conjunto mais de 18 milhões de habitantes. Alguns aeroportos no mundo, como no Dubai, nos Estados Unidos e nalguns países africanos, começam a tomar precauções para lidar com o fluxo de turistas chineses que tiram férias no Ano Novo Lunar, que coincide com o surto.
24 de janeiro Confirmados em França os primeiros dois casos na Europa, ambos importados.
25 de janeiro Pequim suspende as viagens organizadas na China e ao estrangeiro. Austrália anuncia primeiro caso. Hong Kong declara estado de emergência. Primeiro caso suspeito em Portugal, mas as análises revelam que é negativo.
27 de janeiro O Centro Europeu de Controlo das Doenças pede aos estados-membros da União Europeia que adotem "medidas rigorosas e oportunas" para controlo do novo coronavírus.
28 de janeiro Mecanismo Europeu de Proteção Civil é ativado, a pedido de França, para repatriamento dos franceses em Wuhan. Confirmados dois casos, um na Alemanha e outro no Japão, de doentes que não estiveram na China, tendo sido infetados nos seus países por pessoas provenientes de Wuhan.
29 de janeiro Pelo menos 17 portugueses pedem para sair da China, quase todos na região de Wuhan. Finlândia confirma primeiro caso. Rússia encerra fronteira terrestre com a China. Estudo genético confirma que o novo coronavírus terá sido transmitido aos humanos através de um animal selvagem, ainda desconhecido, que foi infetado por morcegos.
30 de janeiro OMS declara surto como caso de emergência de saúde pública internacional, mas opõe-se a restrições de viagens e trocas comerciais.
31 de janeiro Estados Unidos decidem proibir a entrada de estrangeiros que tenham estado na China nos últimos 14 dias e impor quarentena a viajantes de qualquer nacionalidade provenientes da província de Hubei. Ministério da Saúde de Portugal anuncia que vai disponibilizar instalações onde os portugueses provenientes de Wuhan possam ficar em isolamento voluntário.
1 de fevereiro Austrália proíbe entrada no país a não residentes vindos da China.
2 de fevereiro Os 18 portugueses e as duas brasileiras retirados da cidade de Wuhan chegam a Lisboa e ficam em isolamento voluntário por 14 dias. Filipinas anunciam o primeiro caso mortal no país. É a primeira morte fora da China.
3 de fevereiro OMS anuncia que está a trabalhar com a Google para travar informações falsas sobre o novo coronavírus. O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que não havia necessidade de medidas que "interferissem desnecessariamente com viagens e comércio internacionais" para parar o coronavírus. Elogiou a resposta chinesa e referiu que a propagação do vírus é "mínima e lenta".
11 de fevereiro OMS decide dar oficialmente o nome de Covid-19 à infeção provocada pelo novo coronavírus.
13 de fevereiro Autoridades chinesas mudam a forma de contabilizar e assumir casos de infeção. Passam a contar não apenas os casos com confirmação laboratorial, mas também os que têm confirmação clínica apoiada por exames radiológicos.
14 de fevereiro Segunda morte confirmada fora da China, no Japão.
15 de fevereiro Um turista chinês de 80 anos morre em França. É a primeira morte registada na Europa - o primeiro europeu a morrer no seu continente acontece a 26 de fevereiro.
16 de fevereiro Terceira morte confirmada fora da China, num turista chinês que visitava França.
19 de fevereiro Dois primeiros casos revelados no Irão. No mesmo dia é anunciado que os dois morreram devido ao Covid-19.
20 de fevereiro Autoridades chinesas voltam a alterar a metodologia da contagem de infetados, uma decisão que se reflete numa descida acentuada no número de novos casos. Coreia do Sul regista a primeira morte. Suíça adia uma cimeira internacional sobre saúde devido à epidemia, na qual estaria presente o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ministros da Saúde.
21 de fevereiro Autoridades chinesas anunciam que surto está "sob controlo". Itália regista primeira vítima mortal, um italiano de 78 anos.
22 de fevereiro Irão fecha escolas, universidades e centros educativos em duas cidades. País confirma mais de 40 casos de infeção e oito mortes.
23 de fevereiro Autoridade japonesas confirmam que um português, Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, deu teste positivo ao vírus da infeção Covid-19. Presidente da China, Xi Jiping, admite que o surto é a mais grave emergência de saúde no país desde a fundação do regime comunista, em 1949. Autoridades italianas ordenam suspensão dos festejos do Carnaval de Veneza. Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que epidemia coloca em risco a recuperação económica mundial e manifesta disponibilidade para ajudar financeiramente os países mais pobres e vulneráveis.
24 de fevereiro Comissão Europeia anuncia mobilização de 230 milhões de euros para apoiar a luta global contra o Covid-19. Diretor-geral da OMS avisa que o mundo tem de se preparar para uma "eventual pandemia", considerando "muito preocupante" o "aumento repentino" de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.
25 de fevereiro O português infetado a bordo de um navio de cruzeiros atracado no Japão é enviado para um hospital de referência local. O especialista que liderou a equipa da OMS enviada à China afirma que o mundo "simplesmente não está pronto" para enfrentar a epidemia.
26 de fevereiro Primeiro caso de contágio na América do Sul. É no Brasil, um homem de 61 anos, de São Paulo, regressado do norte de Itália. Vários países confirmam igualmente os primeiros casos: Grécia, Finlândia, Macedónia do Norte, Geórgia e Paquistão. OMS revela que o número de novos casos diários confirmados no resto do mundo ultrapassou pela primeira vez os registados na China.
27 de fevereiro Arábia Saudita suspende temporariamente a entrada de peregrinos que visitam a mesquita do profeta Maomé e os lugares sagrados do Islão em Meca e Medina, bem como turistas de países afetados pelo coronavírus. Segundo português hospitalizado no Japão "por indícios relacionados" com o Covid-19, também tripulante do navio de cruzeiros Diamond Princess. A DGS divulga orientações às empresas, aconselhando-as a definir planos de contingência para casos suspeitos entre os trabalhadores que contemplem zonas de isolamento e regras específicas de higiene, e para portos e viajantes via marítima, que define que qualquer caso suspeito validado deve ser isolado e que apenas um elemento da tripulação deve contactar com o passageiro.
28 de fevereiro Primeiro caso confirmado na África subsariana, na Nigéria, depois de terem sido identificadas infeções no norte do continente, no Egito e na Argélia. Suíça proíbe pelo menos até 15 de março qualquer evento público ou privado que reúna mais de mil pessoas. Comissão Europeia solicita aos Estados-membros da UE que avaliem os impactos económicos do novo coronavírus. OMS aumenta para "muito elevado" o nível de ameaça do novo coronavírus. Responsáveis da Feira Internacional de Turismo de Berlim anunciam a suspensão do evento, considerado o maior do mundo, que se deveria realizar entre 4 e 8 de março. Governo português reforça em 20% o stock de medicamentos em todos os hospitais do país, além de estar a preparar um eventual reforço de recursos humanos.
29 de fevereiro Governo francês anuncia cancelamento de "todas as concentrações com mais de 5.000 pessoas" em espaços fechados e alguns eventos no exterior, como a meia-maratona de Paris. Primeira vítima mortal nos Estados Unidos da América.
1 de março Governo das Astúrias confirma primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus na região espanhola, o escritor chileno Luis Sepúlveda, que esteve recentemente na Póvoa de Varzim, em Portugal. Macau com perdas históricas nas receitas do jogo em fevereiro, menos 87,8% em relação a igual período de 2019, num mês em que os casinos fecharam por 15 dias devido ao surto de Covid-19. Adriano Maranhão, primeiro português infetado no Japão, tem alta hospitalar.
2 de março Confirmados dois primeiros casos em Portugal Funcionários públicos em teletrabalho ou isolamento profilático sem perda de salário em Portugal, segundo um despacho do Governo. Governo português divulga um despacho a ordenar aos serviços públicos que elaborarem planos de contingência para o surto de Covid-19.
3 de março Primeira morte em Espanha. Itália confirma 79 mortes. Número de infetados em Portugal sobe para quatro. Mais de três mil mortos e de 91 mil infetados em todos os continentes, segundo dados da OMS. Os países mais afetados são China, Coreia do Sul, Irão e Itália. Hospitais São João e Santo António, no Porto, esgotaram capacidade de resposta a casos suspeitos, novas unidades são ativadas Comissão Nacional de Proteção Civil passa a funcionar em permanência, para fazer face ao novo coronavírus. Governo português dá cinco dias às empresas públicas para elaborarem planos de contingência. Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), que gere a política monetária do país, corta em 50 pontos base as taxas de juro, devido ao novo coronavírus. O presidente da Fed, Jerome Powell, considera inevitável que os efeitos do surto alastrem às economias mundiais e alterem o seu normal funcionamento "durante algum tempo". FMI e Banco Mundial anunciam que reuniões de abril, que se realizam anualmente em Washington, vão ser feitas à distância, em "formato virtual".
4 de março Itália, o país europeu mais afetado, fecha todas as escolas e universidades. Tinha então 3,089 infetados e 107 mortos. Número de infetados em Portugal sobre para seis. Em todo o mundo, há registo de mais de 3.100 mortos e de 93.100 infetados em 77 países de cinco continentes. Mais de 290 milhões de jovens sem aulas em todo o mundo, segundo a UNESCO. Os trabalhadores em quarentena em Portugal por determinação de autoridade de saúde vão receber integralmente o rendimento nos primeiros 14 dias, diz despacho do Diário da República. O primeiro-ministro português anuncia linha de crédito para apoio de tesouraria a empresas afetadas pelo impacto económico do surto do novo coronavírus, caso seja necessário, no valor inicial de 100 milhões de euros. Banco Mundial anuncia 12.000 milhões de dólares (cerca de 10.786 milhões de euros) para ajudar os países que enfrentam impactos económicos e de saúde. O setor dos serviços contraiu pela primeira vez na China desde que há registos. FMI diz que crescimento mundial será inferior em 2020 ao de 2019 devido ao impacto da epidemia do novo coronavírus, mas que é "difícil prever quanto". Surto diminuiu exportações mundiais em 50 mil milhões de dólares em fevereiro, segundo uma análise publicada pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. A Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, suspende aulas por ter havido contactos com o quinto infetado.
5 de março Portugal com nove casos de infeção. O número de pessoas infetadas em todo o mundo aumenta para 97.510, das quais 3.346 morreram, em 85 países e territórios. A China é o país mais afetado (80.409 casos e 3.012 mortes); seguido pela Coreia do Sul (6.088 casos, 35 mortes), Itália (3.858 casos, 148 mortes) e Irão (3.513 casos, 107 mortes). Bolsa de Turismo de Lisboa adiada para 27 a 31 de maio Perdas das companhias aéreas mundiais podem chegar aos 113 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros), estima a associação internacional de transporte aéreo (IATA). TAP reduz 1.000 voos em março e abril devido a quebra nas reservas, suspende investimentos e avança com licenças sem vencimento. O Fundo Monetário Internacional disponibiliza 50 mil milhões de dólares (cerca de 46,7 mil milhões de euros) para combater o surto.
6 de março 13 casos infetados em Portugal. Número de casos no mundo ultrapassa os 100 mil, das quais 3.456 morreram, em 92 países e territórios. A China (sem as regiões administrativas de Macau e Hong Kong), o país onde a epidemia foi declarada no final de dezembro, soma 80.552 casos e 3.042 mortes. Preço do barril de Brent cai mais de 6%, para 47 dólares, devido à quebra da procura
7 de março Número de infeções em Portugal sobe para 21 Visitas a hospitais, lares e estabelecimentos prisionais da região Norte suspensas temporariamente. A ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, recomenda também o adiamento de eventos sociais. Uma escola de Idães, em Felgueiras, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e o edifício do curso de História da Universidade do Minho foram encerrados por serem instituições relacionadas com casos de pessoas infetadas em Portugal. Governo italiano proíbe as entradas e saídas da Lombardia e de outras 11 províncias próximas para limitar a disseminação do coronavírus, que já causou 233 mortes e 5.061 infetados em todo o país.
8 março Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa decide entrar em quarentena de 14 dias após receber em Belém uma turma de Felgueiras. Mais quatro casos em Portugal, número de infetados sobe para 25. Reino Unido anuncia um aumento de 64 novos casos, elevando-o a um total de 273 casos. Este país regista três mortos. EUA tem 564 infetados, os mortos são 21. Itália confirma 1.492 casos adicionais e 133 mortes. Números totais: 7.375 infetados e 366 mortos. O primeiro-ministro Giuseppe Conte estendeu o bloqueio de quarentena para cobrir toda a região da Lombardia e outras 14 províncias do norte do país. Registado o primeiro morto em África, que ocorre no Egito - um cidadão alemão hospitalizado a 1 de março e depois sofreu insuficiência respiratória causada por pneumonia aguda. DGS encerra escolas e suspende atividades de lazer e culturais nos concelhos de Lousada e Felgueiras por causa do acumular de casos.
9 março Alemanha regista as duas primeiras mortes no país. Infetados aumentam para 1.176. Universidades de Lisboa e Coimbra suspendem todas as aulas presenciais por duas semanas. Itália estende quarentena a todo o país, onde número de mortos atinge 463. Primeiros casos em Chipre significam que todos os países da União Europeia estão atingidos pelo novo coronavírus. Números da Espanha aumentam para 1.231 casos, com 30 mortes. Itália: 9.172 infetados e 463 mortos. França revela que os deputados Guillaume Vuilletet e Sylvie Tolmont estão infetados, havendo cinco deputados da Assembleia com Covid-19. Também foi confirmado que o ministro da Cultura, Franck Riester, havia testado positivo. O número de casos aumentou para 1.412.
10 março Câmara de Lisboa encerra museus, teatros municipais e suspende atividades desportivas em recintos fechados. Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) decreta fecho de museus, monumentos e palácios na sua dependência. Governo português suspende voos para todas as regiões de Itália por 14 dias. O primeiro-ministro italiano Conte estende o bloqueio de quarentena a toda a Itália, incluindo restrições de viagens e a proibição de reuniões públicas. Número de infetados sobe para 10.149, número de mortos é já 631. Portugal: 41 infetados
11 março Organização Mundial de Saúde passa a considerar o Covid-19 como uma pandemia, isto é um surto de doença com distribuição geográfica internacional muito alargada e simultânea. Itália anuncia que o jogador da Juventus Daniele Rugani, colega de Ronaldo, testa positivo para Covid-19. Total de infetados em Itália: 12.462. Total de mortos: 827. Portugal: 59 infetados. Turquia anuncia primeiro caso num homem regressado da Europa. Mais de mil médicos disponibilizam-se para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde.
12 março Portugal decide encerrar todos os estabelecimentos de ensino até ao final das férias da Páscoa a partir de 16 de março, encerramento de discotecas, restrições em restaurantes, centros comerciais, serviços públicos e proibição de desembarque de passageiros de cruzeiros. Portugal tem agora 78 pessoas infetadas e ainda zero mortes relacionadas com Covid-19. Estado de alerta declarado em todo o país, com proteção civil e forças e serviços de segurança em prontidão. Região Autónoma da Madeira suspende atracagem de navios de cruzeiro e impõe medição de temperatura a passageiros nos aeroportos. Governo dos Açores fecha escolas e museus, interdita cinemas e ginásios. Hospital de São João anuncia que uma das primeiras pessoas internadas em Portugal com Covid-19 se curou. Em apenas um dia, Itália regista 2651 novos infetados, elevando o número de doentes com Covid-19 para 15.113. Nas mesmas 24 horas, morreram 189 italianos. O total de mortos em Itália é agora 1.016.
13 março Europa toma o lugar da China como maior epicentro do coronavírus, diz a OMS, numa altura em que o crescimento de casos abranda no país oriental (China tem agora 80.815 infetados e 3.117 mortos) e acelera em Itália e no resto do continente europeu. Portugal: 112 infetados com o Covid-19. 61 países da África, Ásia, Europa, Oriente Médio, América do Norte e América do Sul anunciaram ou implementaram fecho total ou parcial de escolas e universidades. Trinta e nove países fecharam todas as escolas, afetando 421,4 milhões de crianças e jovens. Nesta altura são 11 os países que proíbem a entrada de voos de Portugal (e da Europa): Arábia Saudita, Argentina, El Salvador, EUA, Guatemala, Itália, Jordânia, Kuwait, Nepal, República Checa e Venezuela. Estados Unidos proíbem entrada de voos de passageiros vindos do espaço Schengen na Europa (26 países, incluindo obviamente Portugal) durante 30 dias. Venezuela, país de 32 milhões de habitantes, confirma os dois primeiros casos de infetados: uma pessoa vinda dos EUA e outra de Espanha. O país de Nicolas Maduro também proibiu voos vindos da Europa durante um mês. Eslováquia, Malta e República Checa fecham fronteiras com os países membros da EU. Governo permite a funcionários públicos ficar em casa em regime de teletrabalho sempre que funções o permitam. Madeira suspende voos provenientes da Dinamarca, França, Alemanha, Suíça e Espanha, países de transmissão ativa.
Presidente dos EUA, Donald Trump, declara estado de emergência nacional.
UEFA suspende todos os jogos sob a sua égide, incluindo Liga dos Campeões e Liga Europa. República Checa anuncia fecho total de fronteiras a partir de 16 de março.
14 março Número mundial de infetados: 150.054. Total de mortos: 5.617 Portugal: 169 infetados. Nas últimas 24 horas houve 57 novos casos. Não há ainda mortes em Portugal. Ministra da Saúde, Marta Temido, anuncia que Portugal entrou "numa fase de crescimento exponencial da epidemia", com 169 casos confirmados.
Açores e Madeira decidem quarentena obrigatória para todas as pessoas que cheguem às regiões autónomas. Governo de Espanha, onde há mais de 5.700 casos, impõe "medidas drásticas" no âmbito do estado de alerta, proíbe cidadãos de andar na rua, exceto para irem trabalhar, comprar comida ou à farmácia.
15 de março Número de casos em Portugal atinge 245, em todo mundo há quase 160.000 pessoas infetadas e já morreram mais de 6.000.
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convoca Conselho de Estado por videoconferência para 18 de março, para discutir a "eventual decisão de decretar o estado de emergência" em Portugal.
Sindicato Independente dos Médicos conta mais de 50 clínicos infetados e mais de 150 em quarentena.
Governo proíbe consumo de bebidas alcoólicas na via pública e eventos com mais de cem pessoas, apelando para que deslocações se limitem ao estritamente necessário.
Autoridade Marítima Nacional interdita atividades desportivas ou de lazer que juntem pessoas nas praias do continente, Madeira e Açores.
16 de março Portugal regista a primeira morte devido ao coronavírus. O número de infetados pelo novo coronavírus sobe para 331. Segundo a Direção-Geral da Saúde, há 2.908 casos suspeitos, dos quais 374 aguardam resultado laboratorial.
Governo português anuncia o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham de se deslocar por razões profissionais.
Portugal vai também intensificar o controlo sanitário nos aeroportos.
Macau decreta quarentena obrigatória de 14 dias para quem chegar ao território, com exceção da China continental, Taiwan e Hong Kong.
Assembleia da República dispensa funcionários inseridos em grupos de risco e promove o trabalho à distância e rotatividade.
17 de março O número de infetados sobe para 448.
É anunciado que o SNS foi reforçado com mais 1.800 médicos e 900 enfermeiros e que há 30 profissionais de saúde infetados, 18 dos quais médicos. E é também anunciado o nascimento do primeiro bebé filho de uma mulher infetada. O bebé não foi infetado.
O governo regional da Madeira anuncia o primeiro caso na região.
O município de Ovar fica sujeito a "quarentena geográfica" e o Governo declara o estado de calamidade pública para o concelho, que passa a ter entradas e saídas controladas. A circulação de pessoas nas ruas também é controlada.
António Costa anuncia a suspensão das ligações aéreas de fora e para fora da União Europeia.
A CP reduz em 350 as ligações diárias.
18 de março O Presidente da República decreta o estado de emergência por 15 dias, depois de ouvido o Conselho de Estado e de ter obtido o parecer positivo do Governo e da aprovação do decreto pela Assembleia da República.
O estado de emergência vigora até 02 de abril.
António Costa diz que "o país não para" e que o Governo tudo fará para manter a produção e distribuição de bens essenciais.
O estado de emergência contempla o confinamento obrigatório e restrições à circulação na via pública. A desobediência é crime e pode levar à prisão.
No dia em que o Governo revela um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas de 3.000 milhões de euros, é também anunciado que as contribuições das empresas para a Segurança Social são reduzidas a um terço em março, abril e maio, e que as empresas vão ter uma moratória concedida pela banca no pagamento de capital e juros.
O número de infetados sobe para 642 e regista-se uma segunda morte. O Alentejo regista os primeiros dois casos.
19 de março O número de vítimas mortais sobe para três em Portugal, com os casos confirmados a ascenderem a 785. Graça Freitas anuncia que quem apresentar sintomas ligeiros ou moderados da doença é seguido a partir de casa.
O primeiro-ministro anuncia, após a reunião do Conselho de Ministros, as medidas e regras para cumprir o estado de emergência, incluindo o "isolamento obrigatório" para doentes com covid-19 ou que estejam sob vigilância. Os restantes cidadãos devem cumprir "o dever geral de recolhimento domiciliário". A regra é que os estabelecimentos com atendimento público devem encerrar e o teletrabalho é generalizado.
A proposta de lei do Governo com as medidas excecionais é de imediato promulgada pelo Presidente da República.
É também anunciado que o Governo criou um "gabinete de crise" para lidar com a pandemia e que suspendeu o pagamento da Taxa Social Única.
O governo dos Açores determina a suspensão das ligações aéreas da transportadora SATA entre todas as ilhas e a TAP anuncia que vai reduzir a operação até 19 de abril, prevendo cumprir 15 dos cerca de 90 destinos.
20 de março Com o país recolhido começam a destacar-se respostas da sociedade civil e das autarquias para fazer face à pandemia, anunciam-se ações de solidariedade para com os mais necessitados.
O Governo reúne-se em Conselho de Ministros para aprovar um conjunto de medidas de apoio social e económico para a população mais afetada. António Costa anuncia que é adiado para o segundo semestre o pagamento do IVA e do IRC, a prorrogação automática do subsídio de desemprego e do complemento solidário para idosos e do rendimento social de inserção.
É também anunciado que as celebrações religiosas, como funerais, e outros eventos que impliquem concentração de pessoas são proibidos, e que as autoridades de saúde ou de proteção civil podem decretar a requisição civil de bens ou serviços públicos se necessários para o combate à doença.
Portugal tem seis vítimas mortais e 1.020 casos confirmados.
21 de março O número de mortes sobe para 12, o dobro do dia anterior, e os infetados são 1.280.
Marta Temido estima que o pico de casos aconteça em meados de abril, e diz que Portugal vai adotar um novo modelo de tratamento de infetados, que passa pelo aumento do acompanhamento em casa. Graça Freitas estima que a taxa de letalidade é de cerca de 1%, mas avisa que pode mudar.
O Governo anuncia que vai prorrogar os prazos das inspeções automóveis e reduz os leilões nas lotas, criando uma linha de crédito até 20 milhões de euros para o setor da pesca.
Com o país em casa surgem as primeiras notícias de infeções em lares. Na Casa de Saúde da Idanha, em Belas, arredores de Lisboa, é anunciado que 10 utentes estão infetados. Um lar em Vila Nova de Famalicão fica sem funcionários depois de oito terem dado positivo ao covid-19.
O ministro dos Negócios Estrangeiros anuncia que a TAP prevê realizar voos para a Praia e Sal (Cabo Verde), Bissau (Guiné-Bissau) e São Tomé para transportar portugueses para casa.
22 de março O número de mortes associadas à covid-19 sobe para 14 e o de infetados para 1.600 (mais 320).
Num domingo de sol muitas pessoas saem à rua e na Póvoa de Varzim a polícia é chamada devido ao "desrespeito ao estado de emergência" (multidão a passear). Em Coimbra a PSP também é chamada por causa de um aglomerado na Mata Nacional do Choupal.
São detidas sete pessoas no país por crime de desobediência.
Os utentes do lar de Famalicão são transferidos para o Hospital Militar do Porto.
As autoridades iniciam o repatriamento de mais de 1.300 passageiros que chegam a Lisboa num navio de cruzeiro (entre eles estão 27 portugueses).
O Governo assina três despachos, que entram em vigor no dia seguinte, para garantir serviços essenciais de abastecimento de água e energia, recolha de lixo e funcionamento de transportes públicos.
O presidente da Associação Nacional de Freguesias, Jorge Veloso, pede que as pessoas das cidades e os emigrantes evitem ir para o interior.
23 de março Portugal tem 23 mortes e 2.600 infeções.
As queixas sobre a falta de equipamentos para quem mais necessita, como profissionais de saúde ou de segurança, começam a surgir. O Governo anuncia que o Estado vai comprar à China equipamentos de proteção e que espera quatro milhões de máscaras. Cinco polícias e dois técnicos sem funções policiais estão infetados numa esquadra de Vila Nova de Gaia.
O Governo cria uma linha de apoio de emergência de um milhão de euros para artistas e entidades culturais e reforça com 50 milhões de euros os acordos de cooperação com o setor social (responsável pelos lares de idosos ou centros de dia).
Uma residência para idosos na Maia, Porto, coloca em isolamento 46 idosos devido a casos de infeção.
24 de março O número de mortes sobe para 33 e o número de infeções passa a 2.362.
A secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, anuncia a ativação do Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, no mesmo dia em que são já 27 as detenções por violação das regras do estado de emergência.
O Presidente da República admite que o pico da pandemia possa ocorrer depois de 14 de abril. No parlamento, o presidente e líder parlamentar do PSD abandona o plenário depois de uma discussão sobre o número excessivo de deputados na bancada social-democrata.
A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) lança uma linha de financiamento de 1,5 milhões de euros para investigação e "implementação rápida" de respostas às necessidades do SNS.
Em Vila Real, o presidente da Câmara alerta para a existência de 20 utentes e funcionários de um lar infetados com covid-19.
O Rali de Portugal é adiado.
25 de março Portugal regista mais 10 mortes chegando às 43, quando são contabilizadas 2.995 infeções.
O secretário de Estado da Saúde diz que o sistema tem capacidade de fazer 8.600 testes diários. A questão de se fazer mais testes ou não divide opiniões.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil coloca em alerta laranja, o segundo mais grave, os distritos de Lisboa, Porto e Aveiro.
O ministro de Estado e das Finanças diz que o país "nunca esteve tão bem preparado" para enfrentar uma crise como a causada pelo vírus.(lol) O Banco de Portugal anuncia que é facilitada a concessão de crédito pessoal por parte dos bancos.
A Câmara de Melgaço implementa um cerco sanitário na aldeia de Parada do Monte, com 370 habitantes, após confirmação de três casos de infeção.
A ASAE diz que já fiscalizou 41 operadores económicos por causa de especulação de preços.
26 de março Há 3.544 infeções e morreram 60 pessoas.
Há doentes a ser tratados com medicamentos da malária e do ébola, ainda que sem certezas, diz Graça Freitas.
O Banco de Portugal estima que o Produto Interno Bruto caia este ano 3,7% num cenário base e 5,7% num cenário adverso, devido à pandemia. A taxa de desemprego deve subir acima dos 10%. No dia em que Marcelo Rebelo de Sousa admite prolongar o estado de emergência reúne-se o Governo em Conselho de Ministros e aprova a suspensão até setembro do pagamento dos créditos à habitação e de créditos de empresas. Aprova também medidas excecionais de proteção dos postos de trabalho (como redução temporária de horário ou suspensão do contrato) e uma proposta de lei que prevê um regime de mora no pagamento das rendas, habilitando ainda o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana a conceder empréstimos a inquilinos.
Na Maia um lar de idosos infetado é evacuado, em Vila Real aumentam as infeções num lar de idosos, de 20 para 45.
É anunciado que quem aterrar nos Açores tem confinamento obrigatório de 14 dias.
27 de março No lar da Nossa Senhora das Dores, em Vila Real, são agora 88 os infetados, entre os quais 68 utentes.
Em Portugal o número de mortes chega a 76 e o número de infetados sobe para 4.268.
Graça Freitas diz agora que o pico da pandemia pode afinal ser só em maio.
António Costa anuncia a chegada a Portugal de milhares de equipamentos de proteção individual e o Laboratório Militar também anuncia que começou a fazer testes de diagnóstico. Outras entidades como o Instituto de Medicina Molecular também começam a fazer testes.
Mil e quinhentos enfermeiros voluntariam-se para reforçar o apoio à linha telefónica SNS24, segundo a bastonária da Ordem.
As forças de segurança detiveram, desde o início do estado de emergência, 64 pessoas por crime de desobediência, e mandaram encerrar 1.449 estabelecimentos. O balanço é do MAI, segundo o qual também foram impedidas de entrar em Portugal 850 pessoas e uma delas foi detida. A detida, viria a confirmar-se depois, estava infetada com covid-19.
No Algarve, quando se aproxima o período da Páscoa, que costuma encher os hotéis, a associação empresarial do setor diz que a hotelaria está praticamente encerrada.
28 de março O número de mortes ascende à centena e os infetados são 5.170. Marta Temido também diz que o pico da epidemia só deve acontecer no final de maio e que as medidas de contenção social estão a abrandar a curva de infeções.
O Presidente da República pede aos portugueses para que, no período da Páscoa, continuem a respeitar as regras de contenção. A PSP interpela todas as pessoas que atravessam a Ponte 25 de Abril, no sentido norte-sul, e são divulgadas imagens de grandes filas de carros, alguns deles, diz a PSP, em incumprimento do estado de emergência.
É publicada uma retificação do diploma inicial do "lay-off" simplificado, acautelando que nenhum trabalhador de empresas que recorram e esse apoio pode ser despedido.
O Governo anuncia que vai organizar uma operação de transporte aéreo para o regresso temporário a Portugal de professores portugueses que estão em Timor-Leste.
29 de março Portugal contabiliza 119 mortes e 5.962 casos de infeções p. O número de pessoas internadas nos cuidados intensivos é de 138 doentes, um aumento para o dobro em relação ao dia anterior.
As notícias sobre infeções em lares continuam, como em Foz Côa, Guarda, onde o lar tem 47 infetados num universo de 62 idosos, segundo o provedor.
Em Ovar, onde foi declarado o estado de calamidade pública, são cinco as mortes, uma delas uma jovem de 14 anos, diz o vice-presidente da Câmara.
Nos Açores, o concelho de Povoação, na ilha de S. Miguel, é também submetido a um cordão sanitário.
Surgem notícias, através de sindicatos, de que há pelo menos um guarda prisional infetado do estabelecimento de Custoias e de uma auxiliar de ação médica no hospital prisional de Caxias. O Governo diz que vai ponderar criteriosamente a recomendação das Nações Unidas para libertação imediata de alguns presos mais vulneráveis.
30 de março António Costa avisa que Portugal "vai entrar no mês mais crítico desta pandemia", no dia em que os números da DGS indicam que há 140 mortes e 6.408 infetados.
Segundo o primeiro-ministro, com ou sem estado de emergência vai ser preciso prolongar as medidas que têm sido adotadas. E, diz também, que na próxima semana pretende cobrir o país com despistes de covid-19 em lares.
O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirma que o número de profissionais de saúde infetados chegou aos 853, e Graça Freitas admite impor-se uma cerca sanitária na região do Porto, motivando fortes críticas.
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, diz que a segurança social recebeu 1.400 pedidos de empresas que pretendem aderir ao "lay-off" simplificado.
(Continua nos comentários)
O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, admite nacionalizações e diz que seria "um erro trágico" reagir com medidas de austeridade à crise provocada pela pandemia, defendendo antes o apoio ao crescimento da economia.
O Governo pede a abertura de "forma condicionada" das juntas de freguesia onde estão instalados postos dos CTT, lembrando que esses serviços garantem a entrega de pensões. A empresa anunciou que ia antecipar a emissão e pagamento de vales em dois dias úteis.
Marcelo Rebelo de Sousa diz que se impõe manter as medidas de contenção que vigoram em Portugal.
A TAP avança para um processo de "lay-off" para 90% dos trabalhadores.
O governo dos Açores prolonga a situação de contingência no arquipélago até 30 de abril.
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2020.04.23 04:53 altovaliriano A Mão da Rainha Dragão

Retorno a análise da série de vídeos divulgados pelos canais Quinn's Ideas e Lucifer Means Lightbringer com previsões sobre Os Ventos do Inverno.
Este vídeo é chamado Winds of Winter Predictions: Hand of the Dragon.
A idéia do vídeo é que Tyrion é o candidato mais natural para ser mão de Daenerys e que o trabalho deles começará em Meereen.
Tyrion reúne muitos predicados que o tornam extremamente relevante para Daenerys.
Primeiro, há o conhecimento impar que o anão tem sobre dragões (fruto de sua obsessão por eles) e um dos principais problemas da Rainha pe não saber como controlar seus próprios filhos.
Na verdade, os youtubers identificam em uma passagem de os Ventos do Inverno até mesmo um prenúncio de que Viserion e Tyrion poderão desenvolver uma ligação no futuro:
O dragão branco de cyvasse parou nos pés de Tyrion. Ele o recolheu do carpete e o limpou em sua manga, mas um pouco do sangue yunkaíta havia se entranhado nos finos sulcos da escultura, de forma que a madeira pálida parecia raiada de vermelho.
– Todos saúdem nossa amada rainha, Daenerys. – Quer ela esteja viva ou morta. Ele jogou o dragão ensanguentado ao ar, agarrou-o, sorriu.
– Sempre fomos homens da rainha, – anunciou Ben Mulato. – Juntarmo-nos aos yunkaítas foi apenas um conspiração.
(TWOW, Tyrion I)
Em segundo lugar, há toda a experiência, conhecimento e talento para lidar com intrigas palacianas, cercos militares e finanças. Segundo os youtubers, nenhum dos conselheiros de Daenerys teria a mesma capacidade de Tyrion, nem mesmo Missandei (que, por mais talentosa que seja, apenas tem 10 anos).
O problema é justamente que Tyrion está enfrentando seus próprios problemas e seu enredo o leva a desenvolver seu lado frio e cruel mais do que seu lado empático.
Com efeito, uma passagem de Os Ventos do Inverno parece indicar que Tyrion está vendo toda a situação a sua volta como um tabuleiro de Cyvasse e a si mesmo como um jogador que deve manipular o jogo para ganhar. Junte-se à isso a tendência de Tyrion admirar cada vez mais a frieza de seu próprio pai, e há terreno para que o anão trabalhe para conseguir a paz em Meereen através da crueldade e violência.
Eis a passagem:
– Levante os braços, – disse Merreca. – Assim, está melhor. Talvez você devesse comandar os yunkaítas.
– Eles usam soldados escravos, por que não comandantes escravos? Arruinaria a disputa, porém. Isso é só um jogo de cyvasse para os Sábios Mestres. Nós somos as peças. – Tyrion inclinou a cabeça para um lado, refletindo. – Eles têm isso em comum com o senhor meu pai, esses escravagistas.
– Seu pai? O que quer dizer?
– Estava me lembrando da minha primeira batalha, há pouco. O Ramo Verde. Lutamos entre um rio e uma estrada. Quando vi a hoste de meu pai se posicionar, me lembro de pensar no quanto era linda. Como uma flor desabrochando as pétalas para o sol. Uma rosa carmesim com espinhos de ferro. E meu pai, ah, ele nunca estivera tão resplandecente. Vestia uma armadura carmesim, com uma enorme capa de pano-de-ouro. Um par de leões dourados nos ombros, outro no elmo. O garanhão dele era magnífico. Sua senhoria assistiu à batalha inteira de cima desse cavalo, e nunca chegou a cem jardas de qualquer adversário. Nenhuma vez se moveu, sorriu, nenhuma vez derramou uma gota de suor, enquanto milhares morriam abaixo dele. Pense em mim encarrapitado em um tamborete de acampamento, olhando fixamente para um tabuleiro de cyvasse. Quase poderíamos ser gêmeos... se eu tivesse um cavalo, uma armadura carmesim, e uma grande capa costurada com pano-de-ouro. Ele era mais alto também. Eu tenho mais cabelo.
(TWOW, Tyrion I)
O que prova que Tyrion está perdendo seu lado empático é justamente a forma como ele deixa de lembrar que o pai jogou o próprio Tyrion, seu filho, na frente de combate, como um soldado bucha-de-canhão qualquer.
Os youtubers acreditam que Daenerys pode vir a inspirar Tyrion, como um símbolo da luta contra algo ruim em Essos, porém isso não o fará lhe dar conselhos bondosos. A tendência, segundo eles, é que Tyrion não seja o anjo bom nos ombros dela e que lhe dará conselhos agressivos.
Na verdade, os youtubers não estão certos se Tyrion ajustará tudo em Meereen e Daenerys só voltará para casa e ficar surpresa de que todo o trabalho foi feito com excelência sem ela, ou que a Rainha e Tyrion resolverão tudo em conjunto. Contudo, ambos concordam que o trabalho em Meereen deverá levar a maior parte do livro até ser resolvido.
O terceiro predicado de Tyrion é ele conhece os Lannisters e Aegon melhor do que as pessoas que cercam Daenerys. E como estes serão os potenciais inimigos políticos de Daenerys em Westeros, o anão se torna uma peça essencial na tomada do Trono de Ferro.
Diferentemente do melodrama que era a relação de Tyrion com Jaime e Cersei nas temporadas finais da série da HBO, os livros deixam a idéia de que Tyrion hoje odeia sua família como um todo.
A série de TV havia abandonado esta virada sombria de Tyrion desde que cortaram a revelação de que Jaime havia mentido sobre Tysha. Desse modo, é natural que a história nos livros ocorra de forma completamente distinta, a ponto de que Tyrion não hesite em manipular Daenerys para conseguir sua vingança contra os irmãos.
Contudo, os youtubers parecem inclinados a acreditar que isto não acontecerá quando se tratar de Aegon. Eles acreditam que Tyrion servirá como um conselheiro racional e que trabalhará para freiar os impulsos violentos dela contra seu concorrente “Targaryen”.
O que vcs acham destas especulações?
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2020.04.08 19:19 davidbenehail Cientistas publicam carta aberta ao Ministro da Saúde

O coronavírus e a cloroquina: quando exigir consenso é um tremendo contrassenso

Fonte: https://brasilsemmedo.com/cientistas-publicam-carta-aberta-ao-ministro-da-saude/
Especial para o BSM
O BSM publica em primeira mão um documento redigido pelo professor Marcos Eberlin e coassinado por 30 cientistas de diversas áreas em defesa do uso da hidroxicloroquina em pacientes não-graves de Covid-19. Os signatários da carta, todos ligados ao movimento Docentes Pela Liberdade (DPL), somam mais de 60 mil citações em publicações científicas internacionais. Segue a íntegra do texto:
Por Marcos Eberlin, PhD
O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, desaconselha o uso da (hidroxi)cloroquina ou sua associação com azitromicina (HCQ + AZT) para doentes não-graves, e justifica sua decisão pela “falta de consenso científico”. “Ciência, ciência, ciência, seguimos a ciência!”, proclama o Senhor Ministro, soando, para muitos, como culto e prudente. Porém, ele está equivocado!
Pois o que seria essa ciência que o Ministro afirma seguir? E haveria tempo suficiente para esperar por uma resposta, definitiva e consensual, de uma comunidade científica? E quem falaria, de fato, em nome dessa ciência consensual, para anunciar o seu veredito?
Sou um cientista, químico e bioquímico, e já atuei em várias áreas da medicina e de análises clínicas. Meu grupo desenvolveu um método inovador e rápido de diagnóstico de zika. Minha filha — Lívia Eberlin — desenvolveu uma caneta para diagnóstico seguro de câncer e, juntos, trabalhamos em um método rápido de diagnóstico para o coronavírus. São dados obtidos nesta semana, e, se tais dados forem confirmados, teremos algo muito inovador a oferecer pela ciência. Atuo em ciência há mais de 40 anos, coordenei um grupo de pesquisas com mais de 55 doutores e pós-doutores, já orientei mais de 200 deles, e publiquei mais de 1.000 artigos científicos com quase 25 mil citações. Desculpe a falta de modéstia, mas se ciência é a questão aqui, tenho que dizer que sou um dos cientistas brasileiros mais produtivos da ciência brasileira contemporânea. Atuo, também, em uma área da ciência que estuda nossas origens, na qual uma teoria é apresentada como pleno consenso científico; entretanto, mesmo em meio a este “consenso”, ainda reinam mais dúvidas do que certezas. No fundo, nós cientistas só sabemos que quase nada sabemos! Mas se um pouco sabemos, que usemos este conhecimento já, aqui e agora!
Com a autoridade científica que meus feitos me outorgam, não tenho dúvidas em declarar que o Senhor Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, equivoca-se tremendamente ao clamar por consenso científico nas atuais circunstâncias.
Consenso, não raro, diz respeito a políticos. Mas como afirma Richard Feynman, um dos maiores físicos e filósofos da atualidade: “A ciência é a cultura da dúvida”. Jamais teremos certeza consensual em ciência! É evidente que o acúmulo de muitos dados ao longo de vários anos de pesquisas pode certificar algumas hipóteses e derrubar outras, provisoriamente. Mas a dúvida sempre persistirá. E é preciso que persista a fim de que a própria ciência avance e se aperfeiçoe.
Portanto, exigir consenso científico e que cientistas em suas sociedades científicas se reúnam e cheguem em uma posição consensual, em meio a uma pandemia, é revelar temor em agir num momento premente como o que vivemos. Para a cloroquina no tratamento do Covid-19, pedir consenso de seres por natureza céticos e questionadores é solicitar o impossível, para justificar uma omissão. É ignorar as evidências que já temos em nome de muitas evidências que até poderão surgir, porém, tarde demais; quem sabe depois da morte de muitos. É se negar a desviar o Titanic, enquanto se espera um consenso sobre se a mancha no radar é mesmo um iceberg à frente.
Em Portugal, por exemplo, médicos do Ministério da Saúde adotaram o HCQ + AZT para tratar o Covid-19, tomando essa decisão com pouco mas expressivo embasamento científico, frente aos resultados do primeiro estudo do professor Didier Raoult e seu numeroso grupo de pesquisadores e de especialistas do Instituto Ricardo Jorge (onde há pesquisadores com elevada produção científica que estudam a malária e outras doenças tropicais), e do Instituto de Medicina e Higiene Tropical da Universidade Nova de Lisboa.
Os portugueses esperaram por consenso científico? De duas sociedades científicas? Pediram estudos clínicos multicêntricos com duplo cego envolvendo um número de casos cientificamente válido? Evidentemente que não! Seria um contrassenso imenso insistir em exigir coisas assim numa hora como esta! Pois estudos desta natureza seriam demorados demais (pelo menos 12 meses), e o vírus que enfrentamos não tem clemência por temerosos e retardatários. Pior, estudos com esta metodologia são difíceis de serem aplicados em doenças infecciosas, pois colocariam em risco a vida dos participantes nos grupos de controle e/ ou de placebo. Na verdade, nem sequer seriam aprovados em muitos Comitês Científicos de Ética.
Os portugueses, caro Ministro Mandetta, foram bravos, corajosos e plenamente científicos. Usaram as evidências empírico-científicas de que dispunham e não hesitaram: agiram, rapidamente, pois era hora. Siga esse protocolo de sucesso!
Descartar um tratamento com baixo risco e com potencial para salvar muitas vidas, mesmo que possa até não funcionar, dar empate, é uma atitude moralmente inadmissível! E, por que não, cruel.
Argumentos sobre a não cientificidade do uso de HCQ + AZT, ou, que devemos usá-las somente após ser declarado esse um consenso científico ignoram o que é ciência, como se constroem consensos científicos, sua efetividade em muitos casos, é verdade, mas, outrossim, suas inegáveis limitações, em outros.
Seria muito bom conhecer mais, se tempo tivéssemos, mas os dados disponíveis atualmente clamam com veemência pelo uso da cloroquina, e já!
E quais seriam estes dados?
A favor da HCQ + AZT temos:

  1. A cloroquina já é usada há décadas, conhecemos as dosagens, as suas contraindicações.
  2. Africanos a tomam todos os dias, e missionários na África são aconselhados a tomar doses diárias. Muitas vidas na África talvez sejam salvas por essa “feliz coincidência”.
  3. Não há relatos científicos de muitas mortes ou sérios efeitos colaterais pelo uso da HCT.
  4. Vários estudos fervilham no Brasil e no mundo mostrando sua eficácia. A Prevent os tem aplicado preventivamente em centenas de seus pacientes idosos, com muito sucesso.Uma pesquisa na literatura científica (sciFinder e outros) sobre a HCT retorna muitos registros de seu efeito antiviral, inclusive no tratamento de zika.
  5. Um dos maiores especialistas em epidemias no Brasil, entre eles um pesquisador sênior e altamente produtivo e respeitado, o Dr. Paolo Zanotto, aconselha fortemente seu uso.
  6. O pior efeito colateral é a morte, e este efeito colateral ronda milhares no Brasil pelo não uso da HCQ+ AZT!
  7. Vários médicos têm feito uso próprio da HCQ + AZT, em casos “brandos”, inclusive o coordenador da equipe de Governador Dória em SP, o Dr. David Uip. Por que para ele pode, e para o povo, não pode? Um amigo meu, biólogo e cientista, consultou seu médico, tomou e sarou, em poucos dias.
Contra temos:

  1. A falta de consenso científico.
Ou seja: é uma goleada cientifica de 7 x 1 a favor da cloroquina ou da dupla HCQ+ AZT.
Caro Ministro, ciência é o pesar das evidências que temos, aqui e agora. É agir hoje, com coragem e esperança.
Errar é humano, mas errar por esperar consenso científico é isenção hedionda, pois o inimigo já derrubou as nossas muralhas e está a ceifar as vidas de nossas mulheres e filhos.
Há relatos de pobres morrendo clamando pela cloroquina! Pois os ricos e poderosos, como o Dr. Uip, estão sendo todos tratados por seus médicos particulares com HCQ + AZT, e, por um motivo qualquer que ainda me é obscuro, negando-se a revelar a receita da cura. Médicos não abandonam seus pacientes, e também não lhes negam a receita!
Mas ainda há tempo e esperança. E, Senhor Ministro, estou certo de que tomará a decisão correta.
Não corra o risco de ter sobre vossa consciência o peso da morte de centenas ou milhares de pessoas que poderão morrer sem sequer ter a chance de testar a terapia. Seja corajoso, seja científico! Autorize o uso da ciência que temos aqui e agora, a ciência de hoje!
Ministro: se errar, erre tentando, empatando! Mas se acertar, acerte ganhando, salvando vidas!
*******
Coassinam esta carta os seguintes cientistas:Nome, instituição, citaçõesMarcelo Hermes Lima, Universidade de Brasília, 6365Aguimon Alves da Costa, Universidade Cândido Mendes,Alexandre Barbosa Andrade, Universidade Federal de Ouro PretoAmilcar Baiardi, Universidade Católica de Salvador, 2483Bruno Lima Pessoa, Universidade Federal Fluminense, 50Carlos Adriano Ferraz, Universidade Federal de Pelotas, 8700Carlos Prudêncio, Instituto Adolfo Lutz, 228Cesar Gordon, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 754Cláudio Antônio Sorodo Días, Universidade Federal da Grande Dourados,Eduardo Gonçalves Paterson Fox, sem filiação, 418Elvis Böes, Instituto Federal de Brasília, 685José Carlos Campos Torres, Universidade Estadual de Campinas, 115Laércio Fidelis Dias, Universidade Estadual Paulista, 121Leonardo Vizeu Figueiredo, Escola da Advocacia-Geral da União, 288Maira Regina Rodrigues Magini, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 177Marcio Magini, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 207Milton Gustavo Vasconcelos Barbosa, Universidade Estadual do Piauí,Ney Rômulo de Oliveira Paula, Universidade Federal do Piauí,Pablo Christiano Barboza Lollo, Universidade Federal da Grande Dourados, 1116Pedro Jorge Zany P. M. Caldeira, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, 65Rodrigo Caiado de Lamare, PUC-RJ e University of York, 11341Ronaldo Angelini, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 664Rosevaldo de Oliveira, Universidade Federal de Rondonópolis, 17Rui Seabra Ferreira Junior, Universidade Estadual Paulista, 1318Luís Fabiano Farias Borges, CAPES,Jane Adriana Ramos Ottoni de Castro, Universidade de Brasília,Martinho Dinoá Medeiros Júnior, Universidades Federal de Pernambuco,Marcos N. Eberlin, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 24941Marcus Vinicius Carvalho Guelpeli, Universidade Federal dos Vales do Jequitnhonha e Mucuri, 95Leonardo de Azevedo Calderon, Fundação Oswaldo Cruz, 1230José Roberto Gomes Rodrigues, Universidade do Estado da Bahia, total de citações, 61378
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2020.03.30 21:57 AntonioMachado [2014] João Horta - A gestão (com lucro) da Seguradora

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2020.03.24 05:59 hebreubolado Crítica de "Mogli - O Menino Lobo" (2016) do John Favreau.

Os Livros da Selva é uma coletânea de contos do universo criado por Rudyard Kipling (1865–1936). Os dois Livros somam o total de quinze contos. Este filme adapta (ou ao menos tenta adaptar) de uma forma bastante recortada alguns contos que têm Mowgli como protagonista (importante ressalvar que não são todos os contos de Os Livros da Selva que têm o menino lobo como protagonista, alguns sequer se passam na Selva, ex: A Foca Branca, conto de número 4 na edição Clássicos da Zahar). Eu percebi inspirações no conto “Os irmãos de Mowgli”, o primeiro do universo do Kipling, “A Caçada de Kaa”, que narra o sequestro de Mowgli pelo Bandar-logo, o Povo Macaco, e “Como surgiu o Medo”, o conto mais mitológico em minha opinião, que narra o período de seca da Selva que os animais chamam de Trégua da Água. Em minha crítica, irei estabelecer algumas comparações do filme com a obra original do Kipling com objetivo de defender a opinião de que: enquanto um filme de animação, é um filme muito bem produzido, dirigido e criado, porém, enquanto adaptação cinematográfica de uma obra literária, deixou tanto a desejar, de tal forma que me faz acreditar que trata-se mais de uma adaptação da animação da própria Disney de 1967 do Wolfgang Reitherman do que uma adaptação da obra de Kipling, como veremos mais à frente. Para estabelecer essas comparações, utilizarei o meu exemplar de Os Livros da Selva: contos de Mowgli e outras histórias, da editora Zahar, publicado no ano de 2016, traduzido por Alexandre Barbosa de Souza.
Nota IMPORTANTÍSSIMA: compreendo e sou da opinião de que cinema e literatura são artes distintas e que possuem linguagens diferentes; também concordo que nenhuma adaptação é 100% fiel à obra literária, nem mesmo o tão renomado O Senhor dos Anéis; porém, quando usa-se o nome de um autor como fonte e principalmente sua obra como inspiração, é necessário o devido respeito à propriedade intelectual e criadora, não somente por questões jurídicas, mas por questões éticas. Sob esta premissa, vamos às comparações.
ATENÇÃO: Como trata-se de uma análise do filme, recomendo que a crítica seja lida somente por pessoas que já assistiram o filme. Se você também leu o livro e é um admirador da obra do Kipling e do que ela representa, será uma leitura ainda mais profunda.
O filme tem uma animação muito bonita; não entendo de cinema em termos técnicos, mas sem dúvidas trata-se de uma película bastante agradável de se assistir. Fora a animação de altíssima qualidade, as cores, personagens e músicas fazem do filme bastante agradável de se ver e rápido de assistir também. Incomoda-me em um filme que possui uma proposta infantil (a recomendação aqui no Brasil é para maiores de 10 anos de idade) hajam os famigerados Jump-scare. Imagine você sentado na sala assistindo com seu filho uma cena do Mowgli em um pasto verde e calmo e de repente BAM! Um tigre salta de trás da tela rugindo e fazendo um estardalhaço enorme. O recurso de jump-scare é, até mesmo em filmes adultos como no gênero de terror e suspense, considerado um recurso de baixa qualidade e previsível. Contei ao todo dois jump-scares no filme.
Em uma das primeiras cenas do filme vemos Mowgli, já na idade de menino (idade esta que permanece durante todo o filme. No último conto do Kipling, “A Corrida da Primavera”, ele já possui dezessete anos), assistindo uma assembléia dos lobos, que discutem se sua presença na alcateia deve ou não ser tolerada. Aqui já podemos perceber uma mudança drástica na história original: nos livros, Mowgli simplesmente aparece onde a alcateia Seonee vive, não levado por Bagheera como no filme retrata um pouco mais a frente. Akela e o lobo que criou Mowgli são dois lobos diferentes, não o mesmo: este último aparece nos contos com o nome de Pai Lobo apenas. Akela em hindi significa solteiro, solitário, o que não faz sentido colocá-lo como pai de Mowgli e dono de uma família. A intimidação do tigre Shere Khan provoca aos lobos foge do nosso autor britânico da mesma forma: enquanto que no filme o tigre não apenas mata Akela com um único golpe mas domina toda o bando, nos livros ele é intimidado pelos caninos.
“[…] Shere Khan talvez tivesse enfrentado Pai Lobo, mas não desafiaria Mãe Loba, pois sabia que, ali onde estava, ela tinha a vantagem do terreno e lutaria até a morte. Por isso voltou atrás, rosnando ao deixar a boca da caverna […]” (KIPLING, p. 33).
Bagheera e Shere Khan travam uma batalha durante a escolta de Mowgli em retorno para a vila dos homens; nos livros, essa luta nunca aconteceu.
Ao encontrar com os elefantes, a pantera negra pede para que Mowgli se ajoelhe e o informa da importância desses terríveis elefantídeos na criação e manutenção da Selva. Esse aspecto deve ser parabenizado por ter sido incorporado no filme: Kipling retratou os elefantes como a força criadora da Selva, e sendo Hathi, O Silencioso, o mais antigo deles. Embora a curtíssima cena tenha deixado implícito a importância dos elefantes, senti falta do personagem de Hathi, que é de suma importância em todos os contos que ocorrem na Selva.
“[…] Quando Hathi, o elefante selvagem, que vive cem anos ou mais, viu uma longa e esguia faixa de rocha seca bem no meio do rio, entendeu que estava olhando para a Pedra da Paz e, na mesma hora, ergueu sua tromba e proclamou a Trégua da Água, como seu pai antes dele havia proclamado cinquenta anos atrás.” (KIPLING, p. 185).
“[…] Shere Khan foi embora sem ousar rosnar, pois sabia, assim como todo mundo, que, no final das contas, Hathi é o Senhor da Selva” (KIPLING, p. 191)”.
O antagonismo inexistente de Kaa: a temível Píton é apresentada no filme como uma vilã que, após revelar a história de Mowgli para ele, tenta devorá-lo. Este personagem também foi desconstruído e teve sua personalidade alterada, assim como vários outros, que comentarei mais à frente. Nos livros, a píton é vista como um animal sábio e astuto, mas que respeita Mowgli como o Senhor da Selva que ele se tornou. A primeira vez que ele é mencionado na obra é no conto “A Caçada de Kaa”, aquele citado mais acima, que retrata o sequestro de Mowgli. Percebendo sua incapacidade de perseguir o Bandar-Log, o Povo Macaco, Baloo e Bagheera decidem pedir ajuda à píton em troca de alguns cabritos. Após relembrar Kaa de que o Bandar-log costumava chamá-lo de perneta, minhoca amarela, a pantera e o urso acabam convencendo a píton a se unir à eles na caçada aos macacos para resgatar Mowgli. O antagonismo de Kaa no filme pode ter várias explicações (que infelizmente só nos seriam acessível diretamente pelo diretor ou roteirista), porém, me parece que colocar uma cobra como vilã é um reforço de um esteriótipo medíocre. A cobra malvada. Não, sr. Favreau, isto não existe no universo de Kipling. Muito embora astuto e um caçador destemível, Kaa não apenas ajuda nesse conto em específico como também em “Cão Vermelho”, quando auxilia Mowgli na batalha contra dos lobos contra os cães vermelhos, chamados de dholes (inclusive, é nesse conto que Akela morre devido à feridas causadas na batalha contra os dholes, diferentemente da sua morte estúpida no filme com uma só mordida de Shere Khan, o que nos demonstra uma ideia bastante frágil de um lobo alfa que deveria estar a frente de sua alcateia e portanto, se o mais forte entre todos os lobos. Akela morre com pelos brancos como neve, ressaltando sua idade avançadíssima). Neste conto, Kaa fornece a Mowgli ideias de como combater e sair em vantagem contra os dholes, além de protegê-lo no rio durante o seu percurso e ser também ativo no plano de Mowgli para emboscar os dholes na toca das abelhas, etc etc.
Nem é preciso informar que não, Baloo não salvou Mowgli de ser comido por Kaa em Os Livros da Selva. Ainda no primeiro conto, “Os irmãos de Mowgli”, o Conselho da Alcateia está decidindo o destino do filhote de homem. A Lei da Selva, código de ética e moral que rege a todos os povos livres com exceção do Bandar-log, intercede a favor de Mowgli:
“Pois bem, a Lei da Selva dispõe que, em caso de disputa do direito sobre um filhote a ser aceito pela alcateia, pelo menos dois membros, além do pai e da mãe, devem interceder ao seu favor.” (KIPLING, p. 35). Adivinhe quem fala por Mowgli além dos seus pais lobos? Isso mesmo. O velho Baloo, encarregado de ensinar a Lei da Selva para os filhotes, fala em nome do menino. Sendo assim, falta apenas mais um voto. Baloo era o único fora da alcateia que tinha direito de falar no Conselho; sendo assim, restava convencer um lobo entre a alcateia para que Mowgli fosse aceito.
Porém, não foi isso que aconteceu: Bagheera intercede e, não podendo votar por não ser parte da Alcateia Seonee, argumenta em cima da Lei da Selva:
“ — Ó Akela, ó Povo Livre — ronronou -, não tenho voto na assembléia de vocês, mas a Lei da Selva diz que, não se tratando de um caso de morte, se existe uma dúvida quanto a um novo filhote, a vida dele pode ser comprada por um certo preço. E a lei não diz nada sobre quem pode ou não pagar esse preço. Estou certo?
[…] — Agora, além do voto de Baloo, acrescento um touro, e um bem gordo, que acabei de matar a menos de um quilômetro daqui, para que o filhote de homem seja aceito de acordo com a lei. Seria possível?” (KIPLING, p. 35–36). Oferta esta que o Povo Livre aceitou prontamente. Concluímos, portanto, que Baloo não apenas conheceu Mowgli desde sua chegada na Alcateia Seonee, mas foi o responsável, junto com Bagheera, por sua aceitação na alcateia. Esta alteração no roteiro do filme pode ser explicada pelo fato de que a linguagem do cinema requer algo mais dinâmico e rápido que os detalhes da literatura. Foi a forma do Favreau contar como Mowgli chegou na Selva e introduzir Baloo no filme, dois coelhos em uma cajadada só, como dizem por aí.
“E foi assim que Mowgli entrou para a Alcateia dos Lobos de Seeonee, ai preço de um touro e graças às palavras favoráveis de Baloo.” (KIPLING, p. 37) A ausência nos filmes desse aspecto da história faz com que a obra tenha um déficit e deixe de retratar uma parte bastante importante nos contos de Kipling: as reflexões filosóficas por trás do conto, tais como: o valor de uma vida entre os lobos, o conceito de moralidade (certo e errado), o valor de um homem, a questão da Lei da Selva sendo usada na prática (o que no filme não passa de uns versos engraçados que são recitados em uma decoreba), etc.
A mudança da personalidade de Baloo no filme é o que mais me irrita nessa adaptação: nos contos de Kipling, Baloo é o professor da lei da selva, como citei mais acima, e no filme, quando ele pergunta a Mowgli se os lobos cantam, o menino responde negativamente e recita para ele a Lei da Selva (dialogo que acontece no minuto 40 do filme, aproximadamente) , Baloo responde “Aí, isso não é uma canção. É um monte de regra!” FAVREAU, AMADO??
Transformar o professor da Lei em um urso trapalhão reforça o fato de o filme ser uma adaptação do filme da Disney, como citei mais acima, e acabou empobrecendo o roteiro no que diz respeito aos conceitos profundíssimos que Kipling introduz através de Baloo, desde a importância da sociedade e união (no conto “A Caçada de Kaa”), as lições que acompanharam a educação do garoto desde que ele tinha entre onze e quinze anos e até mesmo os detalhes da própria Lei da Selva, que no filme os lobos simplesmente recitam aos quatro ventos, e nos contos é aprendida desde filhotinhos pela boca do próprio Baloo.
No conto “Tigre! Tigre!”, após Mowgli decidir sair da alcateia e ir para a vila dos homens, realmente Shere Khan influencia os filhotes e habita a Pedra do Conselho, como mostrado no filme, mas esse reinado sobre os lobos dura apenas algumas páginas, ao passo de que quando Mowgli retorna para a Selva (a sua estadia na vila dos homens também foi omitida no filme), acaba dando um jeito no tigre, mas isso trataremos mais a frente.
A cena de Mowgli salvando o filhote de elefante também não existe nos contos. Também me incomoda a incapacidade de falar dos elefantes, visto que todo bicho na selva, na obra de Kipling, tem essa capacidade. Os elefantes são inteligentes como todos os outros e seu líder, Hathi, como já dito mais acima, não apenas era o mais inteligente de todos, mas o verdadeiro Senhor da Selva e criador da própria.
As engenhocas de Mowgli realmente são importantes nos contos, como no filme mostra, mas a motivação do sequestro não foi a Flor Vermelha, tão desejada pelo Rei Louie. Essa cena é tão distante da obra e das intenções do Kipling que merece, mais que todas as outras, ser tratada com mais detalhes:
Primeiro, O REI LOUIE NÃO EXISTE! Uma das características mais importantes do Bandar-log é sua incapacidade de ser organizados socialmente, por isso não têm líder. No filme, criar um personagem e colocá-lo no cargo de líder do Bandar-log acaba desconfigurando o mesmo e também o desconstruindo, o que aconteceu aconteceu com vários personagens, como vimos acima.
“- Escute, filho de homem — rugiu o urso, e sua voz ressoou como o trovão numa noite quente. — Ensinei a você a Lei da Selva inteira, que vale para todos os Povos da Selva, menos para o Povo Macaco que vive nas árvores. Eles não têm lei. São marginais. Não têm fala própria, mas usam palavras roubadas que ouvem por aí enquanto espiam e esperam no alto dos galhos. Os costumes deles são diferentes dos nossos. Eles não têm líder. Não têm lembranças. São bravateiros, fofoqueiros e fingem ser os maiorais e estar sempre prestes a desempenhar grandes feitos na selva, mas é só uma noz cair no chão que desatam a rir e se esquecem de tudo. Nós da selva não queremos nada com eles. Não bebemos onde os macacos bebem, não vamos aonde os macacos vão, não caçamos onde eles caçam, não morremos onde eles morrem. Alguma vez você me ouvir falar do Bandar-log até hoje?
- Não — respondeu Mowgli num sussurro, pois a floresta ficou muito quieta quando Baloo terminou.
- O Povo da Selva os mantém longe das bocas e das cabeças. Eles são muitos, maus, sujos, despudorados e desejam, se é que se concentram em algum desejo, ter a atenção do Povo da Selva. Mas nós não prestamos atenção neles nem quando atiram nozes e porcarias em nossas cabeças.” (KIPLING, p. 54). Segundo: a motivação do Bandar-log em sequestrar Mowgli não era para ter a flor vermelha, isto é, o fogo, e se espalhar pela floresta, mas sim simplesmente ter a atenção do Povo da Selva e usar as engenhocas de Mowgli ao seu favor. Nesse trecho que se segue, vemos mais uma vez a incapacidade de terem um líder, por isso a impossibilidade de existir um Rei Louie, dentre outros defeitos bastante característicos do povo macaco:
“ […] Eles viviam no topo das árvores, e, como os bichos raramente olham para cima, os macacos e o Povo da Selva nunca se encontravam. […] Estavam sempre a um passo de ter um líder, suas próprias leis e seus costumes, mas nunca chegavam a fazê-lo, pois sua memória não durava de um dia para o outro […]. Nenhum dos bichos conseguia alcançá-los, mas, em compensação, nenhum dos bichos lhes dava atenção, e foi por isso que ficaram tão contentes quando Mowgli foi brincar com eles e ouviram como Baloo tinha ficado bravo.
Nunca aspiraram realizar coisa alguma — no fundo, o Bandar-log nunca aspira a nada -, mas um deles teve o que lhe pareceu uma ideia brilhante e contou os outros que Mowgli seria muito útil para a tribo, porque sabia amarrar gravetos para protegê-los do vento; então, se o capturassem, poderiam obrigá-lo a lhes ensinar como fazê-lo” (KIPLING, p. 55). O conto “A Caçada de Kaa” inicia-se com Baloo repassando algumas lições para Mowgli até perceber que ele esteve com o Povo Macaco. Durante um sermão (o diálogo citado acima que começa com “escute, filhote de homem”), Mowgli é sequestrado pelos macacos, Baloo e Bagheera tentam correr atrás dele, mas acabam pedindo ajuda a Kaa, como citado mais acima. A mudança na personalidade do Bandar-log, a criação de Rei Louie e a mudança no roteiro original da história no que toca à motivação do sequestro dos macacos é o pico do distanciamento entre o filme e sua obra inspiradora. No entanto, gostaria de confessar aqui que o Rei Louie era o meu personagem favorito na animação de 1967 e a musiquinha dele é realmente contagiante, haha! A motivação para manter o Rei Louie nessa versão do filme me parece mais uma demonstração de que trata-se de uma adaptação do filme da disney de 1967, e não da obra do Rudyard Kipling. A minha crítica em relação a permanência do Rei Louie é justamente por se tratar de uma das características do Bandar-log a falta de líder. No prefácio desta edição de Os Livros da Selva que tenho em mãos, o tradutor relata o simbolismo profundo por trás do Bandar-log, o que no filme ficou ofuscado, escondido e, ouso dizer, inexistente: “ Nessa estrutura social, há o nível mais baixo de todos. Nele estão justamente os parentes mais próximos dos humanos, considerados incapazes de aprimorar a organização interna de sua sociedade. Com evidente ironia, Kipling identifica o Povo Macaco com a antítese de um real esforço de construção do bem-estar coletivo. […]” (Apresentação, p. 10) o parágrafo segue-se citando o sermão de Baloo, também citado por mim acima várias vezes, aquele mesmo que começa com “escute, filhote de homem”, onde Baloo explicita com todas as letras. A cena terrível de Baloo praticando psicologia reversa em Mowgli para que ele pense que não é amado e parta para a vila dos homens de uma vez por todas é de revirar o estômago para todo leitor de Kipling. Baloo tem uma relação não apenas de amizade com Mowgli, mas também de respeito mútuo e servidão, visto que nos últimos contos Mowgli é visto como o Senhor da Selva por todos os animais, até mesmo o próprio Hathi, o mais antigo deles. Nos contos, Mowgli decide para a vila dos homens após perceber que não era mais bem-vindo na alcaeteia seeonee (isto porque Shere Khan influenciava os lobos menores e os atiçava contra Mowgli e, tendo seus pais morrido, somente Akela estava alí para interceder por ele, e sendo já um lobo idoso, não tinha muita voz contra os muitos lobos jovens fantoches do tigre), retornando apenas para dar um jeito no Shere Khan, que estava dominando a alcateia (eu vou chegar lá, calma!), e esta parte da obra também contém um simbolismo bastante profundo, mostrando a dualidade do homem entre seus instintos animais e sua civilidade que, de certa forma, acaba castrando estes mesmos instintos. Podemos interpretar de várias formas os dos “Mowglis” que aparecem nos contos de Kipling, como a dualidade presente no homem de sua razão e suas emoções, representados pelo Mowgli na Selva, sobrevivendo através de seus instintos, e o Mowgli na vila dos homens, submetido à fala dos homens, vivendo como homens nas regalias da tecnologia (não ipods ou tablets, e sim uma simples cama e uma cabana. Lembremos que tecnologia vem do grego techne, que significa arte, e logos, que significa ciência. O conceito significa, entre outros, técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular e/ou técnica ou conjunto de técnicas de um domínio particular). Toda essa reflexão acerca da dualidade do homem, dos dois mundos — a Selva e a vila dos homens -, tudo isso é omitido nos filmes. A cena de Mowgli na vila dos homens tem uma duração de menos de 30 segundos. O filme força mais uma batalha inexistente: desta vez, Baloo contra Shere Khan. Mais uma vez, essa luta não existe nos contos. Sendo Baloo um urso velho e gordo, muito embora seja o mestre da lei, não possui a competência de lutar com um tigre. Ele não caça, pois se alimenta de mel e plantas. A única cena de luta que existe na obra de Kipling envolvendo o urso se encontra no conto “A Caçada de Kaa”, quando ele ajuda a cobra e a pantera a lutar contra as centenas de milhares de macacos. À propósito, esta cena também foi omitida nos filmes, o que daria uma batalha épica, e substituída por uma cena estúpida onde Baloo bajula o inexistente Rei Louie para distrair os macacos. Mowgli prepara uma tocaia, já no fim do filme, utilizando suas engenhocas e a famosa flor vermelha para matar Shere Khan. Favreau, passou bem longe de novo! No conto “Tigre! Tigre!”, quando Mowgli se encontra na vila dos homens trabalhando como pastor de búfalos, ele usa destes búfalos para encurralar Shere Khan em um defiladeiro utilizando da ajuda do velho Akela e os lobos seus irmãos para tocar o búfalo contra Shere Khan. O tigre, que havia acabado de se alimentar e por isso estava preguiçoso e preferia não lutar, acabou caindo no desfiladeiro ou morrendo pisoteado (Kipling deixa a forma de morte de Shere Khan na ambiguidade). Outro detalhe que foi omitido nos filmes e possui um simbolismo profundo foi o fato de Mowgli ter retirado a pele do tigre e posta na Pedra do Conselho, onde o lobo alfa da alcateia se posta durante os Conselhos, o mesmo lugar onde Shere Khan estava quando dominava a alcateia na ausência de Mowgli. Podemos refletir bastante sobre o que isso pode significar, levando em conta que Shere Khan é a retratação do Mal na obra de Kipling. A representação de Shere Khan foi um dos dois personagens que, na minha opinião, mais se assemelharam aos originais. Mowgli dos livros é um garoto divertido, engenhoso, e ao mesmo tempo brincalhão e bastante curioso. Devido a sua educação, cresceu mais que as crianças da cidade e de uma forma mais forte e saudável. No filme, ele não passa de uma criança entre lobos; insegura, cabisbaixa e bastante incoveniente; não vemos nenhum relato explícito do humor de Mowgli, humor este que chega ao nível de fazer piadas com Kaa e o próprio Hathi, o Senhor da Selva. A mãe-loba de Mowgli teve uma boa representação, porém, senti falta do simbolismo do seu nome, Raksha, que em sânscrito significa “pedir proteção” e, ao mesmo tempo, no budismo trata-se de um demônio, que podemos interpretar como o instinto de proteção da mãe, inato e instintivo, presente em todas as espécies, e ao mesmo tempo, na sua qualidade implacável, forte e até mesmo cruel quando se trata de proteger seus filhos. O simbolismo da mãe loba foi omitido no filme, fazendo dela apenas mais uma personagem. Shere Khan é um tigre manco, e por isso somente mata gados (KIPLING, p. 29), característica essencial para a construção do personagem e também foi omitida no filme. Shere singifica tigre e khan significa chefe no idioma hindu e persa.
No mais, gostaria de reinterar, mais uma vez pois nunca é demais, que concordo com a opinião de que o cinema e literatura são linguagens diferentes e que devem ser respeitadas como o tal, mas, novamente, a partir de um momento que um filme possui a intenção e premissa de ser uma adptação cinematográfica, há coisas que devem ser levadas em conta somente por uma questão de ética e respeito para com a obra do autor. Novamente, deixo meus elogios à direção de arte do filme e qualidade de animação, mas no que toca ao roteiro e à adaptação, eu colocaria esse filme no topo da lista de frustrações, ao lado de Percy Jackson e o Ladrão de Raios. É um filme excelente para assistir com a família e as crianças certamente vão adorar. Lembrem-se, como diria Platão, uma vida sem criticas não vale á pena ser vivida. Forte abraço à todos.
Wallace Guilhereme. Contato: [[email protected]](mailto:[email protected])
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2020.02.14 03:37 altovaliriano A Grande Praga que não vimos

O intervalo de tempo entre O Cavaleiro Andante e A Espada juramentada é preenchido marcado por um evento: A Grande Praga de Primavera. Assim como as aventuras de Dunk & Egg em Dorne, este evento é apenas lembrado pelas personagens. Somente vemos suas consequências.
A razão pela qual Martin pulou a aventura de Dunk e Egg em Dorne e Vilavelha será assunto para outro post. Entretanto, é notável que a Grande Praga de Primavera seria o pano de fundo para esta história abandonada e, ao contrário das aventuras em Dorne, o que GRRM nos contou sobre a Grande Praga é exatamente o que ficaríamos sabendo de qualquer modo.
Com efeito, Dorne e o Vale foram as únicas regiões intocadas pela Praga (pois seus governantes fecharam as fronteiras regionais e portos), de modo que fica óbvio que, assim como nós leitores, Dunk e Egg não viram vivenciaram a Grande Praga de Primavera, só ouviram falar dela e viram suas consequências. Assim, nada mudou para o leitor.
Então, o quê há de tão importante na Grande Praga que fez com que Martin não a suprimisse? Bem, a história da epidemia afetou toda Westeros de forma significativa, bem como estabeleceu alguns parâmetros interessantes para a história tanto dos contos de Dunk & Egg quanto das Crônicas.
Examinemos.

Nem sangue de dragão salva

Todos sabemos que, no universo das Crônicas, existe a crença de que aqueles do sangue da Antiga Valíria não adoecem:
– Sou o sangue do dragão – Dany lhe recordou. – Alguma vez já viu um dragão com o fluxo? – Viserys sempre afirmara que os Targaryen eram imunes às pestilências que afligiam as pessoas comuns e, tanto quanto ela podia dizer, era verdade. Conseguia se lembrar de estar com frio, com fome e com medo, mas nunca doente.
(ADWD, Daenerys VI)
A princesa Daenerys havia sido Targaryen pelos dois lados, o puro sangue da Antiga Valíria corria em suas veias, e as pessoas de ascendência valiriana não eram como as outras. Os Targaryen tinham olhos violeta e cabelos cor de ouro e prata, dominavam os céus com dragões, as doutrinas da Fé e as proibições contra o incesto não se aplicavam a eles... e eles não adoeciam.
(F&B, O longo reinado Jaehaerys e Alysanne: política, progênie e provação)
A parte interessante desta crença é a de que elas apareceram somente depois de que a Espada Juramentada nos informou que a Grande Praga de Primavera havia levado a morte, entre muitos outros, o Rei Daeron II Targaryen, o príncipe Valarr Targaryen e o príncipe Matarys Targaryen. Este conto foi lançado em 2003, enquanto que A Dança dos Dragões somente foi lançado em 2011.
Pelo depoimento de Daenerys, contudo, não podemos simplesmente relegar a resistência Targaryen a doenças a condição de mito. Na verdade, é mais prudente ler com atenção e notar que os Targaryen não seriam afetados por doenças comuns. Dessa forma, temos indícios para acreditar que a Grande Praga de Primavera não era um doença ordinária, mas de natureza mágica, como o escamagris.

Governantes e rebeldes inesperados

A Espada Juramentada foi responsável pela invenção de Corvo de Sangue (e de Açoamargo). Elio Garcia afirma que havia perguntado a GRRM se ele já sabia desde o início que o Corvo de Três Olhos era Brynden Rivers e que Martin respondeu que não, que apenas tinha em mente que haveria um laço entre o Corvo de Três Olhos e os Targaryen.
E quando Corvo de Sangue nos é apresentado, ele já é Mão do Rei, lealista Targaryen, “herói” de guerra e a maior pedra no sapato dos Blackfyre. Entretanto, sua ascensão política a Chefe de Governo somente porque a Grande Praga de Primavera leva Aerys I ao trono com a morte dos filhos de Baelor Quebralanças.
Como sabemos que Egg chegaria em algum momento de sua vida ao trono, é fácil entender que todos os herdeiros de Daeron II precisam ser eliminados até o fim da histórias de Dunk e Egg. Portanto, a ascensão de Aerys deveria ser algo já programado.
Entretanto, como ficamos sabendo no conto seguinte de Dunk e Egg, O Cavaleiro Misterioso, também morreram os reféns tomados pelo Trono de Ferro para garantir o bom comportamento dos apoiadores de Daemon Blackfyre, o que deu espaço para que a Segunda Rebelião Blackfyre surgesse.
Vale indicar que uma das “reféns” que morreram na Primavera foi a filha de Sor Eustace Osgrey , Alysanne, o que poderia dar substância à minha suspeita de que Eustace, no futuro, morrerá participando da Terceira Rebelião Blackfyre. O problema é que, em algum momento de sua estadia em Porto Real, Alysanne se tornou uma irmã silenciosa, algo que Eustace havia presenciado em algum momento antes de 211 DC:
Alysanne tinha sete anos quando a levaram para Porto Real, e vinte quando morreu, uma irmã silenciosa. Fui uma vez a Porto Real, para vê-la, e ela sequer falou comigo, seu próprio pai.
(A Espada Juramentada)
Portanto, Eustace há muito tempo já não teria motivos para temer apoiar uma rebelião contra Aerys. Muito antes da Segunda Rebelião.

Laboratório de fogovivo

A Grande Praga de Primavera matou 40% da população de Porto Real. Lá foi o lugar onde a doença fez mais vítimas. Em A Espada Juramentada, Septão Sefton explica o que foi feito com todos os cadáveres:
[...] Tantos morriam tão rapidamente que não havia tempo para enterrá-los. Em vez disso, eram empilhados no Poço dos Dragões e, quando os montes de cadáveres alcançavam três metros, Lorde Rivers ordenou que os piromantes os queimassem. A luz das fogueiras refletia nas janelas, como acontecia outrora, quando os dragões vivos ainda se aninhavam sob a cúpula. À noite, era possível ver o brilho por toda a cidade, o brilho verde-escuro do fogovivo. O verde ainda me assombra até os dias de hoje.
Meistre Yandel também nos dá detalhes:
[...] Cadáveres eram empilhados nas ruínas do Fosso dos Dragões até atingirem três metros de altura, e, no fim, Sangue de Corvo pediu para os piromantes queimarem os corpos onde estavam. [...]
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
Corvo de Sangue ter ordenado a queima de milhares de cadáveres no Fosso do Dragão é algo que me parece GRRM estabelecendo a possibilidade logística da ocorrência de uma nova conspiração do fogovivo, como aquela que se teoriza que Cersei executará. Leia a parte 1 e parte 2 de minha análise sobre o assunto.
Porém, uma coisa que não considerei em minhas análise e que pode vir a calhar para aumentar a tragédia foi a forma como o fogovivo, ainda que submetido a um incêndio controlado de apenas cadáveres inanimados, logrou se espalhar por boa parte da cidade:
– [...] Não se reconhece a cidade desde a primavera. Os incêndios a mudaram. Um quarto das casas se foi e outro quarto está vazio. Os ratos se foram também. Essa é a coisa mais estranha. Nunca pensei em ver a cidade sem ratos.
(A Espada Juramentada)
[...] Um quarto da cidade pegou fogo com eles [os cadáveres], mas não havia mais nada a ser feito.
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
Essa informação dá a dimensão de quanta destruição a suposta conspiração do fogovivo 2.0 poderá causar a Porto Real, sem falar na elevação da possibilidade de que os estoques da substância espalhadas pela cidade promovam uma reação em cadeia.

Com quantos paus se faz uma epidemia

Sendo a primeira grande epidemia da história de Westeros com que tivemos contato, é notório que Martin tenha tentando estabelecer alguns parâmetros para seu poder de contágio. Assim é descrita a expansão da Praga:
Dizem que a primavera foi ruim em Lannisporto, e pior em Vilavelha, mas em Porto Real matou quatro a cada dez. [...] A Grande Praga da Primavera nunca chegou a Dorne, talvez porque os dorneses tenham fechado suas fronteiras e seus portos, assim como o Vale de Arryn, que também foi poupado.
(A Espada Juramentada)
[...] Mas então a Grande Praga da Primavera varreu os Sete Reinos, afetando todos, exceto o Vale e Dorne, onde as fronteiras e passagens nas montanhas foram fechadas. O pior golpe de todos foi em Porto Real. [...]
(TWOIAF, Os Reis Targaryen: Daeron II)
Embora Martin tenha citado expressamente Lannisporto e Vilavelha como casos acentuados, não podemos descartar que a Praga tenha alcançado Porto Branco, Salinas, Valdocaso, Atalaia Leste do Mar, etc. Inclusive, Martin pode ter deixado de citar esses locais de propósito.
Isso porque, nas Crônicas, estamos assistindo à chegada de Jon Connington carregando a pestilência do Escamagris à Westeros ainda na sua forma contagiosa. Muitos teorizam que a doença de Jon pode desencadear uma epidemia em Westeros e, devido a dificuldade de viagem por solo durante o inverno, as viagens a navio devem se tornar mais atraentes.
Com isso, pode ser que vejamos o escamagris se tornar uma doença portuária que se espalharia de forma semelhante à Grande Praga de Primavera. Se estas estimativas estiverem certas, pode ser que Martin estivesse usando a Grande Praga de Primavera em A Espada Juramentada como ensaio logístico para a epidemia de escamagris que veremos em As Crônicas de Gelo e Fogo.

O que acham? Tem algum outro aspecto da Grande Praga de Primavera que acham relevante para a trama?
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2020.01.18 03:56 altovaliriano O que é 'aço de dragão'?

Em suas pesquisas na biblioteca da Muralha, Samwell encontra algumas informações sobre como combater os Outros:
– A armadura dos Outros é à prova da maior parte das lâminas comuns, se é possível crer nas histórias – Sam respondeu –, e as espadas que usam são tão frias que estilhaçam o aço. Mas o fogo os afugenta, e são vulneráveis à obsidiana – recordou-se daquele que enfrentara na floresta assombrada, e o modo como parecera se derreter quando o ferira com o punhal de vidro de dragão que Jon lhe fizera. – Encontrei um relato da Longa Noite que fala do último herói a matar Outros com uma lâmina de aço de dragão. Supostamente não conseguiam resisti-lo.
– Aço de dragão? – Jon franziu as sobrancelhas. – Aço valiriano?
– Esta também foi minha primeira ideia.
(AFFC, Samwell I)
O diálogo entre Jon e Sam termina sem que tenhamos qualquer certeza sobre o que viria a ser o tal "aço de dragão". A especulação de que seria aço valiriano parece ser uma resposta que satisfaz a muitos leitores e foi a solução adotada pela série da HBO, o que, para muitos, reforça a sensação de que o palpite de Jon e Samwell estava correto.
Porém, "muitos" não são "todos". Há quem suspeite que "aço de dragão" não seria aço valiriano, e eu sou uma dessas pessoas. Assim, passemos à análise.

Necessidade do sinônimo

Por que Martin criaria uma segunda palavra para designar aço valiriano? Já que o primeiro palpite de Jon e Samwell foi exatamente que as palavras eram equivalentes, qual era a necessidade de criar uma nova palavra? Um belo detalhe de construção do mundo para demonstrar a evolução dos termos ao longo dos milênios? Não me parece.
Este não é o único mistério semântico de O Festim dos Corvos. Martin também surgiu com a profecia do valonqar, na qual joga com a confiabilidade dos termos que ouvimos. Neste outro mistério, por exemplo, arrisco dizer que pouquíssimos leitores seguem o palpite de Cersei de que seria Tyrion e se recusam a aceitar a interpretação restritiva do termo "irmão mais novo" como sendo o irmão mais novo da própria Cersei.
Outro mistério semântico decorre do enigma de meistre Aemon pouco antes de morrer: "a esfinge é a adivinha, não o adivinho". A situação de que Aemon não conheceu Alleras, mas era dotado de sonhos de dragão deixa o leitor dentro de um paradoxo. Não há referências o suficiente para que se saiba se meistre Aemon está falando sobre as esfinges valirianas ou sobre Alleras.
Por fim, meistre Aemon também arrisca a dizer que a profecia eclética de Melisandre, ora sobre "Azor Ahai", ora "Príncipe que foi prometido", teria sido interpretado de forma errada, o que teria resultado na procura por alguém do sexo masculino, esquecendo de considerar alguém do sexo feminino. Nós só temos uma noção geral do que está escrito nas profecias lidas, mas desconhecemos qualquer passagem que fale em príncipe ou princesa. Ainda assim, Martin logrou colocar o leitor dentro de um debate semântico.
Portanto, é curioso que em um livro coalhado de mistérios semânticos adorados e explorados à exaustão pelo fandom, haja tanto consenso sobre aço de dragão e aço valiriano serem sinônimos.
Mas também há aqueles que apelam para o argumento de que os valirianos não chamariam seu próprio aço de aço valiriano, por esta razão o nome "aço de dragão" seria o nome que o material teria em Valíria e que, somente com o tempo, o nome "aço valiriano" se firmou fora da península para se referir ao "aço de dragão".
Essa situação é justamente o que acontece com a obsidiana. Em Valíria, ela era chamada de "fogo congelado", os plebeus de Westeros a chamam de vidro de dragão e os meistres da Cidadela a chamam apenas de obsidiana. Mas é justamente aqui que está a armadilha desta comparação: diversas pessoas sabem que estas palavras são sinônimas (Melisandre, Meistre Yandel) e já que é a tradução em valiriano para obsidiana, qualquer pessoa que falasse Alto Valiriano também conheceria seu significado.
Dessa forma, se o aço valiriano fosse chamado literalmente de "aço de dragão" em Valíria, qualquer pessoa que falasse valiriano saberia que as expressões são sinônimas. Convenientemente, alguns capítulos depois da conversa com Jon, Samwell diz a Aemon que só falava "um pouco de alto valiriano" (AFFC, Samwell III).
Entretanto, é preciso notar que a palavra não deveria estar em valiriano no texto que Sam leu, mas na língua de Westeros. Como nós sabemos, os registros dos eventos ocorridos na Era dos Heróis "são obras de septões e meistres escritas milhares de anos depois do fato" (TWOIAF, A Era dos Heróis). Portanto, isso reduz nos deixa com algumas poucas opções:
  1. O relato falava de "aço valiriano" e o autor do texto usou o sinônimo "aço de dragão";
  2. O relato falava expressamente em "aço de dragão" e o autor do texto somente reproduziu o que ouviu;
  3. Não há pegadinha nenhuma, e aço de dragão e aço valiriano não são sinônimos.
Agora precisamos filtrar estas opções com auxílio de outros argumentos.

A questão de tempo, local e tecnologia

Samwell afirma ter encontrado a menção a aço de dragão em um "relato da Longa Noite". Isso traz uma série de problemas de confiabilidade a este registro.
Segundo a linha do tempo que temos, a Longa Noite ocorreu quando Westeros ainda vivia sua Idade do Bronze e Valíria sequer existia como civilização. Várias pessoas argumentam que isso não impediria que o segredo da manufatura já existisse antes do surgimento do domínio valiriano, até mesmo fora da península valiriana.
De fato, muitos alegam que, diante da suspeita de que o aço valiriano é forjado com ajuda de fogo de dragão ("um dia receberá das minhas mãos uma espada longa como o mundo nunca viu outra igual, forjada por um dragão e feita de aço valiriano" - AGOT, Daenerys X), a técnica poderia ter sido conhecida primeiro em Asshai, pois diz-se que os dragões podem ter se originado nas Terras das Sombras.
Contudo, nenhuma dessas alegações tem qualquer base.
Na verdade, temos diversas evidências para acreditar que somente os valirianos sabiam fabricar o aço que leva o nome deles, haja vista que todo o conhecimento de sua fabricação se perdeu com a Perdição:
Alguns mestres armeiros podiam voltar a trabalhar aço valiriano, mas os segredos de sua manufatura tinham sido perdidos quando a Perdição chegou à antiga Valíria.
(ASOS, Tyrion IV)
O aço valiriano sempre foi caro, mas tornou-se consideravelmente mais quando não havia mais Valyria, e o segredo de sua fabricação se perdeu.
(SSM de 2008)
As propriedades do aço valiriano são bem conhecidas, e são resultado tanto do fato de que o ferro era dobrado muitas vezes para equilíbrio e remoção de impurezas, quanto do uso de feitiços ‒ ou, pelo menos, de artes que não conhecemos ‒ para dar força sobrenatural ao aço resultante. Essas artes estão perdidas nos dias de hoje, embora ferreiros de Qohor afirmem que ainda conhecem as mágicas para retrabalhar o aço valiriano sem perder sua força ou capacidade insuperável de se manter afiada.
(TWOIAF, A Era dos Heróis)
Só ali, em todo o mundo, a arte de retrabalhar o aço valiriano foi preservada, seus segredos zelosamente guardados.
(TWOIAF, Outras Terras: Qohor)
Diante disto, é muito provável que a técnica tenha surgido e morrido em Valíria sem se espalhar pelo resto do mundo, nem mesmo para outras cidades do domínio valiriano. De fato, como se vê, nas Cidades Livres só Qohor tem uma fagulha desse conhecimento, mas nem mesmo ela é capaz de produzir aço valiriano.
O resultado imediato desta constatação é vermos a impossibilidade de que aço valiriano tenha sido produzido durante a longa noite ou que 'aço de dragão' fosse a palavra que a Westeros da Era dos Heróis usava para definir este tipo de material.
Por outro lado, o tal aço de dragão não precederia apenas ao surgimento de Valíria, mas talvez ao próprio aço. Não há nenhuma indicação de quando a tecnologia do aço foi aperfeiçoada no mundo de Westeros, mas sabemos que a arte de forjar o ferro que foi passada a ândalos e valirianos foi apreendida com os roinares.
E esta arte somente chegou em Westeros muito tempo depois da Longa Noite:
Varrendo o Vale com fogo e espada, os ândalos começaram a conquista de Westeros. Suas armaduras e armas de ferro superavam o bronze com o qual os Primeiros Homens ainda lutavam, e muitos Primeiros Homens pereceram nessa guerra.
(TWOIAF, A Chegada dos Ândalos)
Os Gardener também foram atrás de artesãos ândalos e encorajaram seus senhores vassalos a fazer o mesmo. Ferreiros e pedreiros, em particular, eram generosamente recompensados. Os ferreiros ensinaram os Primeiros Homens a usarem armas e armaduras de ferro no lugar de bronze, enquanto os pedreiros os ajudaram a fortalecer as defesas de seus castelos e fortalezas.
(TWOIAF, A Campina: Os ândalos na Campina)
Portanto, temos motivos para acreditar que o tal "aço de dragão" não veio de Valíria e poderia não ter nada a ver com aço em si.

Material alternativo ao aço valiriano

Intencionalmente, vou ignorar todas as teorias alternativas que propõem que aço de dragão seria alguma variedade aço valiriano. Vou listar aqui as que conheço para que todos saibam o que estou ignorando:
Eliminadas essas opções, resta apenas um material que poderia ter colocado o "dragão" na expressão "aço de dragão": ossos de dragão. Curiosamente, desde o início da saga isto está lá, plantando expressamente nos livros:
Tyrion enrolou-se em sua pele com as costas apoiadas no tronco, bebeu um gole de vinho e pôs-se a ler sobre as propriedades do osso de dragão. O osso de dragão é negro devido à grande quantidade de ferro que contém, dizia o livro. É forte como aço, mas é também leve e muito mais flexível, e, claro, completamente à prova de fogo. Os arcos de osso de dragão são muito apreciados pelos dothrakis, e sem surpresa. Um arqueiro assim armado pode alcançar mais longe do que com qualquer arco de madeira.
(AGOT, Tyrion III)
Ocorre que muitos leitores não gostam da ideia de que os ossos de dragão seriam um bom substituto para o aço valiriano. Como se trata de osso, por mais que tenha ferro em sua composição, não haveria como se forjar o osso para se tornar uma lâmina que pudesse ser usada contra os Outros.
A solução, portanto, replicam os defensores desta teoria, era que os ossos fossem entalhados até poderem ser usados como lanças ou lâminas. Afinal, usar lâminas feitas de osso era um costume provável entre os primeiros homens, pois ainda hoje o Povo Livre se vale de longas lâminas feitas de osso:
Quando Varamyr viu a mulher morta na floresta, ajoelhou-se para retirar a capa dela e não notou o garoto até que o menino irrompeu de seu esconderijo para acertá-lo com uma longa faca de osso e arrancar a capa de seus dedos.
(ADWD, Prólogo)
Val acariciou a faca de osso comprida em seus quadris.
(ADWD, Jon X)
Entretanto, muitas críticas foram feitas a essa alternativa, pois haveria limites para o tipo de armas que poderiam ser produzidas. Sem falar que lâminas equivalentes a espadas estariam supostamente fora de cogitação, pois o material seria supostamente flexível demais, mais apropriado para um arco, como Tyrion supostamente teria observado.
Ocorre que espadas de aço são bastante flexíveis, a fim de absorver o impacto, de forma que a plasticidade do material não seria em si um impeditivo. Na verdade, Martin parece ter intencionalmente evitado falar sobre lâminas feitas de ossos de dragão para surpreender o leitor mais tarde.
Entretanto, o entalhe dos ossos é apenas uma opção. Devido a sua composição cheia de ferro, não é fácil prever a que tipo de armas é possível fazer com este material e que tipo de deformações ele necessitaria/suportaria. Martin não deu nenhum detalhe sobre isso. Porém, ele fez algumas analogias com relação aos dentes de dragão que, à luz de todos os argumento neste texto, podem soar como bastante reveladoras:
Arya pôs-se em pé, movendo-se com cuidado. As cabeças estavam todas em volta dela. Tocou em uma, curiosa, perguntando-se se seria verdadeira. As pontas de seus dedos roçaram um maxilar maciço, sentindo-o bastante real. O osso era suave sob sua mão, frio e duro ao toque. Percorreu um dente com os dedos, negro e aguçado, um punhal feito de escuridão. Aquilo a fez estremecer.
– Está morto – disse em voz alta. – É só um crânio, não pode me fazer mal – mas, de algum modo, o monstro parecia saber que ela estava ali. Podia sentir seus olhos vazios observando-a por entre as sombras, e havia qualquer coisa naquela sala escura e cavernosa que não gostava dela. Afastou-se do crânio com cuidado e bateu as costas num segundo, maior que o primeiro. Por um instante sentiu os dentes se enterrarem em seu ombro, como se aquilo desejasse mordê-la. Arya rodopiou, sentiu o couro prender-se e se rasgar quando uma enorme presa mordeu seu colete, e então desatou a correr. Outro crânio ergueu-se na sua frente, o maior de todos os monstros, mas Arya nem sequer titubeou. Saltou sobre uma fileira de dentes negros altos como espadas, precipitou-se por entre maxilas famintas e atirou-se contra a porta.
(AGOT, Arya III)
Indo direto ao assunto, os dentes de um dragão poderiam servir como dezenas de lâminas. Enquanto estivesse vivo, a mordida do dragão seria terrivelmente eficaz. Porém, mesmo depois de morto, poderiam seu usados por seres humanos como armas altamente eficazes contra os outros.
Portanto, Aço de dragão ser osso de dragão significaria que, mesmo que os outros derrotassem os dragões de Daenerys, os heróis ainda poderiam usar os ossos e, principalmente, os dentes dos cadáveres dos dragões para vencer a Batalha da Aurora.
Isso daria sentido a Martin não precisar que os Dragões de Daenerys tivessem o tamanho de Balerion, Vhagar e Meraxes para que houvessem boas chances de vitória.
Você agora poderia me perguntar como foi que os Primeiros Homens poderiam ter ossos de dragão para fazer "aço de dragão" se apenas havia dragões na península valiriana e nas Terras da Sombra, mas não em Westeros. Bem, vou deixar que GRRM e Meistre Yandel respondam:
FÃ: Em 'O Cavaleiro Andante' são mencionados dragões antigos, com milhares de anos de idade. Havia dragões em Westeros antes que os Targaryen os trouxessem, ou eles trouxeram os esqueletos dos antigos dragões com eles?
GRRM: Havia dragões por toda parte, no passado.
(SSM de 1999)
No entanto, se os homens da Sombra domaram os dragões primeiro, por que não partiram para a conquista, como os valirianos? Parece mais provável que o relato dos valirianos seja o mais verdadeiro. Mas já existira dragões em Westeros antigamente, muito antes da chegada dos Targaryen, como nossas próprias lendas e histórias nos contam. Se os dragões saíram das Catorze Chamas, eles devem ter se espalhado pela maior parte do mundo conhecido antes de serem domados. E, de fato, há evidências disso, como ossos de dragões encontrados tão ao norte quanto Ibben, e mesmo nas florestas de Sothoros. Mas os valirianos os subjugaram e colocaram arreios nele como ninguém mais foi capaz de fazer.
(TWOIAF, A Ascensão de Valíria)

Alternativa nº 2

Caso você não tenha comprado a ideia de que "aço de dragão" não precisa ser feito de metal, há um outro modo de produzir armas com ossos de dragão que pode lhe interessar.
Em resumo, o ferro nos ossos dos dragões deve ter propriedades mágicas e assim bastaria extraí-lo dos ossos e misturá-lo com aço normal na forja. Eu li uma thread em que um usuário do Forum of Ice and Fire dizia que era comum misturar ossos ao ferro na metalurgia da Idade Média, por conta do carbono no osso (o controle do carbono no metal é essencial na transformação de ferro em aço).
Outra opção seria fundir o ferro no osso para criar uma peça inteiramente feita de "ferro de dragão" e posterioment transformá-lo em "aço de dragão". Mas a técnica de fundição de ferro é algo que somente foi implementado com algum sucesso em tempos mais modernos (com a invenção da forja catalã, altos fornos e, finalmente, o Forno Siemens-Martin). Assim, a técnica parece muito avançada para ter sido utilizada na Era dos Heróis.
Por outro lado, o próprio Martin afirma que nem mesmo em tempos recentes este tipo de coisa era normal entre os valirianos:
FÃ: Em Valyria, eles usavam osso de dragão no aço valiriano?
GRRM: Não.
(SSM de 2002)
Por essa razão que eu não acredito que esta alternativa seja a correta. Aposto na opção dos ossos de dragão entalhados ou dentes de dragão com empunhaduras de couro.
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2020.01.16 00:50 TheTanzanite Por que o futuro da humanidade é sombrio

EDIT: Esse post não tem o intuito de deixar ninguém depressivo, por mais que não sejam notícias boas, vejam isso como uma oportunidade de não ficar perdendo tempo com certas cobranças e amarras da sociedade que você sabe que não faz sentido com o que você realmente é ou quer ser. É também uma forma de redirecionar qualquer "raiva" que você tenha no espectro político para quem realmente está causando isso tudo.
Esta é apenas uma tradução das partes relevantes do tópico postado por logiman43 no /DarkFuturology.
10 anos atrás eu era o cara me acorrentando em árvores, 5 anos atrás eu era o cara bloqueando a rua para chamar a sua atenção sobre o consumo de carne. Eu já fui preso, ridicularizado e "linchado". Agora eu estou apenas cansado. Eu sou um Ph.D em Relações Internacionais com especialização em Conflitos Climáticos (e 2 outros diplomas em Direito e Economia).
Aqui você irá achar 30,000 papers científicos sobre esta situação fodida.
Para os amantes de áudio, aqui você tem uma conversa de 30 minutos sobre como tudo deverá colapsar. "Não há crescimento infinito".
5 anos atrás existia uma série chamada 'The Newsroom'. Era uma série série com alguma comédia sobre o mundo midiático. Existe um clipe famoso da série (04:48) sobre o colapso do clima. Era "cômico" na época, porém agora é a realidade.

Aquecimento Global:

De acordo com um report de 2018, a temperatura global já está 1ºC maior do que a era pré-industrial.
O que irá acontecer a cada incremento de 0.5ºC? O rastreador de ações climáticas mostra que chegaremos aos 3.5ºC com as políticas atuais em 2050. Climate stripes - Veja o salto em 1995
Gráfico mostrando emissões de carbono por continente. Veja a explosão na Ásia
Neste gráfico, você tem todos os níveis de CO2, CH4, N20, temperatura e nível do oceano.
As 20 piores consequências do aquecimento global
+9 Gráficos
1.5ºC - Este costumava ser o ponto em que os cientistas achavam que estávamos OK. Em 2018, o IPCC queria parar o aquecimento global neste temperatura, prevendo que a atingiríamos com 10% de chance em 2023. Nesta temperatura, ondas de calor tão quentes quanto o Deserto do Saara acontecerão no mundo todo, todo ano. Haverá destruição massiva de plantações, 70% dos corais no oceano perderão a sua cor e secas afetarão 360mi de pessoas (Fonte).
Advinhe só? De acordo com o - já antigo - report do IPCC de 2019, nós já estamos quase atingindo 1.5ºC. A quantidade de 'loss events' (Tsunamis, Tempestades, Enchentes, Queimadas) entre 1980 e 2015 QUADRUPLICOU.
Históricamente, todo summit pelo clima falhou em atingir a meta de limitar as emissões GHG, não chegando nem perto. Outro ângulo. Inclusive, estudos recentes alertam que metas do Acordo de Paris já estão fora do nosso alcance.

Biomassa e a 6ª Extinção

A Terra aparenta estar passando por um processo de "aniquilação biológica". Mais da metade do número total de animais que um dia dividiram o planeta com os humanos já se foram. Um estudo de 2017 checou as populações animais ao redor do planeta examinando 27,600 espécies de vertebrados - quase metade das espécies que sabemos que existem. Eles descobriram que mais de 30% delas estão em declínio. Algumas espécies estão enfrentando um colapso completo, enquanto populações locais de outras estão sendo extintas em áreas específicas. Além disso, humanos exterminaram 60% das populações animais desde 1970. (Fonte)
Aproximadamente 40% das espécies de insetos estão em declínio, de acordo com um estudo e eles não são as únicas criaturas sofrendo. Nos últimos 50 anos, mais de 500 espécies de anfíbios entraram em declínio - e 90 foram extintas - devido a uma doença mortal de um fungo, que corrói a carne de sapos. (Fonte)
E plantas estão sendo extintas 350x mais rápido do que o normal
De outro lado, veja a explosão de animais domésticos entre 1950 e 200. Gado é uma das causas do aquecimento global. Ex: A Amazônia está sendo desmatada não pela madeira, mas para abrir espaço para criação de gado. (Fonte).

População

A curva íngrime na população. Se nossos números crescem em média 228,000 por dia, em uma semana nós teremos adicionado 1.589.000 pessoas extras à população mundial. Para se preparar, a Humanidade precisa produzir mais comida nas próximas 4 décadas do que já produzimos nos últimos 8.000 anos (Link p/ Paper). Porém estamos desperdiçando tanta comida e perdendo tanta água com irrigação, que é possível que a sociedade colapse em 2040 devido à escassez catastrófica de alimento.

Permafrost e Metano

Solo no Ártico está liberando mais CO2 do que 189 países.

Com um aumento de 2ºC, esperamos que 6.6 milhões de km² descongelem e isso crie um 'feedback loop' que libere muito metano, o que significa que o descongelamento do permafrost e calotas polares se torne um processo de extinção que se auto acelere.
Os oceanos já estão borbulhando com Metano e o que é mais assustador é que nós sabemos que existem patógenos congelados no permafrost - patógenos como Anthrax.

Doenças

Conforme a Terra aquece, animais serão forçados a migrar em massa. Isso significa que animais transportando doenças tropicais (como Malária) passarão a conviver entre nós. Para se ter uma idéia de quão isso é assustador, doenças como 'Camel Flu' (MERS) tem uma taxa de mortalidade de 36%.
E os hospitais não estão preparados para os desafios da mudança climática
Report do World at Risk. Eles listaram dezenas de doenças que os experts sugerem possuir o potencial de causar epidemias que podem escalar fora de controle, entre elas o Ebola, Zika Virus e Dengue. Uma pandemia pode infectar o mundo em horas e matar milhões pois NENHUM país está totalmente preparado. 100 Anos atrás a Gripe Espanhola infectou 1/3 da população e matou 50 milhões de pessoas.
Atualmente, a poluição do ar está tão alta que a China e India ultrapassam os gráficos. Sem uma máscara, você ficará doente.

Erosão do Solo Superficial

Nós estamos ficando sem solo arável (Fonte) e até 2055, nós não teremos mais nada.
Este é o aviso do autor de "Surviving the 21st Century", Julian Cribb para uma conferência internacional do solo em Queenstown, NZ em 15/12/16.
"10kg de Solo Arável, 800L de água, 1.3L de Diesel, 0.3g de Pesticidas e 3.5kg de CO2 - Isso é o necessário para entregar uma refeição, apenas para uma pessoa" - Cribb diz.
É necessário 2000 anos para se formar 5cm de solo arável e se você acha que isso não te afetará, espere até que comida se torne a commodity mais rara da Terra. Se você acha que já viu a barbaridade humana, espere até que estes mesmos humanos estejam famintos e desesperados por comida. Isso não significa milhões de pessoas famintas, sginificará bilhões de pessoas sem comida. Incluíndo você.

Escassez de Água Doce

A India tem 5 anos para solucionar a crise hídrica, a África do Sul tem a pior seca em 1000 anos, Zâmbia tem 2mi de pessoas à beira da inanição graças à seca.
De acordo com o report das Nações Unidas, em 10 anos, 4 bilhões de pessoas serão atingidas pela falta de água doce, das quais 2 bilhões estarão severamente em falta.

O evento "Blue Ocean"

Um evento Blue Ocean significa que grandes quantidades de luz solar não serão mais refletidas de volta ao espaço. Ao invés disso, o calor será absorvido pelo Ártico. Enquanto o Oceano Ártico possui gelo, a maior parte da luz solar é refletida e o "centro de frio" permanece perto do Pólo Norte.
Isso não apenas significa que o calor adicional terá que ser absorvido pelo Ártico, mas também que os padrões de vento irão mudar radicalmente, ainda mais do que já estão mudando hoje. O que causa com que outros 'pontos de virada' sejam atingidos antes do esperado. É por isso que o evento 'Blue Ocean' é muito importante e possivelmente será atingido abruptamente em 2022. (Fonte).

O feedback loop da camada de gelo

Quando falamos do crescimento do nível do mar, está se tornando cada vez mais difícil prever uma vez não estamos apenas aquecendo o ar, o calor está ficando preso nos oceanos também, o que significa que as camadas de gelo no círculo do ártico está derretendo por cima e por baixo - Ou seja, estão derretendo MUITO mais rápido do que estimamos até nas nossas estimativas mais radicais. (Vídeo).
Se você está preocupado com os refugiados da América Central/Latina ou África, você pode começar a pensar nas dezenas de milhões de pessoas que começarão a escapar continente a dentro das inundações.
Isso TRIPLICA as nossas estimativas anteriores.

Evento Wet Bulb

Mudança Climática causará ondas húmidas de calor, que matarão até pessoas saudáveis.

Ondas de calor extremas que matam pessoas saudávels em horas atingirão partes do subcontinente indiano a menos que as emissões globais de carbono sejam drasticamente cortadas rapidamente. Mesmo foras destes hotspots, 3/4 da população de 1.7bi - particularmente agricultores no Ganges e vales Hindus - serão expostos a um nível de humidade classificado como "Perigo Extremo" até o final do século.
A nova análise avalia que o impacto do clima na combinação mortal de calor e humidade, classificado como a temperatura "Wet Bulb" (WBT). Quando a humidade chega em 35ºC, o corpo humano não consegue mais se regular através do suor e até pessoas saudáveis sentadas na sombra, morrerão em até 6 horas. Já existem partes do mundo em que a humidade atinge 32ºC a 33ªC.

Acidificação do Oceano

Acidificação do Oceano tornará a mudança climática pior ainda

Os oceanos estão absorvendo uma grande parcela do CO2 emitido na atmosfera. Na realidade, oceanos são o maior absorvente de CO2 do mundo, muito maior do que as capacidades de absorção da floresta amazônica. Mas quanto mais CO2 os oceanos absorvem, mais ácidos eles ficam em uma escala relativa pois uma parte do carbono reage com a àgua para formar ácido carbônico.
Se a acidificação diminuir as emissões marinhas de enxofre, isso poderá causar um aumento na quantidade de luz solar atingindo a superfície da Terra, acelerando o aquecimento - o que é exatamente o que o estudo do Nature Climate Change prevê. Pesquisadores estimam que o pH do oceano irá diminuir em 0.4pH até o final desse século se as emissões de carbono não pararem, ou em 0.15pH CASO o aumento pare em 2ºC. (Fonte)
Já está acontecendo uma extinção em massa nos oceanos.

Porque prevenção do desmatamento é mais importante que replantá-las.

Há tanto CO2 na atmosfera que plantar novas árvore já não pode mais nos salvar.

Cientistas estimam que precisamos plantar 1 trilhão de árvores para mitigar o Aquecimento Global. SEM PERDER NENHUMA ÁRVORE já que uma árvore queimando libera todo o CO2 de volta.
A Amazônia está perdendo 3 campos de futebol por minuto graças à queimadas - Mapa Interativo. No momento, estamos perdendo 13-15mi de hectares de árvores por ano na América do Sul, África e Oeste Asiático que estão sendo convertidos para agricultura. (Fonte)
Então se assumirmos que plantemos 1mi de árvores a cada passo que você dê, então 20 passos serão 20mi de árvores, correto? 1 trilhão de árvores é o equivalente a 2.5x mais do que a distância em que você está até a Estação Espacial Internacional, isso sem contar toda a poluição liberada para plantar as sementes, toda a logística de preparo do solo arável e o descarte de lixo. Uma ação para resolver um problema, afeta diversos outros que também contribuem para o aquecimento.

Migrações

Se prepare para centenas de milhões de refugiados do clima - MIT.

Até 2050 haverão 1.5bi de migrantes. Sim, em 30 anos. O que aumenta drasticamente o potencial de conflitos e violência. Um estudo pelo Pentágono confirma que haverão guerras causadas por problemas relacionados a refugiados do clima.
Apenas um exemplo rápido, a Índia poderá bloquear o rio Indus, matando centenas de milhões de paquistaneses. (Fonte). Ambos países que possuem armas de destruição em massa. Nos próximos 30 anos haverá também um crescimento do fascismo e campos de concentração, o que já acontece nos EUA com mexicanos e na China com os Uighurs.

Os super-ricos

Os ricos sabem que é tarde de mais e que serão os únicos que sobreviverão. (Artigo). Eles já estão costruindo bunkers e comprando passaportes neozelandeses para se refugiarem quando der merda e é por isso que eles estão ficando exponencialmente mais ricos. Por exemplo, Canada, Noruega e Brasil irão 'floodar' o mundo com petróleo para obter lucro máximo (Artigo do NYT "Flood of Oil is Coming").
Se qualquer coisa acontecer, os super-ricos irão apenas comprar passaportes por $1M+ e fugir enquanto migrantes serão colocados em campos de concentração, os ricos estão planejando nos deixar para trás.

Porque o atual sistema econômico está quebrado

O sistema econômico está completamente quebrado e não só nos EUA comot ambém na Europa, Austrália, América do Sul e Ásia. Eu estive pesquisando este assunto por anos e fico 'embasbacado' quão ruim realmente está.
Os ultra-ricos possuem $32 trilhões, sem contar assets mobiliários, ouro, iates e cavalos de corrida, em contas offshore.
Visualização da diferença entre $50,000, $1mi e $1bi. A média de income nos EUA é de $32,000/ano. Supondo que cada degrau em uma escada representa $100,000, então metade da população americana ainda está no começo ou apenas no 1º degrau, são quase 200 milhões de pessoas que não conseguem nem subir um degrau nesse sistema. Os lares conjuntos de 80% estão no quinto degrau da escada enquanto um bilionário...um bilionário está 10.000 degraus acima da escada, o que é o equivalente à 5 prédios do tamanho do Empire State. Lá de cima, eles não conseguem distinguir a diferença dentre um milionário e um sem-teto nem se eles quisessem. E Jeff Bezos? Ele está na metade do caminho até a Estação Espacial, o equivalente a 24 Everests em cima do outro.
Se você tivesse um trabalho que pagasse $2.000/HORA e você trabalhasse 40 horas por semana, sem férias e de alguma forma economizasse todo esse dinheiro, você teria que trabalhar mais de 25.000 anos para chegar na mesma fortuna de Jeff Bezos.
Outras menções notáveis:

Por que ninguém fala do colapso?

Por que ninguém fala do colapso? Porque um mundo sem esperança é um mundo de caos, imagine 7 bilhões de pessoas percebendo que eles não tem 200, 100, 50 anos restantes mas sim apenas 20 ou 30.
Além disso, os ricos estão tentando promover éticas de trabalho em que você não tenha tempo para ler, assistir ou estudar sobre nada do que foi dito acima. Nós estamos ficando cada vez mais isolados um dos outros por causa de tecnologias como Facebook ou Tinder e pra completar, os políticos estão tentando desestabilizar o mundo que conhecemos, para criar confusão e conflito entre nós. Dividir e Conquistar. Por que você acha que a Rússia está por trás do Brexit, do movimento Black Lives Matter e do crescimento do fascismo na Europa?
A Rússia influenciou as eleições americanas, criando centenas de grupos de Facebook Pro-Trump, pagou também para rodar propagandas patrióticas "MAGA" no Facebook.
Por que você acha que há tantos protestos rolando ao redor do mundo ultimamente? Aqui estão os maiores protestos acontecendo agora.
LUTE!
Para mais: /collapse
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2019.12.17 16:41 iSoSyS Por que motivo os sucessivos governos sub-financiam as entidades com competências fiscalizadoras?

Esta questão anda-me a moer e não consigo chegar uma conclusão que ache lógica.
Por um lado, as métricas dizem-nos que temos uma economia não-registada muita acima da média ocde. Fontes governamentais estimam-na ser 27,29% do PIB(2015), quando a média OCDE é 16,4%. A mesma fonte diz-nos que se descêssemos esse valor para a média, seria possível obter via impostos mais 3 mil milhões de euros, ou seja, o equivalente a metade do orçamento da educação, ou um terço do SNS, ou ao total do investimento público.
Em termos ideológicos e/ou políticos, penso que seja consensual que as leis devem ser seguidas à risca. A composição do parlamento tem sido a mesma nos últimos 50 anos. Portanto, o legislador tem sido o mesmo, e aquilo que está na lei é obrigatoriamente igual ao pretendido.
Em termos de incentivos, já temos as deduções do IRS que incidem praticamente todas sobre os setores de maior fuga de impostos. Pelo que o próprio legislador reconhece o problema.
Numa análise custo/benefício, mesmo desconsiderando os valores citados acima que são meros artifícios matemáticos, concentrando-nos apenas nas vitórias fáceis; multas prescritas. Tanto as rodoviárias como as da ASAE são perdas estimadas na casa das dezenas de milhões. Um único milhão é suficiente para pagar 50 novos trabalhadores. Podia-se contratar mais 500 e mesmo assim o Estado sairia a ganhar.
Sem me querer estar a alongar muito, há alguma coisa que me esteja a escapar? Compreenderia se estivéssemos em período de crise, onde qualquer mexida poderia atirar milhares de famílias para a bancarrota, mas estamos em crescimento! Porque se continua a sub-financiar as atividades de fiscalização?
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2019.10.22 18:49 ezequias963 Estratégia da Aprovação

Estratégia da Aprovação
Imagine poder seguir uma Estratégia da Aprovação para ser aprovado em qualquer concurso público, Veja tudo sobre o Curso Estratégia da Aprovação Evolution. um método poderoso que já transformou a vida de centenas de pessoas.
Imagine você que já tentou de tudo para passar em concurso poder seguir um método passo a passo testado e comprovado por centenas de pessoas, um método poderoso que ajuda você a otimizar os seus estudos, fazendo você economizar 2 anos de estudos em apenas 6 meses.
Imagine poder otimizar seus estudos aprendendo somente o que realmente interessa, Imagine poder além de otimizar acelerar o seu aprendizado e nunca mais correr o risco de esquecer tudo que aprendeu.
Como eu já tinha recebido alguns e-mails de outros leitores desconfiados se o Estratégias de Aprovação Evolution é bom ou não, resolvi escrever este artigo com uma análise completa e minha opinião sobre esse curso.
Dessa forma, leia este artigo até o final para saber:
Vamos lá!

Estratégia da Aprovação

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Quem é Victor Ribeiro do Estratégias de Aprovação?

Victor Ribeiro formou-se em administração e desde então começou a estudar para concursos públicos.

Mas no início não conseguiu bons resultados. Tinha dificuldades de organização, aprendizado, memorização e concentração.
Contudo, persistiu e conseguiu sua primeira aprovação no cargo de Analista da Anatel.
Em seguida, resolveu encarar um grande desafio: o concurso para Auditor Federal do TCU – Tribunal de Contas da União.
Mas, antes disso, decidiu aprender técnicas avançadas de estudo para superar suas limitações e dificuldades de aprendizado.
Então dedicou-se a um intenso trabalho de pesquisa sobre:
  • planejamento e organização no estudo para concursos
  • como aprender mais em menos tempo
  • como ter mais concentração e produtividade
  • como memorizar as informações
  • como aplicar esse aprendizado na hora da prova
Com o aprendizado nessa pesquisa, desenvolveu a chamada técnica de aprendizagem acelerada. Ele finalmente tinha descoberto a fórmula para aprender mais e melhor do que os outros candidatos e em menos tempo.
O resultado disso é que aplicou essa técnica ao se preparar para o Concurso do TCU e superou uma concorrência de 5.000 candidatos para 9 vagas.
Foi aprovado e nomeado no cargo de Auditor Federal de Controle Externo do TCU.
Esse cargo é um dos mais almejados do país, já que oferece remuneração inicial acima de R$ 22 mil, excelente carreira e diversos benefícios.
Mas é aí que você vai se surpreender:
Algum tempo depois o Victor Ribeiro pediu exoneração desse cargo para se dedicar integralmente à carreira de coaching para concursos.
Largou um excelente cargo público para ensinar as técnicas de aprendizagem acelerada e ajudar outros concurseiros a também a conseguirem a aprovação.

Desde então, tornou-se um dos melhores coachings para concursos do país e criou o programa de treinamento Estratégias de Aprovação Evolution.
É especialista em aprendizagem acelerada e memorização aplicados a concurso. Já ajudou mais de 700 candidatos a serem aprovados em cargos que pagam salário de R$ 2.500,00 a R$ 25.000,00 por mês.

Victor Ribeiro na Mídia

Constantemente é convocado para Congressos e Eventos nas área de aprendizagem, alta-performance e coaching para concursos.
Também já deu entrevistas nas principais emissoras do país.

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O que é o Estratégias de Aprovação Evolution?

Trate-se um programa de treinamento interativo na modalidade online em formato de vídeo aulas. É constituído de 8 módulos que ensinam o passo a passo, com riqueza de detalhes, como aprender de forma efetiva, em três pilares:
1- Planejamento: neste pilar você vai se organizar para que o conteúdo do seu edital seja totalmente visto. Vai programar suas sessões de estudo conforme sua disponibilidade de tempo, escolhendo as melhores fontes, organizando seu horário e traçando indicadores para a prova;
2- Aprendizagem acelerada: esse é o pilar em que se aprende a aprender, as técnicas necessárias para otimizar a sessão de estudo. Vai ter acesso a ferramentas de leitura, anotações, memória e aprendizagem para fazer com que você domine em uns 6 meses o que sua concorrência leva mais de um ano e meio.
3 – Estado Ninja de estudo: neste pilar, o curso te prepara para ficar com mais foco e concentração. O resultado é que você vai conseguir estudar durantes longos períodos com alta produtividade.
O curso oferece mais de 50 horas aula, Evento ao Vivo de bônus e um coaching em grupo em 6 sessões com o Victor Ribeiro.

O Estratégias de Aprovação Evolution Funciona Mesmo?

Victor Ribeiro é reconhecido como um dos melhores coachings para concursos do país. Abriu mão de um salário acima de R$ 22 mil para se dedicar ao ensino de técnicas de aprendizagem acelerada para outros concurseiros.
Atualmente, o Estratégias de Aprovação Evolution é realizado na modalidade online, mas no início o curso era presencial, em Brasília.
Só que o curso fez tanto sucesso que pessoas de todo o país começaram a procurar o Victor Ribeiro interessadas em participar do curso.
Entre esses alunos estava a Calácia Irleza, que era técnica de enfermagem em um hospital de base e trabalhava de 40 a 60 horas semanais.
Cansada dessa rotina, formou-se no curso de Direito e decidiu estudar para concursos. Seu objetivo era ser aprovada no cargo analista judiciário.
Matriculou-se e frequentou durante 1 ano e meio um dos cursinhos preparatórios mais caros do país.
E sabe qual foi o resultado disso? Calácia não conseguiu nenhuma aprovação. Pior do que isso: ela sequer alcançou a nota mínima para ter suas redações corrigidas.
Foi então que foi apresentada ao Victor Ribeiro por sua amiga Ana Porto, que fez o Estratégias de Aprovação Evolution e conseguiu ser aprovada no cargo de analista judiciário do TJDFT.
Incentivada pela amiga, decidiu dar um voto de credibilidade e investiu no curso.
Depois de participar do Estratégias de Aprovação, Calácia começou a aplicar as técnicas de aprendizagem acelerada. E, em menos de dois meses, teve sua primeira redação corrigida no concurso para o cargo de analista judiciário do TJDFT.
Calácia continuou estudando e aplicando as técnicas aprendidas com o Victor. E 4 meses depois superou uma concorrência de quase 22 mil pessoas para 10 vagas e alcançou sua primeira aprovação em um concurso, para o cargo de analista do MPU.,
O Estratégias de Aprovação Evolution já funcionou para mais de 700 concurseiros. Eles fizeram o curso e foram aprovados e nomeados nos maiores concursos do país, inclusive nos primeiros lugares.
Assim, não tenho dúvidas em afirmar que o Estratégias de Aprovação Evolution funciona!
Mas, em razão dos resultados alcançados pelos alunos, as vagas do curso se tornaram bastante concorridas.
Como as inscrições abrem no máximo três vezes por ano, há uma fila de espera para a próxima turma com milhares de pessoas disputando poucas vagas, que se esgotam rapidamente.
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Vale a pena o investimento você pode confiar no trabalho do Victor Ribeiro, que é um coach para concursos sério, competente e reconhecido no mercado.

Como o curso vai te ajudar

Você está começando do zero a estudar para concursos públicos e está sentido perdido no meio de tantas informações? Ou já estuda há algum tempo mas ainda não conseguiu resultados?
Não importa o nível que você esteja, seja iniciante ou experiente. Depois que fizer o curso você vai dominar técnicas de aprendizagem acelerada testadas e aplicadas com sucesso por mais de 600 aprovados.
Você vai aprender técnicas de estudo, planejamento e organização para conseguir estudar todo o conteúdo do edital de forma rápida e eficiente. E vai conseguir isso mesmo que tenha pouco tempo disponível.
Você vai ter acesso a ferramentas de leitura, anotações, memória e aprendizagem. E isso vai fazer com que você domine em uns 6 meses o que sua concorrência leva mais de um ano e meio.
Além disso, você vai ficar com mais foco e concentração, tendo como resultado deixar seu tempo de estudo mais produtivo e eficaz.
Você vai fazer parte um grupo exclusivo de concurseiros que tiveram acesso ao que melhor existe de aprendizagem acelerada e planejamento estratégico aplicados para a aprovação em concursos.
E o resultado disso é que você estará em outro patamar. Você estará entre os concurseiros que conseguem os melhores resultados no menor tempo possível.

Mas é fórmula mágica?

Mas lembre-se: no curso você não vai aprender nenhuma fórmula mágica para passar em concurso público, pois isso não existe.
Você vai aprender técnicas de estudo, organização, planejamento, memorização e concentração que são fruto de anos de pesquisa do Victor.
Essas técnicas já foram aplicadas e tiveram o resultado comprovado por mais de 600 alunos do curso.

Como Cadastrar no Estratégia da Aprovação

Mas a má notícia é que as vagas do Estratégias de Aprovação Evolution são limitadas e extremamente concorridas.

As inscrições são abertas apenas três vezes por ano.
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Como o atendimento no curso é personalizado, o Victor teve que limitar as vagas para ter condições de interagir e acompanhar cada aluno de perto.
Para disputar uma vaga você deve cadastrar seu e-mail para ser avisado em primeira mão sobre a abertura de inscrições na próxima turma.
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O que é a Semana da Aprovação?

A Semana da Aprovação é o maior evento online do Brasil sobre estratégias de aprendizagem acelerada e planejamento para concursos públicos.
O evento é realizado pelo Victor Ribeiro e é 100% gratuito.
Trata-se de um treinamento rápido e introdutório em que são apresentados os principais fundamentos das técnicas de aprendizagem acelerada.
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Garanta sua vaga na próxima turma

Normalmente as vagas do Estratégias de Aprovação se esgotam em poucos dias ou até em poucas horas, como já aconteceu.
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Para cadastrar seu e-mail e receber o aviso da abertura de vagas é bem simples! Basta seguir os passos abaixo:
Clique no link abaixo para acessar a página oficial do Victor Ribeiro: CLIQUE AQUI E ACESSE
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Em seguida, clique no botão verde “Fazer minha inscrição”
Depois disso é só checar seu e-mail e confirmar sua inscrição.
Pronto! Você terá acesso liberado à Semana da Aprovação! E ainda será avisado pelo Victor assim que a próxima turma se abrir.
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