Mortes no meu bairro

Minhas tentativas de arrumar uma namorada...

2020.10.21 23:06 Biell2015 Minhas tentativas de arrumar uma namorada...

[Primeira]Eu conheci essa menina em uma mesa de uma escola, eramos de turno diferentes, e eu basicamente vi que tinha umas coisas escritas na mesa, ai eu escrevi uma frase que não me lembro, mas era romântica (eu acho), ai uma das amigas me respondeu no outro dia, e fomos conversando (eu e a amiga dela, eu descobri isso depois) ate que eu deixei meu numero na mesa, e depois no outro dia eu recebi umas mensagens no whatsapp de uma da amigas dela, no inicio elas estavam me zuando (descobri depois), mas depois teve um dia que os turnos se juntaram e eu conheci elas e eu comecei a gostar dela realmente (eu não sabia que na verdade eu tava falando com a amiga dela nas mensagens kkkk), ela sabia que eu gostava dela (não sabia diretamente por mim), mas mesmo assim ela não fazia esforço para me " "ajudar" ", sempre no meio das(os) amigas(os) dela, e então eu nunca consegui dizer que gostava dela.

[Segunda]Essa outra da para resumir bem, ela estudava na mesma avenida que eu estudava nessa escola que eu citei acima, ela pegava o mesmo ônibus que eu, e morava no mesmo bairro que eu. Nunca consegui falar com ela no ônibus e nem na estação de ônibus. Achei o facebook dela e conversei com uma amiga dela (provavelmente por isso o namorado dela começou a aparecer frequentemente, e eu recebi a ameça que eu cito mais afrente...) e recebi uma boa lição nessa historia kkkkk, basicamente ela já tinha namorado, e o amigo dele me ameaçou de morte, fim kkkkkk.

[Terceira] Apresentado por um amigo, ela gostava das mesma coisas que eu (animes e cultura japonesa e lol), foi muito incrível (meio amargo agora....) a nossa primeira conversa, conversamos em japonês (google tradutor e claro), foi mais ou menos no meio da história que meu amigo me levou na casa dela para conhece-la (só a tinha visto por fotos, e meu deus, a sensação de ver alguém que você gosta pela primeira vez e surreal), e como eu tinha contado para ela no whatsapp que eu nunca tinha beijado nenhuma garota, ela tinha dito que iria tirar meu bv naquele dia, com certeza (pensando bem agora, e juntando com as coisas que eu vou disser mais a frente, ela não tirou o meu bv porque gostava de mim, acho que foi mais porque, sei la, deve ter gente que curte tirar a virgindade das pessoas, e têm prazer fazendo isso). Depois disso eu gostei cada vez mais dela, e queria vela cada vez mais, mas eu não podia, porque ela morava com apensas com a mãe, e la não gostava disso, ate por motivos de traumas da filha, então era ela muito protetora da filha, então eu ia na casa dela (ela morava perto, cerca de 1 km, eu ia a pé) quando ela estava indo para a escola, e como eu irei explicar? não lembro exatamente das quantidades de vezes que eu fui la, provavelmente umas 3? (que eu realmente vi ela, porque eu fui mais vezes e nessas vezes eu não vi ela, ou ela saiu mais cedo e etc). E eu não me lembro da ordem do eventos, mas basicamente na primeira vez ela não me notou (ou não qui notar de primeira), na segunda se eu não me engano ela estava atrasada então foi muito rápido, e alguém chegou para buscá-la, e nos não podíamos nos abraçar demais, e entre a segunda e a terceira, nos brigamos por causa que ela não queria uma apresentação formal a mãe dela e eu disse algo (eu juro que não me lembro, pode ser que eu tenha passado dos limites dizendo oque eu disse, ou pode ser que ela não tinha maturidade só para conversar, eu não sei, vai saber), e quando eu fui vela ela não queria que eu me aproximasse dela e o escolar buscou ela, e depois disso ela não me respondia mais, então aparentemente ela não gostava tanto assim de mim....

Como podem ver minhas experiencias com tentar arrumar uma namorada não são muito boas, e como eu sou tímido, antissocial e introvertido, eu acho que eu não vou arrumar uma tão facilmente, já que as minhas tentativas ou foram por amigos ou por uma escola, e como eu já me formei, então não tenho nenhum lugar para tentar, e eu também não tenho amigas, e as minhas experiencias com as minhas amigas são parecidas com tentar arrumar namoradas, todas desapareceram, como se não se importassem, e ninguém tentou me contatar de volta, eu acho que o problema sou eu, sei la, não fui feito para essas coisas, acho que eu deveria ficar na minha mesmo, com meus próprios pensamentos, como um bom introvertido, não sei nem porque estou escrevendo isso e postando....
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2020.10.05 22:48 AdsonLeo [Encontro Miojo] Um Ato Caloroso (5º Level, D&D 5e)

Olá de novo Redditors! Mais um encontro/aventura rápida para vocês. Esta em particular relevante no momento e creio ser interessante para aqueles jogando a nova aventura Icewind Dale: Rime of the Frostmaiden. Como sempre ela está no meu blog Sopa de Dado, juntamente com todas as outras.
Esta aventura é equilibrada para um grupo de 4 personagens de level 5. O primeiro encontro será trivial, o possível segundo encontro é desafiador. Habilidades recebidas a partir deste level também são essenciais para a resolução da aventura por completo. Caso decida ignorar o encontro com Korazion ou a possibilidade de sua re-animação (descrito nas sessões "Korazion" e "Um Amuleto de Gratidão"), o combate com Vaghar (em "Uma Visão de Arrepiar") é equilibrado para um grupo de 4 personagens de level 2, sendo este o novo nível de desafio desta aventura.
Nomes em negrito se referem a criaturas encontradas em material de D&D 5ª edição e serão seguidos por uma notação entre parênteses com o nome do livro e página em que se encontram.

Localidade

Adivinha? Qualquer cenário que você goste de mestra! A vila, cidade ou bairro, como imaginado por mim, deve ficar em uma região congelada, assolada por nevascas. Um cenário ideal seria durante a aventura Icewind Dale: Rime of the Frostmaiden, acontecendo próximo a qualquer uma das Dez Cidades. Porém, como sempre, a aventura é sua quando decide corrê-la. Faça alterações como achar necessário e a utilize da forma que bem entender.

Resumo

O grupo é contratado para encontrar a tumba de um antigo rinoceronte de pelos brancos que caminhava pela região anos atrás. Hoje, o corpo congelado é uma prometida fonte de aventuras e desafios no meio da tundra impiedosa. Ao chegar lá, pede o contratante, eles devem retirar um tufo do pelo do animal e trazer de volta.
O rinoceronte enorme está congelado mas em perfeito estado, Seu corpo se projeta da neve, meio soterrado, e é protegido por um de sua prole. Este fica com o corpo a todo custo, mas é compreensivo caso os aventureiros não apresentem objetivos maléficos. Ao final, é possível reviver o gigante de eras passadas e reunir a família. E, quem sabe, sair de lá com um belo presente.

Pegando a Missão

O corpo congelado de um antigo rinoceronte é uma das maiores histórias da cidade. Porém, dado o clima selvagem e um de seus descendentes protegendo o moribundo, poucos se atrevem a ir lá. Os representantes políticos e religiosos não permitem que o guardião seja morto, uma vez que cumpre papel importante no ecossistema local. Além disso, o monumento congelado que é o corpo do rinoceronte faz parte da própria cultura, antes lenda caminhante, hoje combustível de histórias.
Um contratante busca os aventureiros para uma missão de busca e coleta. Ele diz precisar de um tufo dos pelos do rinoceronte congelado, conhecido como Korazion. Apenas um tufo, para uma receita de poção mágica, e está disposto a pagar 250 Pesos de Ouro pelo item. Ele informa que o corpo se tornou protegido pelo próprio frio e que será necessário uma lâmina mágica para cortar o pelo do corpo congelado.
Uma informação importante, também passada pelo próprio contratante, é que o guardião não deve ser machucado em hipótese alguma. Os personagens (e jogadores) devem ser criativos para lidarem coma criatura sem a colocarem em risco.
Se os aventureiros não tiverem forma alguma de gerar uma arma mágica por si só, como com a magica Magic Weapon, e não possuam uma já encantada a solução mais fácil é o próprio contratante emprestá-los uma Adaga +1. De toda forma, haja como julgar melhor.

A Jornada

A viagem até o lugar pode durar quanto tempo você achar necessário. Fato é que faz muito frio, o vento congelando até os ossos e tomando para si narizes, orelhas, dedos e outras partes do corpo que estiverem expostas. É necessário o uso de roupas quente o suficiente - casacos, luvas e botas grossas, dentre outros - que podem ser comprados por 10 Pesos de Ouro. Caso o grupo não possua tal equipamento será necessário, ao longo da viagem, a rolagem de uma salvaguarda de Constituição com CD 10 a cada hora de marcha. Numa falha o personagem recebe um nível de Exaustão.
Todo o caminho também conta como terreno difícil, diminuindo pela metade o deslocamento dos personagens tanto em marcha como em combate. Essa penalidade é ignorada caso utilizem sapatos especiais para caminhar na neve. Estes sapatos não estão inclusos no equipamento descrito no parágrafo anterior e custam por si só 2 Pesos de Ouro.

Uma Visão de Arrepiar

Do meio de uma clareira perfeitamente redonda, apesar de natural, se projeta o corpo de um rinoceronte de tamanho enorme. O pelo branco está duro de gelo e suas patas estão cobertas de neve. Apesar disso o que está exposto é mais que o suficiente para fazer os personagens imaginarem como o chão chacoalhava com os passos de Korazion. Estacas de gelo pendem de sua poderosa mandíbula e o chifre, lustrado pelo gelo, reflete os raios de luz. Os olhos, ainda abertos, parecem exibir uma astúcia que poderia derreter a própria neve.
De frente a estátua viva fica uma rinoceronte, rhinoceros (Monster Manual, 336), também coberta por pelagem branca. Esta, muito menor que o congelado, é parte de sua prole e, há anos, protege o cadáver de seu pai. A criatura é pacífica, porém assume posição de ameaça contra qualquer um que perceba entrar na clareira. Durante o dia patrulha o local e se alimenta da vegetação presente. Durante a noite descansa logo ao lado do monumento.
O grupo pode vir com varias ideias para lidar com a guardiã sem machucá-la. Haja como achar melhor dependendo da que escolherem. Eles podem tentar agarrá-la - para isso peça testes de Força (atletismo) contestado pela rinoceronte, ou considere que personagens com um valor de Força somado que iguale ou exceda a da própria criatura são suficientes para segurá-la no lugar. Outra estratégia é atraí-la para a borda da clareira utilizando comida e outras iscas enquanto alguns dos aventureiros se esgueiram pelo outro lado ou chegar ao local durante a noite - neste caso considere a percepção Passiva da rinoceronte (11) como CD e peça por testes de Destreza (furtividade).
É possível ainda paralisar a rinoceronte, encantá-la, fazê-la dormir ou mesmo conversar pacificamente com o uso de magia e testes de Sabedoria (Lidar com Animais). No caso de ser chamada para um diálogo o animal se identifica como Vagha, filha de Korazion, e fica na defensiva e pouco amigável de início, acreditando que estes aventureiros querem provocar mal à estátua e ela. Se o grupo conseguir convencê-la do contrário, ela permite que eles retirem um tufo de pelo. "Isso se conseguirem cortar uma das bela madeixas do meu poderoso pai, kekeke" diz. Em troca ela pede apenas que deem uma olhada nas estranhas marcas presentes no corpo. Korazion não possuía aquilo quando vivo.
Se de tudo ainda houver uma luta, Vaghar vai até a morte.
*Se achar mais interessante e quiser modificar o encontro, ambos rinocerontes podem estar sob o efeito da magia Awaken. Esta magia confere à eles um valor de Inteligência igual a 10 e a capacidade de falar Comum ou alguma outra língua de sua escolha*

Korazion

Este rinoceronte de pelos brancos é enorme. Utilize o stat block do mammoth (MM, 332) para ele. Apesar da visão impressionante, quando em vida Korazion era uma criatura tranquila e apenas atacava para proteger a si, outros animais e à mata. Como guardião local ele era muito respeitado por todos os moradores locais, humanos ou não.
Korazion foi morto por figuras misteriosas há poucos anos e seu corpo não apresenta nenhum sinal de decomposição ou mesmo queimaduras de gelo. Na verdade o rinoceronte está sob um efeito mágico similar ao da magia Gentle Repose, que impede sua carne de decair e ainda permite que seja trago de volta à vida.
Os aventureiros podem notar isso através de runas presentes no chifre do rinoceronte que remetem à escola de Necromancia ou com a magia Detect Magic, sob o escrutínio da qual todo o animal apresenta uma aura de supracitada escola. Se o efeito for desfeito, como com Dispel Magic, Korazion não mais pode ser revivido.
Se desejarem, eles podem trazer a criatura de volta à vida. Uma magia como Revivify é o suficiente. Vaghar, se perguntada sobre isso, não sabe nada sobre magia mas ficaria extremamente feliz se o pai voltasse da morte.

Um Amuleto de Gratidão

Caso decidam por realizar a magia e trazer Korazion de volta, ambos rinoceronte ficam contentes com o reencontro. A medida que o gelo derrete magicamente e os movimentos voltam, Korazion se espreguiça e arrisca alguns passos antes de dirigir a palavra ao grupo. Ele está sob o efeito da magia Awaken e estranha os aventureiros a princípio, mas logo reconhece que foram eles seus salvadores.
O revivido guardião é grato pelo ato e permite a retirada de um tufo de seus pelos. Questionado sobre quem o matou e o deixou naquela situação ou sobre o druida que o deu consciência ele não se lembra (caso esteja utilizando esta aventura juntamente com Icewind Dale: Rime of the Frostmainden, este druida pode ser Ravisin. Neste caso Korazion pode se lembrar e passar informações como você achar apropriado).
Se após voltar Korazion ver sua filha machucada, ele entra em fúria mas é racional e pode ser apaziguado se tudo for explicado da forma certa (assumindo que houve uma luta mas Vaghar e o grupo se entenderam depois). Todo teste de Carisma feito com esse objetivo o é com vantagem graças a ajuda da própria Vaghar.
Com Vaghar morta Korazion parte para cima com tudo. Se achar necessário dê uma oportunidade para todos fugirem. O rinoceronte prefere ficar na clareira velando sua prole e apenas aterroriza o grupo para fora do lugar.
Como informado, o pelo de Korazion não se parte sob nenhuma circunstância a menos que uma arma mágica de dano cortante seja utilizada, esteja ele congelado ou vivo. Com relação a isso nada ele pode fazer se vivo. Se Korazion for morto o pelo dele pode ser cortado normalmente por qualquer lâmina.
Caso tenham revivido Korazion e retirado o tufo após isso, este item, ao ser usado como acessório, atua como uma Gloves of Ogre Power. É possível perceber isso com Detect Magic, Identify ou efeito similar. Ao ser separado do corpo, o pelo adquiriu propriedades mágicas, e basta utilizá-lo como colar, enxertado no próprio cabelo ou barba ou de alguma outra forma que você julgar apropriada. Se mais tufos forem retirados não acontece o mesmo. Esse foi imbuído magicamente graças ao fato de Korazion ter voltado à vida e sua forte gratidão ao grupo. O pelo retirado do corpo morto ou ainda congelado não sofre o mesmo.

Concluindo a Missão

O contratante paga como prometido os 250 Pesos de Ouro pelo tufo, seja ele mágico ou não. Ele não pretende oferecer mais, mesmo que os aventureiros mostrem que o item é valioso. Por ele que estes mercenários fiquem com isto! Só queria fazer sua poções estranhas com ingredientes exóticos.
Caso tenha corrido esta aventura para um grupo sem acesso a magias que poderiam reviver Korazion, ou que no momento não possuíam os componentes certo, você pode disponibilizar clérigos que cobrem pelo serviço ou lojas que vendam tais componentes. Se não foi dissipado, o efeito mágico que o mantém em suspensão permite que o grupo volte ao local num outro dia.

O Que Vem Depois?

Gostou da aventura? Tem alguma crítica, elogio ou sugestão? Deixe um comentário! Se tiver usado alguma ideia apresentada no texto comente aí como foi, adorarei ler como tudo se deu na sua mesa. Até a próxima.
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2020.10.02 05:18 proxy019 Black psycho - morte subita (historia original)

-oi , meu nome é Even atualmente tenho 19 anos, mas vim aqui para contar a minha historia, entao..tudo começou quando eu tinha 11 anos ...
Eu tenho heterocromia e uma doença desconhecida que faz meu olho sangrar, tinha acabado de entrar em uma escola nova e realmente naquela escola não tinha nada de diferente ..professores, alunos e como sempre pessoas para fazer bulling comigo , essas pessoas se chamavam : Mark , Kevin e James eles nunca me deixavam em paz.
"-Hey diferentona , porque não arranca esse olho de uma vez ?! Você é uma aberração ! Nunca deveria ter existido, seus pais devem estar completamente deprimidos por voce ter nascido , ah é verdade você não tem pais hahaha"
Pois é , meus pais tinham morrido em um acidente e eu fui morar com a minha tia. Ela era muito liberal sempre me deixava sair a hora que eu quisesse , então basicamente enquanto eu estou fora significa que ela tinha "se livrado" de mim eu não me importava com isso obviamente. Eu sempre pensei que na minha vida nada iria mudar ate eu me formar e arrumar um emprego , mas pelo visto me Enganei, no 7° ano (14 anos) eu conheci um garoto legal e gentil ficar perto dele me fazia me sentir viva e eu não entendia o porque , ele sempre me apoiou, mesmo sendo julgado por andar comigo , sim...pela primeira vez eu tinha um amigo (o que era raro pra mim já que eu não me enturmava muito bem)....
lembranças
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(James) -kevin, quem é aquele cara com a esquisita ?!
(Kevin) -não faço a menor ideia , mas não gostei dele. Mark , De um jeito naquele cara !
(Mark) -sim.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(Mark) -Ei , você !! VEM AQUI !
(Eu) -Timothy não vá ! Ele vai te machucar
(Tim) -vai ficar tudo bem
(Mark) * tenta dar um soco * Timothy desvia e ele acaba acertando a parede , enquanto isso tim segura seu pulso e soca a sua barriga .
(Tim) -Volte e fale para seus "amiguinhos" que eu cheguei na escola e que enquanto eu viver esta garota não vai ser o saco de pancadas de vocês ! (Ele sussurra no ouvido de Mark )
(Kevin) -QUE ?!! QUEM ELE PENSA QUE É PARA FALAR ASSIM COM A GENTE ??
(James) -temos que dar um jeito de separar ele da even e por um fim nisso !
(Kevin) -primeiro , eu que mando aqui ! Segundo , esqueçam a Even nosso problema e com aquele "tim"
os outros 2 apenas concordam balançando a cabeça
enquanto tim batia no mark eu o observei sem entender nada do porque ele estava protegendo uma pessoa que acabou de conhecer ..no fim do dia nos conversamos bastante para nos conhecermos melhor
(Tim) -me diz, oque é isso no seu olho ? sempre foi assim ?
(eu) -na verdade nao , ele começou a sangrar quando eu tinha 5 anos
(Tim) -e tem cura ?
(eu) -nao....
(Tim) -ouh....desculpa
(eu) -tudo bem , mas eu presciso ir para minha casa agora
(Tim) -a, ok
(eu/pensamento) -acho que foi grosseiro ter ido embora e deixado o tim sozinho logo apos ele ter me ajudado.. bem , agora é tarde acho que ele vai perceber com quem esta andando e vai me iguinorar como todos os outros
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(na minha casa , 10:00 da noite)
(eu/pensamento) -nao ...sera que ele realmente vai me abandonar um dia ?? eu ....NAO é melhor eu parar de falar besteiras e ir dormir ! ele nunca faria isso nao é ?! ....se bem que nos conhecemos hoje ..nao ! eu vou dormir !
apago as luzes
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(2 messes depois do tim ter entrado na escola ninguem mais fazia bulling comigo)
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(james) -tem certeza que vamos ter que fazer isso ?
(kevin) -nao questione ! vamos fazer como eu falei
(mark) -isso esta indo longe demais ...
(kevin) -eu nao te perguntei
(mark) -sim!
mark e kevin tentaram ajudar james mas quando viram era tarde demais , kevin deu um soco no rosto de tim o fazendo cair no chao , e logo apos os 2 correram .
Fiquei paralizada por 1 minuto e quando vi o tim se aproximar completamente sujo de sangue eu tentei me afastar de la mas ele segurou meu braço falando :
"-nao tenha medo , nao vou te machucar e voce sabe disso", eu ainda estava em choque pelo oque avia acontecido , mas ele me abracou e eu pude sentir o coraçao dele, prometi nunca contar nada pra ninguem e manter tudo em segredo , com o passar dos anos ele me ensinou a me defender para evitar os "ataques" daquele "grupinho" .
(3 anos depois) (17 anos)
ambos tinham se tornado mais fortes como se estivessem prontos para uma guerra. kevin deixou bem claro que queria "falar" com gente as 3 horas , como eu sei disso ? ele jogou uma pedra na minha janela escrito isso , e com "falar" provavelmente é com os punhos ...se ele acha que vai ser tao facil assim ele esta enganado hehe....
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(as 3h em um Bosque no meu bairro)
(tim) -tem certeza que é aqui ?
(eu) -era essa a localizacao escrita na pedra -w-
(tim) -rsrrssrsr
(kevin) -EI , OTARIOS !!
(eu) -olha quem finalmente chegou * me viro para olhar para o ele *
(kevin) -VAO !!!!!!!!!!
cada um deles estava armado, eu levei um tiro no ombro mais chutei o braço de um deles e peguei as armas , sai atirando contra tudo que eu vi pela frente , devo ter matado 4 deles enquanto tim matou 5 , (kevin tinha levado 2 tiros na perna e Mark 1 no braço ) o ultimo "capanga" que estava vivo tentou atacar tim por tras ele desviou e eu o matei so que esse homem era uma distraçao e por um momento eu so escutei o tiro e o corpo caindo ,me virei e....vi o corpo do tim no chao eles aviam o cercado e deram 2 tiros na cabeça dele ,eu nao aguentei ver meu amigo morto e desmaiei ..quando acordei estava em um hospital os medicos falaram que sobrevivi por muito pouco , tentei saber oque havia acontecido com o tim e eles falaram que o corpo nao foi encontrado , eu fiquei em panico como ele nao viram o corpo ?? estava muito bem exposto ! ...antes que eu pudesse falar algo eles disseram que eu tinha que passar por uma ultima cirurgia para tirar a bala que tinha ficado no meu ombro ...
(1 semana depois)
eu recebi alta e a primeira e unica coisa que eu fiz foi correr ate o local da briga e realmente nao tinha sinais do corpo do tim, continuei procurando mas sem sucesso, completamente triste pelo oque aconteceu eu resolvi passar pelo lago que eu e ele treinavamos..... e olhando para aquele lago pude ver la no fundo o corpo do tim ,eu finalmente entendi ,para eles nao serem pegos jogaram o corpo dele no lago e me incriminaram ...presciso fugir daqui rapido , mas perante o seu corpo tim eu juro, EU VOU TE VINGAR !
andando pelo bosque eu escontrei uma caverna em que eu podia me abrigar ...
5 dias se passaram....
eu sequestrei o kevin e o levei para a caverna , nesta altura de como as coisas estavam eu ja nao tinha mais sanidade mental , eu o amarrei em uma arvore (perto da caverna) , peguei minha faca , tapei a boca dele com um pano e começei a rasgar sua pele ...abri os seus 2 braços e arranquei um osso de cada um deles , com os seus proprios ossos furei os olhos e abri a barriga dele e arranquei o seu rim , tirei o pano da sua boca e coloquei o rim nela, desamarrei ele da arvore e quebrei suas pernas e comecei a descrever a situaçao do seu amigo para kevin ja que ele estava cego , Mark estava esquartejado e com seu cerebro retirado do seu corpo...minhas ultimas façanhas com kevin foram retirar suas tripas e o inforcar com elas, quando estavam completamente mortos os joguei um pouco longe de mim para os animas selvagens devorar os corpos, quando achei que iria passar a morar naquela caverna , uma figura alta e sem face apareceu atras de mim e me teletransportou para um lugar cheio de assasinos onde me mandou chamar de "lar".
(Eu/pensamento) bem...vinguei a morte de tim , fugi do meu sofrimento , e ganhei uma nova vida com pessoas que me entendem , acho que não presciso de mais nada ...mas daria de tudo para Timothy ainda estar aqui comigo....
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2020.10.01 23:53 AdsonLeo [Encontro Miojo] Dia de Pesca (3º Level, D&D 5e)

Olá pessoal do Reddit! Deixarei aqui mais um dos meus encontros rápido. A ideia é um encontro ou aventura curta que você possa ler e estrar pronto para correr em pouco tempo, por isso "Encontro Miojo". Espero que gostem! A postagem original está no meu blog Sopa de Dado.

O calor está demais e ninguém aguenta fica de frente o fogão nessas condições. Então é dia de miojo! No encontro de hoje os bons e velhos kuo-toa aterrorizam mais uma vila desavisada. Este ficou mais parecido com uma curta aventura que apenas um encontro em si, mas ainda está no tema.
Como sempre com aventuras prontas use como bem entender, mas tendo em mente que ao corrê-la para grupos maiores ou menores e em níveis diferentes o desafio pode ficar significativamente mais fácil ou difícil. Se decidir utilizar este encontro ou elementos dele peço apenas para que dê crédito ao blog e ao autor, no caso eu.
A aventura a seguir é equilibrada para 4 personagens de level 3 e busca oferecer um desafio considerável. Tenha em mente que qualquer configuração diferente desta pode aumentar ou diminuir drasticamente a dificuldade do encontro.
Nomes em negrito se referem a criaturas encontradas em material de D&D 5ª edição e serão seguidos por uma notação entre parênteses com o nome do livro e página em que se encontram.

Localização

Novidade! Qualquer vila ou bairro de cidade no seu cenário preferido. Desta vez não escolhi nomes para deixar mais genérico. Os preencha como quiser, o que importa é a aventura em si. Alguns locais podem ser mais específicos, como a taverna. Se necessário for faça alterações neste local, mas boa parte dos cenários devem a acomodar em algum canto sem muito problema.

Resumo

Moradores locais estão assustados com as lendas de infância tomando forma. Homens peixe caminham pelas ruas e invadem as casas para assustar as crianças, roubar as relíquias de família e envenenar a água. O CHEFE DA VILA busca os aventureiros para que eles encontrem essas criaturas e lidem com elas.
Logo o grupo descobre que kuo-toas fizeram morada no poço local e, de lá, escutam atentamente sobre artefatos capturados pelas redes dos pescadores. Tais artefatos são chave para seus rituais macabros. Assim, ao ouvirem sobre mais uma estranheza retirada da lama do rio, os homens peixe se despacham para a vila em busca das peças de seu sinistro quebra-cabeças.

Recebendo a Missão

Não demora muito para o grupo ser abordado por uma figura de respeito da VILA. Esse CHEFE pede para que eles os ajudem com o problema dos homens peixe. Segundo ele, moradores tem visto homens peixe caminhar pelas ruas e invadir algumas das casas. Ninguém foi morto, ainda, mas as criaturas roubam itens e, em algumas, envenenam a água para adoecer as pessoas. Ele oferece a recompensa de 100 Pesos de Ouro para o grupo.
Caminhando pela VILA, um lugar de fantasia medieval padrão, exceto pela Taverna Boca de Poço. Este bar, onde pescadores e população geral se reúnem para beber, comer e conversar, fica a céu aberto, com o vento constantemente trazendo o cheiro de peixe e carregando as fofocas do dia. O nome vêm do fato de ter sido estabelecido próximo ao poço onde a maioria das pessoas pega água e uma barraca que o dono monta e desmonta todos os dias serve de balcão para as mesas e bancos desgastados pelos elementos. Não é raro um forasteiro levar um belo tombo por não verificar antes qual banco está ou não sólido o suficiente.
Neste lugar os aventureiros podem ouvir os seguintes boatos:

  1. Homens peixe assombram as ruas e muitos dizem vê-los dentro de suas casas roubando suas coisas. A maioria dos roubados são pescadores. É a vingança por matarem os peixes do rio!
  2. Algumas pessoas têm ficado doentes desde que começaram as aparições de homens peixe. A culpa, obviamente, é deles que envenenam a água nas casas!
  3. Pescadores locais trazem de volta do rio itens curiosos, como pedaços de louça. Alguns os vendem, outros os exibem nas tavernas e a maioria os emolduram na sala de casa. Isso ocorre há uns bons meses já, bem antes da aparição dos homens-peixe.
  4. PESSOA 1 e PESSOA 2 trouxeram a rede esticada hoje. Muito peixe e com certeza outras preciosidades do fundo do rio.
  5. Os homens peixe roubaram o pedaço de louça que o pai de PESSOA 3 encontrou. Era o primeiro da vila!
  6. A Taverna abre todos os dias, exceto no terceiro dia da semana. O que é uma pena, é o dia em que não dá para se saber de nada na cidade.
Estes boatos podem ser dados como achar necessário por qualquer NPC, importante ou não. E não necessariamente precisa ser feito no bar. A cena na taverna, porém, serve para mostrar que alí é um local onde as fofocas vêm e vão.
O grupo então pode decidir por variadas linhas de ação. Responda como for necessário, mas o mais básico e provável de ser necessário é coberto aqui.
Caso decidam investigar uma ou mais das casas invadidas a maioria dos anfitriões são receptivos e transmitem a informação necessária. Infelizmente não é muito, nada mais que "Eu vi os homens peixe entrando mas fiquei com medo e não intervi", "Eles saíram com minhas coisas, até a dentadura da falecida tia-avó", "Reviraram toda a minha casa, e ainda deixaram o chão todo sujo".
Uma coisa em comum entre a maioria dos locais é que ou eram casas de pescadores que recuperaram pedaços de louça do rio ou de quem os comprou. Isso passou despercebido pelos moradores, tanto pelo fato de as invasões terem começado muito depois dos artefatos aparecerem e também por nem sempre o ataque ser certeiro. Muitas vezes invadiram uma casa depois da peça ser vendida ou uma que nada tinha a ver com isso. "Não teria como eles errarem, teria? São criaturas mágicas! Magia pode falhar!?" diz um dos moradores se questionado sobre esse fato.
Nenhuma das casas apresenta pegadas, uma vez que muitos dias se passaram desde o último ataque. Mas, como ouviram das pessoas, uma pesca foi bem sucedida hoje. Logo, é possível que essa noite hajam ataques.
Assim, o grupo pode montar rondas na casa de PESSOA 1 e 2 e aguardar pelos homens peixe. Como ouviram, estes indivíduos fizeram uma grande pesca e, aparentemente, junto vieram pedaços de louça. Os dois não se opõem à segurança particular de um grupo de mercenários. E, de fato, nesta noite uma dupla de kuo-toa (MM, 199) tenta invadir uma das casa. Caso o grupo tenha se separado apenas um deles presencia o ataque. Caso tenham escolhido por uma das casas esta é justamente a certa. Que sorte... dos aventureiros, do morador nem tanto.
Se os dois kuo-toa forem impedidos de invadir o local eles tentam se esconder nos personagens e fugir para o poço; se impossível o for eles lutam até a morte. Caso consigam invadir e pegar qualquer coisa que se pareça com um dos pedaços de louça, eles fogem para o poço; se forem impedidos neste momento, mais uma vez, tentam dar perdido ou lutam até a morte. É possível seguir os rastros sem muito esforço, um sucesso em um teste de Sabedoria (Sobrevivência) ou Sabedoria (Percepção) de CD 10 é o suficiente.
Na ocasião de um (ou mesmo ambos) ser capturado, ele incialmente resiste a qualquer tentativa de interrogatório, o fanatismo visível nos olhos cristalinos e arregalados. Porém nada que a ameaça certa e um sucesso em um teste de Carisma (Intimidação) de CD 15 não resolva. O capturado revela, entre ameaças de danação eterna e morte afogada para todos ali, sobre a base no poço; os pedaços de louça serem dedicados à sua deusa, a Mãe do Mar, Blibdoolpoolp; e que os sacerdotes os querem para construir um altar à ela. Ele se recusa a revelar números ou guiar o grupo e morrerá antes disso.
Caso os jogadores se esqueçam, não pensem numa estratégia ou qualquer outra coisa ocorra que pareça travar a aventura um bêbado local pode falar, entre soluços de embriaguez, de como deuses antigos se vingam dos que mechem nas suas coisas e que PESSOA 1 e 2 estão condenados por terem pescado mais "daquelas coisas". Caso prefira, enquanto descansam ou discutem as pistas eles ouvem os gritos de socorro de moradores que tiveram sua casa invadida, o que colocará em movimento a busca pela dupla de kuo-toas. Se, depois da invasão ocorrer eles não tiverem nenhuma pista, o dia seguinte é um que a taverna não abre e é possível ver os rastro de pés estranhos e membranosos saindo e entrando dele. Conveniente.

Dentro do Poço

Os kuo-toa que fizeram morada no poço ouvem as fofocas através dos ecos que descem pelas paredes de pedra. Ao ouvir sobre os "pedaços de louça" eles tentam identificar quem o recuperou e vão roubá-lo durante a noite. Nem sempre têm sucesso, às vezes chegam depois de já terem vendido o artefato ou invadem a casa errada.
O poço possui 1,5 metros de lado a lado e um personagem médio pode descer se apoiando nos tijolos. A umidade os deixa escorregadio e um teste de Força (atlética) de CD 10 é necessário. Caso falhe, o personagem cai 9 metros em água rasa, levando 12 (4d6) de dano de contusão. Caso usem corda, ferramentas de escalada ou qualquer outra engenhosidade para descer o teste não é necessário e o sucesso é automático. Uma abertura leva à uma caverna.
A seguir há a descrição do que está presente em cada parte da "base" dos kuo-toa. Dimensões ou um mapa detalhado não fazem diferença. Faça como achar necessário ou use um mapa de sua preferência. Nenhuma das caverna possui iluminação e, graças a água presente, o lugar é considerado terreno difícil.

Primeira Caverna

A primeira sala é uma caverna pequena, onde um kuo-toa whip (MM, 200) fica sentado, de olhos fechados, ouvindo atentamente tudo o que ecoa pelo poço. Ele possui em sua cabeça uma tiara feita de espinhas de peixe e algas marinhas com uma cabeça de peixe, olhos esbugalhados e boca aberta, se projetando da parte frontal da tiara. Este é um item mágico que permite a este kuo-toa conjurar a magia Tongues 3 vezes ao dia, recarregando ao amanhecer. Ele os faz geralmente nos horários de maior movimento ou quando parecer conveniente. Ele exige attunement e pode ser obtido pelos personagens.
O kuo-toa whip fica ciente da presença dos jogadores a menos que estes tenham descido sem fazer barulho algum próximo ao poço. Ele grita para seus companheiros na próxima caverna e estes chegam no segundo turno de combate. No primeiro, o whip presente conjura Shield of Faith em si e tenta atrasar os personagens se agir antes na inciativa que a maioria. Caso contrário apenas começa a atacar os mais próximos.
Se os jogadores bolarem um plano que não alerte de jeito nenhum o kuo-toa whip ele estará sentado na água, de olhos fechado e prestando atenção atentamente ao sons vindo do poço. Caso queira pode pedir testes de Destreza (furtividade) com CD 16 (ou 21 se os personagens estiverem se movendo na água). Neste momento é possível despachar o kuo-toa-whip ou passar por ele até a próxima caverna. Ao ser alertado o descrito no parágrafo anterior acontece.

Segunda Caverna

Esta é maior que a anterior. Se não foram alertados e convocados para a primeira caverna, aqui estão presentes 6 kuo-toa e 1 kuo-toa whip, todos de joelhos rezando para um altar com a louça que foi partida em dezenas de pedaços e, pouco a pouco, é remontada. Substitua a cantrip Thaumaturgy do kuo-toa whip presente por Mending, que ele usa para restaurar a peça. Um ou dois destes 6 kuo-toa presentes são parte da dupla do ataque da sessão anterior caso tenham conseguido escapar.
A louça é feita de cerâmica e apresenta a imagem de um torso feminino com cabeça e pinças de lagosta, uma das representações de Blibdoolpoolp. Detect Magic ou similar não revela nada na louça. Ela está quebrada, ainda faltando alguns pedaços, e o valor estimado é de 75 Pesos de Ouro.
Em um dos cantos uma pilha meio submersa contém alguns itens roubados que se revelaram não ser parte da louça antiga. Pratos, xícaras, retratos pequenos e outro itens sortidos. Os moradores ficam contentes em receber de voltar as suas coisas perdidas.
Tenham sido convocados pelo kuo-toa whip à primeira caverna, percebido a aproximação dos jogadores ou alertados de qualquer outra forma, esse grupo luta até a morte. O kuo-toa whip desta sala foca em conjurar Bane nos jogadores ao invés de Shield of Faith em si ou algum companheiro. Os demais atacam sem piedade os jogadores, mirando nos mais frágeis ou fáceis de acertar. As redes são usadas sempre que possível e, ao capturar algum personagem, os ataques tendem a ser focados neste.
O grupo pode dar cabo de todos os inimigos presentes ou tomar uma linha de ação menos tradicional. Os kuo-toa estão dispostos a não lutarem se o trato for pelo menos um deles escaparem com a louça. Qualquer outra trégua não é aceita.

Concluindo a Missão

Se conseguirem lidar com os homens peixe e tenham provas, como os corpos ou a louça recuperada, o CHEFE DA VILA paga com prazer os 100 Pesos de Ouro e está disposto a oferecer até 50 adicionais pela louça da deusa Blibdoolpoolp. Todos ficam contentes, uma farra é dada na Taverna Boca de Poço e os ataques param.
Moradores que ainda possuem pedaços da louça em casa podem estar dispostos e se desfazer pela oferta certa.
Os envenenamentos não param. Nunca começaram na verdade, as pessoas apenas ficam doentes mesmo de vez em quando.

O Que Vem Depois?

Depende de você, DM!

Gostou da aventura? Tem alguma crítica, elogio ou sugestão? Deixe um comentário! Se tiver usado alguma ideia apresentada no texto comente aí como foi, adorarei ler como tudo se deu na sua mesa. Até a próxima.
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2020.09.16 13:30 samreachers Como quem guarda uma cidadela - Um conto sobre mães de desaparecidos

Como quem guarda uma cidadela - Um conto sobre mães de desaparecidos
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Fiz o bolo preferido dele, chocolate com recheio de chantilly. Todo ano eu faço seu bolo. Meu bebê. Que Deus cuide de você, meu anjinho!
Acordei cedo pra limpar o quarto dele. Avisei à dona Eurásia que não trabalharia; ela, cada vez mais velhinha e dependente, me pareceu entristecida ao telefone, mas entendeu. Sempre entende, desde o primeiro ano. Troquei a roupa de cama, passei pano no chão. Peguei pra lavar o velho boné da Porto da Pedra, onde ele era ritmista. Não era muito do samba, mas dizia que participava em memória do pai, um dos fundadores da escola, com quem só conviveu até os sete anos, que a cachaça o levou.
Hoje é o Dia Onze de Agosto, o principal dia da vida, o principal dia desse mundo morno. O dia do meu meninão. São oito anos que choro este dia, comemoro, me esparramo por dentro. Há oito anos que meu único filho, Godrigo, saiu de casa para se divertir. Iria a um baile funk, uma desgraça de baile funk, mas ele gostava. O baile era do outro lado da Baía de Guanabara, no bairro carioca de Vila Kennedy. Tanto baile aqui nos bairros de São Gonçalo, na Covanca, no Salgueiro... Foi sozinho, que meu menino era assim, tinha seus defeitos, mas não era de andar de patota.
Todos os anos, em janeiro e setembro, vou até a 34ª Delegacia Policial, em Bangu. Nunca há informações sobre o caso; mas não desisto, sou mãe, sou a persistência. Um dia o caso se esclarecerá... Ser mãe é não ter opção.
Na delegacia os policiais mudam, mas não o destrato. Devem aprender na academia, se é que isso existe. Ou desaparecidos há muitos, e eles já não se importam. Quem sabe é a velha norma pátria, a reação à cor de nossas peles, que define a saudação, seja sorriso, seja disparo, que se colhe?
Nos olhares arredios, de desinteressados a cínicos, percebo que querem, anseiam por dizer, ainda que num jato de vômito: “Seu filho está morto, dona. Pare de nos aporrinhar”. Mas não dizem. E que diferença faria? Sem corpo não há evidências, e eu mantenho minha esperança como quem zela pela própria honra, como quem guarda uma cidadela.
Quando faço café pela manhã, oito anos, meu Deus!, ainda me pego distraída, colocando pó suficiente para dois cafés. Um dia talvez ele entrará por aquela porta, e poderá estar sujo, fedido, esfarrapado; pode vir sozinho ou já com uma família, com um neto. Eu vou esperar. Um dia depois do outro.
Num sábado em maio, na véspera do Dia das Mães, fui a uma reunião de mães de desaparecidos. Lá ganhei um livrete de informações sobre a Ong que promovia o encontro, e no livrinho havia muitas frases sobre o que é ser mãe. Muitas delas tão bonitas que cheguei a decorar, e vou bordar num pano de prato para deixar na cozinha.
Em meio a tantas frases bonitas, uma ali me perturbou. Achei triste, mas depois entendi, alguma coisa em mim entendeu. E aquilo foi estranho, aquela frase me deu força, me amamentou. A frase é de uma pessoa chamada Maeterlink, não sei se homem ou mulher pois dela nunca ouvi falar: “As mulheres jamais se cansam de ser mães: embalariam até a Morte, se ela viesse dormir em seus joelhos.”
É difícil de entender. E ao mesmo tempo é isso.
Com o tempo uma mãe sozinha como eu, “viúva de pai e filho”, a quem o mundo lá fora tanto fez para apequenar, sem perceber vai ficando tão maior que a morte que quando dá por si já não a teme; vai cabendo nela que a morte não pode lhe arrancar o estado de mãe. Mesmo doído, o coração se agiganta, passa por sobre a morte e suas aparências como um trator.
Vivo ou morto, meu filho é eterno. Tudo se resume a uma medida de distância.
Uma mãe é tão maior que a morte que chego a sentir verdadeira piedade dos que não me entendem, dos que meneiam a cabeça quando me veem passar; sinto mesmo uma profunda pena desses que sentem essa tão rasa pena de mim.
Sammis Reachers
- https://marocidental.blogspot.com/
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2020.09.15 02:01 carretinha Sozinho, morando no meio do mato

Eu e minha namorada recentemente nos mudamos para uma casa dos pais dela, no interior de Minas. A casa fica numa alameda, pouco distante da MG que corta a cidade, contudo toda casa nessa área precisa ter uma parte do terreno voltada a preservação e nem todos os lotes possuem casas. Orientando-se pela entrada, a esquerda vc tem uma estradinha de terra, onde atravessando, se encontra um lote vazio e uma pousada (sem nenhum movimento por conta da COVID). Ao lado direito e na frente da casa, atravessando a alameda, tem lotes vazios. E a casa mais próxima é uma bem chique, mas que está sempre vazia, que fica à alguns metros descendo a alameda, do outro lado da rua. E devido à área de preservação esses lotes vazios são basicamente locais onde cresce a vegetação nativa, que é um tipo diferente de Cerrado, com árvores altas e próximas, de modo que elas fazem sombra em todo terreno que elas ocupam. Ou seja, por conta da quantidade de lote vago, eu moro basicamente no meio da floresta.
Antes da mudança nós morávamos no mesmo bairro, na capital. E depois de mudar a gente tava se virando legal, mesmo com alguns muitos problemas que eu sofri no mês de agosto, (morte de pessoas importantes (sim, no plural), peguei por COVID e tive que ficar isolado dentro de casa, uma amiga acabar indo parar no hospital psiquiátrico, problemas em conseguir organizar a casa, cozinhar, produzir uma monografia, etc).
Contudo essa semana ela teve que ir fazer uns exames em BH e eu tive que ficar aqui pra aguar a horta e cuidar dos cachorros. Só que morar sozinho, no meio do mato é algo que faz muito bem pra imaginação e um bem ainda maior pros pesadelos, não só pelas aranhas enormes e insetos estranhos que vivem entrando na casa.
Vejam bem, desde criança eu sempre tive uma imaginação muuuuito boa, que é excelente pra escrever contos, inventar histórias, poeminhas, musiquinhas etc (coisas que eu vivo fazendo), mas é absolutamente terrível quando você está a noite sozinho e vem aqueles clássicos pensamentos:
E se uma sombra escura aparecer no meio do corredor agora e te perseguir
E desde criança eu tenho a certeza absoluta que se eu me deixar levar o suficiente pela imaginação eu vou começar a ver essas coisas de verdade. Inclusive esse medo foi o que me fez dormir com minha mãe até os 12 anos.
Hoje eu sou adulto e os caralho, então eu dou conta de dormir sozinho, já não é todo dia que esse tipo de coisa vem a mente, mas a minha imaginação em momento algum ficou menos fértil, na verdade quando se trata disso é exatamente o contrário.
Enquanto os terrores que eu imaginava que iam aparecer quando criança eram meio bobos, os de hoje dariam um bom filme de terror se eu conseguisse extrair as imagens da minha cabeça. E estar sozinho no meio do mato não ajuda em nada. Na cidade por todo lado tem luzes, barulho, várias coisas que te distraem e mostram que você está seguro do sobrenatural, afinal existem poucas histórias de monstros que surgem do Wifi.
Mas no meio do mato, com uma rua mal iluminada, há espaço para todo tipo de coisa, bruxas (que parece bobo até vc ver A Bruxa, a Bruxa de Blair, Marianne [na Netflix], ser um antropólogo que teve aulas sobre bruxaria, ler o Martelo das Feiticeiras, jogar e ler os livros de The Witcher, ter amigas Wiccan que se declaram bruxas, etc. Isso tudo faz vc levar bruxaria beeeeem a sério.) espiando a casa, sombras e criaturas melequentas andando pela rua e pulando o portão, criaturas meio humano meio animais correndo na rua.
Sair a noite no quintal escuro, tentar andar só com a luz da lua, enquanto você vê os cachorros correndo, ou andando de um lado pro outro, desperta os mais primitivos dos medos. E como eu disse eu tenho a certeza que se eu focar a visão, prestar atenção e imaginar aquilo eu sou capaz de ver, o que é bastante aterrorizante. Nisso o seu medo te pega e você realmente começa a ver e ouvir coisas, nada fora do normal, só seu cérebro assustado identificando padrão em coisas aleatórias.
Várias vezes quando a gente deixa roupa na sala ou em algum lugar a gente levava susto, porque passava descendo a escada e via rostos no escuro. Na sala tem uma janela de frente pra um trem de vidro (um painel de vidro que toma a maior parte da parede e te deixa ver lá fora) e o reflexo de um vive batendo no outro fazendo você ver vultos. Bichinhos de luz e insetinhos existem aos montes pra encostar em você quando cê vai pegar água de madrugada, etc.
Antes de escrever esse post eu já tava imaginando umas coisa errada e tive que ir lá fora desligar o registro, quando eu saí os cachorros tavam agindo estranho e um deles parou na minha frente, tapando o corredor e começou a fazer um barulho com a boca, que por um segundo meu cérebro interpretou como um cochicho, dando um arrepio na espinha desceu até o cu. Mas era só um barulho que ele faz sempre, eu pedi pra ele afastar e fui lá desligar o resgistro sentindo aquelas bolinhas de arrepio no braço.
Enfim, é esse o desabafo, se você tem medo do sobrenatural, quer se sentir vivo, ou se livrar de uma eventual prisão de ventre, recomendo demais a experiência, porque o cagaço é real.
Abraços.
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2020.09.14 13:44 JustCallMeLyraM8 GT DA BROTHERAGEM

GT DA BROTHERAGEM
/cc/
>eu tenho um amigo bem próximo
>amigo não
>ele é tipo um irmão
>amo aquele filho da puta
>vamos chamar ele de Maicão
>nos conhecemos no jardim da infância
>dividíamos o todynho e o biscoito passatempo no recreio
>bolachaéocaraio.mp3
>estudamos na mesma turma até a quinta série quando os pais dele se mudaram pra longe da escola
>ele continuava morando na mesma cidade, mas tava numa escola diferente
>ainda assim nos víamos todos os fins de semana
>nossas famílias se tornaram amigas também
>tudo era um mar de rosas até o final de 2004
>ano 2005
>entra uma aluna nova na minha turma
>o nome dela era Thais
>lembro como se fosse ontem do momento em que ela entrou na sala
>tudo parecia ter ficado em câmera lenta
>o sol batia nela
>o ventilador soprou seus cabelos
>ela marchava como uma égua manga larga do trote formoso
>paudureci naquele exato momento
>o foda é que eu tava em pé naquela hora e a primeira aula era de educação física
>short.gif
>todo mundo da sala começa a rir de mim e a gritar
>me chamaram de pau retrátil porque foi só a menina aparecer que ele subiu
>morri de vergonha naquela hora
>sentei na cadeira e pus a mochila no meu colo
>eu só queria sumir
>até a professora riu
>mas a Thais não
>ela sentou atrás de mim e disse pra eu não ligar pra eles e que eu ficava lindo com vergonha
>caraio vei não pude acreditar
>eu era tão tímido que pedi pra ir no banheiro na mesma hora e fiquei trancado lá até a hora do recreio
>quando o recreio chegou eu pus o dedo na goela na frente da sala dos professores
>acho que vomitei até meu intestino naquela hora
>comecei a dizer que tava passando mal
>os professores me liberaram da escola e fui pra casa mais cedo
>chego em casa e passo a tarde toda tendo fantasias masturbatórias com a Thais
>eu era tão beta quanto aqueles peixes de briga
>quando a noite chega eu corro pra casa do Maicão
>conto tudo pra ele feliz da vida
>Maicão fica feliz por mim
>brodagem.rar
>segue o jogo
>durante o resto do ano eu iria me aproximar cada vez mais da Thais e me afastar cada vez do Maicão
>ele dizia que ela tava me afastando dele mas eu discordava
>dizia que era coisa da cabeça dele
>o tempo passa
>a Thais é promovida à pitanguinha e a distância entre mim e meu brother ia aumentando cada vez mais
>um dia briguei feio com o Maicão quando ele disse que ela tava cmg só por conta do meu dinheiro
>eu não era rico, mas da escola eu era o mais bem de vida
>meu pai era o único que não tava preso e não trabalhava com drogas
>minha mãe não trabalhava na zona
>zoas ela trabalhava sim
>ela agenciava a tua mãe, aquela puta boqueteira
>zoas de novo, minha mãe era artista plástica
>um dia eu acabo falando pra Thais que o Maicão tava se sentindo escanteado
>ela começa a me dizer que era inveja do nosso relacionamento e que ele só queria nos separar
>acabo dando ouvidos a ela e brigando feio com ele
>putaquepariuqueburrice
>nunca devia ter dado ouvidos à ela
>foco no gt
>paro de falar com o Maicão e cada vez mais me entrego pra a Thais
>toda semana era cinema
>lanche na Mc Donald’s
>roupa na Marisa
>minha mesada começou a ser exclusivamente dela
>um belo dia recebo uma mensagem do Maicão dizendo que a Thais tava me traindo
>respondi mandando ele tomar no cu
>ja faziam uns 5 meses que eu não falava com ele e do nothing ele vinha com um papo desses
>ele disse que eu devia ficar atento aos sinais
>não dou a foda pro que ele diz e continuo o namoro
>na semana seguinte vejo ela com uma marca roxa no pescoço
>ela diz que tinha caído da escada
>eu disse que acreditei mas fiquei desconfiado
>nada me tirava da cabeça oq o Maicão tinha me dito
>procuro ele e conto oq aconteceu
>diferente de mim ele não era um filho da puta
>Maicão me ove e depois me conta tudo que sabia
>a Thais tinha vindo da escola em que ele estudava
>ela era conhecida como viúva negra na escola
>ela se prendia à um macho e sugava tudo dele até ele não ter mais nada
>sim, ela tmb sugava o pau
>não, ela não tinha sugado o meu ainda
>Maicão continua a história dizendo que tinha visto ela saindo da casa de um carinha que morava no mesmo bairro dele
>até aí não vi nada demais
>mas ele me disse que ela tinha dado um beijo na boca do cara na saída e quando virou de costas o cara deu um tapa na bunda dela
>ÉOQ?!
>aquela vadia não tinha nem sequer me deixado pegar na bunda dela ainda
>dizia que era só depois do casamento
>eu era beta betoso full +15
>ela me levava pra igreja todo domingo
>acreditava nela sem questionar
>caio no choro e o Maicão me consolou
>disse que eu não tava sendo um bom amigo mas que ele nunca deixou de me ter como irmão
>bolamos desmascarar ela juntos
>ela ia pra casa dele toda sexta de noite
>realizo que era a hora que a mãe dela saía de casa pra ir pro culto de oração da igreja
>caraio_como_sou_burro.jpeg
>chifre.rar
>no dia seguinte falo com a Thais como se nada tivesse acontecido
>ela diz que me ama
>digo que amo ela tmb
>caraio, eu queria matar ela ali naquela hora
>mas amava aquela desgraçada
>feelsbad.png
>sexta feira
>19h
>tava com o Maicão escondido na rua da casa dela
>avistamos a mãe dela saindo de casa
>corremos pra mãe e contamos a história
>mãe não acredita, mas topa ir com agnt até a casa do talarico
>19:30h
>Thais sai de casa com um short enfiado no cu
>pqp pra quê enfiar tanto ssaporra?
>tava tão fundo que ela devia ta sentindo do gosto dele
>seguimos ela de longe
>a vadia entra na casa do moleque
>nessa hora a mãe dela já queria matar ela, mas eu fiz ela esperar
>entrei dando um chutão na porta da frente
>queria pegar ela com a boca na botija
>e consegui
>infelizmente a botija em questão era a rola do cara
>ela tava engolindo o pau daquele moleque com uma facilidade absurda
>nem sua mãe consegue engolir minha piroca tão fácil
>foco no gt
>Thais leva um susto tão grande na hora que morde o pau do cara
>num ato reflexo por conta da dor o cara da um murro na cara de Thais
>ela cai no chão
>a mãe dela comeca a bater nela com uma havaianas e depois começa a arrastar ela pelos cabelos pra fora de casa
>a Thais é arrastada pela rua até chegar em casa
>racho o bico com a cena como mil hienas comemorando a morte do Mufasa
>peço perdão pro Maicão pela cagada que fiz
>Maicão diz que fui um idiota, mas que era o irmão dele e que nada iria nos separar
>dois dias depois Thais chega na escola toda roxa
>tinha apanhado tanto que o conselho tutelar tirou a guarda dela da mãe
>ela chega perto e diz que quer falar CMG
>ignoro
>ela me puxa pelo braço, olha no meu olho e diz:
>como vc descobriu?
>digo que o Maicão me contou tudo
>ela diz que vai pra um orfanato hoje. Só foi na escola buscar sua transferência.
>Kkkkkjkkjjjk
>ela diz que eu posso rir agora, mas quem ri por último ri melhor. Disse também que nunca iria esquecer aquilo e que o Maicão iria pagar por ser x9
>puxo meu braço, dou as costas e vou embora
>ano 2016
>terminei a escola e faço faculdade
>Maicão faz o mesmo curso que eu e estudamos na mesma turma novamente
>full brothers +15
>desde o episódio com a Thais nunca mais tínhamos brigado
>trabalhávamos, tínhamos nossa independência
>tudo ia bem até recebermos o convite para uma festa que rolaria naquela noite
>eu e o Maicão dividiamos o apartamento agora
>o convite veio por baixo da porta dentro de um envelope
>open_bar.jpeg
>o envelope vinha com 2 pulseiras
>as pulseiras davam acesso à área vip da festa onde rolaria os alcoolismo
>ficamos relutante por um momento até abrirmos a carta
>a carta tava endereçada à mim e ao Maicão
>era uma letra de mulher
>não tinha muita informação só dizia que não deviamos perder a festa por nada e que lá tudo seria explicado
>não tinhamos nada à fazer então topamos
>22h
>party.time.jpeg
>logo de cara fomos recebidos por duas loiras peitudas que estavam de camisa branca
>ambas estavam dançando na entrada da festa enquanto se molhavam com uma mangueira
>séélococuzão.rar
>a festa tinha uma proporção de 4 depósitos para cada homem
>a cada dois homens, um era gay
>era tipo o plenário da câmara dos deputados só que ao contrário
>quando entramos no salão principal todo mundo virou pra a gente
>tipo aquela cena do universidade monstro
>as depósitos cochichavam entre elas
>pensamos que tinha algo errado conosco mas a vdd é que éramos os caras mais lindos dali
>na vdd nem éramos isso tudo, mas tínhamos rola e éramos heterossexuais
>feelsalpha.png
>fomos andando até a área vip
>a decoração da festa era cheia de fotos de uma depósito
>era uma ruiva 10/10
>a festa devia ser dela
>tive a impressão que ja tinha visto ela em algum lugar
>áreavip.gif
>a área vip era lotada de bebidas
>não tinha uma depósito abaixo de 8/10
>no buffet tinha camarão e lagosta
>mano do céu era a festa mais foda que eu ja tinha ido
>quando olho pro lado ta o Maicão atracado com uma mina
>dois minutos depois a mina larga ele e agarra outra mina
>ÉOQ?!
>aquilo tava parecendo um bacanal grego
>uma coisa no entanto me incomodava
>quem teria nos convidado?
>avisto a anfitriã da festa, aquela ruiva 10/10
>ela se aproxima de mim lentamente
>mano do céu, paudureci na hora
>só conseguia imaginar eu enfiando o pau tão fundo nela que quando eu terminasse ia ta na camada do pré-sal
>a calça aperta e ela percebe que estou preparado para o abate
>fico sem graça e tento disfarçar
>ela vem por trás de mim, ri e diz que eu fico lindo com vergonha
>gelei na hora
>caraio, era a Thais - pensei
>pergunto se ela era a Thais
>ela ri e me chama de idiota.
>diz que seu nome é Raquel
>caraio, ela nao tinha nada a ver com a Thais
>errei feio, errei rude
>pensei que tivesse estragado minha chance
>raciocinando com a destreza de um crackudo na fissura e digo:
>é porque thaislinda com essa roupa
>ela ri, eu rio, segue o jogo
>nessas horas eu nem sabia mais que existia um Maicão
>só pensava em mergulhar naquelas tetas magníficas
>na boa, se ela fosse minha mãe eu mamaria até hj
>quando olho pro lado o Maicão tava agarrado com duas ao mesmo tempo
>bodyshot.gif
>caraio o Maicão tava levando uma surra de peito na cara enquanto bebia e eu no 0x0
>me aproximo da ruiva já na maldade
>ela chega do meu lado
>põe a mão no meu ombro e fala na minha orelha direita:
>quem é esse teu amigo?
>poooooooooooorra.mp3
>o moleque ja tinha catado duas e agora ia catar a ruiva
>tive vontade de mandar ela se fuder, mas ele era meu brother, não podia prejudicar ele
>nenhuma depósito ficaria entre nós
>não deu nem 10 minutos do momento que disse o nome dele pra ela e ela ja tava agarrada nele
>a ruiva chupava a língua dele como se fosse o último picolé do verão
>avisto uma depósito 9/10 dançando sozinha
>penso em me aproximar, mas antes que eu chegue a ruiva puxa ela e põe na roda com o Maicão
>ja não entendia mais nada
>eu sempre pegava as depósitos +/10 do que ele e agora ele tava numa orgia de bocas e eu sem nada
>começo a beber
>realizo que ta na hora de baixar as expectativas
>avisto uma ananzinha 5/5 escorada no balcão
>me aproximo dela e pergunto se o pai dela era padeiro
>ela pergunta se era pq ela era um sonho
>eu digo que era pq eu queria comer a rosca dela
>sério que anã rabuda do carai
>a anã me dá um tapão e sai de perto
>vsf que festa merda do carai
>comecei a beber descontroladamente pra compensar a frustração
>dou em cima da garçonete
>a garçonete era uma trans
>ela me esnoba e vai embora
>vômito.rar
>caraio nem a mulher com rola me quis
>decido que hoje não é meu dia e que ta na hora de voltar pra casa
>procuro o Maicão pra ir embora cmg
>vejo ele entrando no carro com duas 1,5 depósitos
>pensei que ele tivesse indo pra um motel ou algo do tipo
>ele tava de mãos dadas com a ruiva e com a anã 5/5
>a ruiva olha pra mim, da uma risada e depois um xauzinho
>caraio que raiva daquela ruiva
>me esnobou e agora vai dar pro meu brother
>faço sinal pro Maicão que vou embora
>ele grita “Oklahoma”
>era nosso sinal secreto
>significava que ele ia realizar o ato de socação intra uterina e que eu não deveria incomoda-lo
>entendo o recado, dou meia volta e volto pra casa
>chegando em casa
>tudo girava por conta do álcool
>brinco um pouco com o o Visconde de Sabugosa até ele cuspir
>durmo
>no dia seguinte acordo com dor de cabeça, deitado no sofá
>percebo que tinham 537272717 chamadas não atendidas no meu celular
>todas do Maicão
>imagino todas as desgraças do mundo
>comeco a ligar de volta mas ele nao atende
>recebo uma ligação de um número desconhecido no meu celular
>é uma mulher
>ela ria descontroladamente
>disse que estava na festa o tempo todo me observando
>pergunta se a noite foi boa e se eu peguei alguém
>mando ela tomar no cu e digo que peguei a mãe dela
>ela racha o bico e diz que é impossível pq a mãe dela foi a primeira a pagar oq devia
>gelei na hora
>reconheci a voz
>era a Thais
>ela começa a contar seu plano do mal
>diz que foi parar num orfanato depois daquele episódio
>que apanhou muito da família onde foi parar mas a família era podre de rica
>a família produzia festas tipo o tomorrowland
>viajaram pra fora do país e levaram ela junto
>disse que por muito tempo quis se vingar mas a família não dava a foda
>dois meses atrás a família tinha morrido num acidente de carro e ela ficou como única herdeira
>ela pôs como meta de vida concluir a vingança que passou anos arquitetando
>disse que a festa foi planejada por ela
>que todas as depósitos da área vip foram contratadas por ela baseadas no meu tipo de mulher
>pergunta como me senti não pegando ngm e vendo o meu “amiguinho” catando todas
>respondo que a vingança dela era uma merda e que tava feliz pelo meu brother
>ela racha o bico e diz que a vingança dela não era me deixar sem pegar ngm
>ela queria se vingar dele por ele ter dedurado ela
>pergunto qual vingança há em encher a rola dele de depósito
>você verá - ela me disse
>desligo o espertofone e percebo que chegou uma mensagem do Maicão no oqueapp
>faz uma semana que o Maicão toma mais coquetel que o Amaury Jr.
pica relatada da mensagem
https://preview.redd.it/9o5g9y8ep3n51.jpg?width=1080&format=pjpg&auto=webp&s=3dbefd7c59d10e7b40b9168ddac79176762f8591
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2020.08.17 01:54 ladysylveonwastaken Eu não aguento mais a dissonância cognitiva do brasileiro conservador médio

Coronavírus, política, ciência, tudo. Eu não aguento mais as pessoas fingindo demência.
Essa semana uma CRIANÇA de apenas dez anos de idade que foi estuprada e engravidou do tio, e precisa fazer um aborto pra sobreviver. PRA SOBREVIVER. E aí o que faz o conservador? Terrorismo psicológico. Expõem o nome da menina, do médico, gritam que eles são assassinos. Você tenta argumentar com o conservador que ela é apenas uma criança. Ela tem dez anos. Está na idade de brincar de boneca, não de parir uma. O corpo de dez anos não está preparado. Ela vai morrer se não fizer o procedimento, ou ter sequelas graves pro resto da vida. Gravidez é um risco até mesmo para mulheres adultas, quanto mais para uma criança de dez anos. O aborto é para salvar a vida dela, ou se não ela provavelmente morrerá. Resposta do conservador:
"TeM qUe SaLvAr As DuAs VidAs"

NÃO TEM COMO SALVAR AS DUAS VIDAS SEM MATAR OU SEQUELAR GRAVEMENTE A MENINA DE 10 ANOS

NÃO. TEM.

E agora que aquela criminosa expôs o nome da menina, alguém imagina o inferno que vai ser a vida dela? As amiguinhas, amiguinhos, professores, parentes, vizinhos, gente do bairro, todo mundo vai saber que era ela, todo mundo vai comentar sobre isso. Nenhum desses pró-vida imbecis fazendo terrorismo psicológico pensou na vida dessa criança. "Mas ela vai ter ajuda!! Vai ter apoio psicológico"
ELA VAI MORRER NO PARTO, IMBECIL. A AJUDA PRA EVITAR A MORTE É O ABORTO.
Em outros assuntos acontece a mesma coisa. Você diz: "não há evidências mostrando que a cloroquina é eficaz, pelo contrário, há estudos que mostram que ela aumenta os riscos de morte" ou então "não, ozônio no cu não funciona, remédio de verme também não". O conservador: te chama de comunista, esquerdista, petista, que só está dizendo isso porque é contra o Bolsomito!!!
E não adianta você explicar como é feita a ciência, como são feitos testes científicos, o que é revisão por pares, o que é metodologia. Não adianta, eles vão cagar para tudo o que você falou e vão continuar repetindo que você é esquerdista, mesmo que nem de esquerda você seja. Porque na cabeça deles é verdade, então está certo. Mesmo que você mostre as evidências que eles estão errados.
Aquecimento global, vacinas, Teoria da Evolução, qualquer assunto. Em qualquer assunto o conservador vai cagar para o fato (que uma criança de 10 anos ou vai morrer ou vai ficar sequelada) e vai acreditar nas coisas da cabeça dele (tem que salvar as duas vidas!11!), e quando o fato se concretizar (a criança morrer) vai dizer alguma merda do tipo "ah mas foi vontade de Deus, ele escreve certo por linhas tortas".
Tô no meu limite.
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2020.07.20 23:37 MayCorrea Quis me expulsar de casa, me proibiu de namorar uma pessoa que eu amava, tentou me obrigar a mudar meu depoimento na polícia e agora diz que caso eu não aceite a nova "esposa" que pretende arrumar, não amo ele, e que eu tenho que inclusive estar no casamento e "gostar" da pessoa

Oi, estou escrevendo isso tudo em português pois sou do Brasil, e como o texto é grande, daria muito trabalho escrever e corrigir em outra língua... Acho que é uma fusão de "pais intitulados" com "eu sou o babaca?" o que vou escrever, com um acréscimo de chantagem emocional e toxicidade... Me desculpem pelo texto gigante, mas eu realmente preciso desabafar, e como não tenho como ir na terapia até semana que vem, acho que preciso colocar tudo isso pra fora de alguma forma senão vou ficar maluca...
Eu tenho 18 anos atualmente, e como contei em um post no TurmaFeira que teve pouco alcance, no inicio do ano passado acabei tendo de mudar de escola por conta de uma amante do meu pai que por algum motivo maluco resolveu dar aula na escola perto da minha casa na mesma semana em que eu me matriculei (suspeitosamente específico ser logo lá, não?) , tive uma crise de ansiedade (coisa que meu pai nunca ligou, e ainda me culpa toda vez que acontece)... Pouco depois disso, eu comecei a namorar (estamos noivos atualmente, mesmo com tudo que aconteceu) e desde o inicio meu pai tentava apressar o relacionamento, tentando me fazer levar ele na nossa casa com poucas semanas que tínhamos nos conhecido e etc... Tanto eu quanto meu namorado curtíamos sado, porém um dia acabou saindo um pouco fora do calculado e eu terminei com uma veia estourada no olho... Mesmo eu explicando a situação, em momento nenhum meus pais quiseram me ouvir, e me obrigaram a abrir um boletim de ocorrência contra esse namorado (vou chamar de carls pra facilitar), e quando viram que tudo que falei não era contra ele, tentaram me fazer mudar esse depoimento e ameaçaram inclusive me declarar incapaz para que eles mesmos mudassem esse depoimento...
(Quero deixar claro antes de tudo, que eu não iria defender ele nunca se ele fosse um namorado abusivo, vivi relações abusivas já e saí delas justamente por serem abusivas. O ponto é que além disso tudo, eu e ele sabemos que o que aconteceu foi erro dos dois, imaturidade e inexperiência... Ele sempre me respeitou e me tratou super bem, mas ninguém da minha família quis me ouvir...)
Quando, a uns 3 meses, contei que estava com ele, e que realmente queria esse relacionamento, e pedi pra que eles aceitassem pelo menos uma conversa, não quiseram me ouvir, ameaçaram de me expulsar de casa só com a roupa do corpo, e quando e disse que iria, disseram que como eu ainda não era maior, teria que acatar o que eles quisessem, então eu não poderia ir e que ele iria mandar matar o carls... Mesmo depois de os ânimos acalmarem, quando souberam que ele tinha vindo me ver no bairro, e que umas amigas me ajudaram a encontrar com ele, e meu pai mais uma vez me bateu e foi atrás dele, mas acabou desencontrando e se resumindo em ele e a minha sogra trocando farpas. Sempre disseram que era pro meu bem... Porém acho que pelo menos alguém concorda que fazer esse tipo de joguinho emocional a base de ameaças com a filha depressiva e com transtorno de ansiedade é qualquer coisa menos saudável... Até hoje quando tento conversar sobre minha mãe fala que ela pode "levar essa culpa pro caixão", mas que nunca vai pisar na minha casa quando eu me casar com o carls, e meu pai até então dizia o mesmo, que não iriam me ver e nem dar o mínimo apoio financeiro, porque sou mal agradecia e etc... Que eu ainda seria bem vinda aqui e os possíveis filhos também, mas que ele nunca... Ok, eles estão no direito deles, certo? Guarde isso pra daqui a pouco.
Bom, semanas atrás eu comecei a desconfiar que meu pai estava traindo a minha mãe mais uma vez, e acabei olhando o celular dele (sei que vão me xingar mas escutem antes por favor) onde eu vi várias coisas, incluindo com mulheres casadas e até uma prima que ele jurou não ter nada, registros de motel e etc... E o ponto é que ele nunca me deixou falar quando se sentiu ameaçado, e desde então decidi tratar com ele por escrito ou com provas sempre que a situação é mais complexa... Então imprimi tudo e coloquei em um envelope dentro da bolsa dele (ele trabalha em outra cidade e vem nos fins de semana... bom, agora só a cada 15 dias...) com mais algumas coisas que escrevi pedindo ele que me ouvisse e inclusive aceitasse se tratar porque isso não é normal, ele mesmo já disse que é doença.
No dia seguinte, ele leu e ligou me ameaçando, dizendo que eu não mereço o amor dele, o respeito dele e nem nada, que eu sou a pior pessoa do universo e me ameaçou mais quando eu disse que iria enviar aquelas fotos pras pessoas em questão por conta da raiva e da decepção... Ele já tem duas filhas fora do casamento e sempre falou que tinha orgulho de mim, mas pra justificar o motivo de não se divorciar pras outras mulheres, falava que eu sou demente e maluca, que faço tratamentos pesados e etc... E eu aproveitei esse dia pra colocar pra fora tudo que eu precisava colocar, ele só ia voltar 10 dias depois, pro meu aniversário, então ele não teria como me bater e nem falar nada comigo até lá.
Nesse meio tempo a minha avó, mãe dele, foi internada com Covid em estado muito grave, e está intubada na UTI até hoje... Por conta disso, essa briga toda foi deixada de lado por uns dias. Ele chegou na quarta, e meu aniversário de 18 anos seria na sexta.
No dia do meu aniversário, meu pai tentou puxar o assunto mas eu pedi que pelo menos esse problema ficasse pro outro dia. No sábado de manhã, disse que sairia de casa e entre diversas outras coisas, que ainda gostava da professora que citei no post anterior e no inicio desse, e que estava sim conversando com ela. Minha mãe não quer aceitar a separação, e me pediu ajuda para convencer ele a mudar e continuar em casa, e eu juro, eu fiz de tudo, mas sempre que não falo com ele o que ela quer e como ela quer, ela fica com raiva, grita comigo, me xinga e fala que eu estou contra ela... E ele, quando eu falo, diz que não amo ele o suficiente, que eu sou parcial e só defendo a minha mãe, e que ele sempre foi o melhor pai do mundo mas eu nunca dei carinho e atenção, quando na verdade, ele nem sai do telefone ou tv quando vou falar com ele, e geralmente responde com "hmm" ou "ah".
Dois dias atrás ele me ligou pelo número da minha mãe (eles me proibiram de ter whatsapp, celular e de ter acesso a qualquer outra rede social, mal sabem que posto aqui no reddit), e junto com uma enxurrada de chantagem emocional, ele disse que se eu me casar com o carls ele vai dar um esporro, mas que vai amar ele como um filho se ver que ele está sendo bom pra mim (coisa que ele até poucos dias jurava ser impossível) e que se eu não aceitasse a nova esposa dele, isso provaria que meu amor é condicional mesmo que a esposa em questão fosse uma amante (a professora ou uma maluca que ja citei, que me ameaçou de morte e ele não fez absolutamente nada, ela saiu de são paulo e veio para minas atrás de mim quando eu tinha 14 anos)...
Hoje eu liguei pra ele contando que acho que consigo entrar pra medicina com bolsa pelo prouni... e ele começou a me xingar sem necessidade... Quando reclamei, ele puxou esse assunto, e insistiu que se eu não aceitasse eu não mereço o amor dele, entre outras coisas... E enquanto isso minha mãe estava do lado, digitando tudo que ela queria que eu dissesse, como queria, e até a hora que queria... Senti uma fincada na barriga na hora, não sei o porque, e as vistas chegaram a escurecer... e mesmo assim os dois continuaram buzinando na minha orelha e chegou num momento que até levei um tapa por não ter falado o que a minha mãe queria, e pedido pra esperar um pouco.
Em resumo, a briga dele foi para me convencer que tenho que aceitar, e inclusive estar no casamento dele e conviver com a pessoa mesmo que seja a professora em questão... E que se eu não fizer isso meu amor é condicional, mas que quanto ao casamento com o carls, eles estão completamente no direito de escolher se querem ou não conviver com ele, e que isso não é um tipo de amor condicional...
Eu realmente não sei o que fazer quanto a isso... mas atualizo vocês, caso tenham interesse, com os próximos capítulos dessa novela mexicana com enredo ruim que tenho vivido.
Obrigada por ter lido esse "testamento", e sintam-se livres para julgar a história nos comentários...
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2020.07.02 06:18 anroroco Crônicas da Cidade Pandêmica: Elegia

Hoje, marcamos quase um milhão e meio de infectados no Brasil, e mais de sessenta mil mortes. Pra você ter uma ideia, em 2019, morreram de homicídio neste país pouco mais de 40.000 pessoas, de acordo com os dados oficiais - e isso de uma das mortes que nós, em tese, mais nos preocupamos. E isso num ano todo: ainda estamos em Julho, acabamos de começar o segundo semestre.
Se formos considerar mortes por causas respiratórias, o principal sintoma do Covid-19, os dados vão se acumulando em emergência: O Brasil teve um aumento de 8,15% de mortes por essa causa, de acordo com a ARPEN (Associação de Registradores de Pessoas Naturais). Evidentemente. o principal contribuidor disso é o Corona, a despeito do que insite em acreditar o presidente Bolsonaro, quando afirma ser tudo um grande exagero da imprensa.
E no entanto, temos um culpado maior nisso tudo, ou ao menos em uma das áreas que mais afetam nossa sociedade atualmente. Pois veja, não podemos fazer nada a respeito das questões estruturais: resta-nos esperar que os nossos representantes no poder façam algo que possa nos ajudar a sobreviver a esta crise maldita, a esta peste moderna. Alguns estão ajudando, outros estão claramente atrapalhando (cofcof Bolsonarolazarento cof cof), mas é inegável que esta bola, não nos pertence.
Contudo, existe uma série de coisas que poderìamos estar fazendo melhor, e simplesmente nos recusamos a tanto. Talvez por estarmos cansados da quaretena que não acaba, talvez por puro e simples egoísmo, Muitos de nós estão vacilando nos cuidados, e digo isso com pesar no coração, pois alguns destes que vacilam eram justamente parte dos poucos que ainda se valiam de tentar respeitar a quarentena. Talvez também seja uma falsa esperança: afinal, se na Europa já estão reabrindo, porque não no brasil, esta terra que certamente já sofreu tudo que tinha de sofrer, na visão dos iludidos?
E toca haver bares disfarçados de pet-shop, para poder funcionar escondidos. Toca desativar hospitais de campnaha, na esperança que tudo jáa está acabando. Até mesmo conversa sobre retorno do campeonato carioca estão acontecendo - tudo seguindo, de acordo com as autoridades, "o máximo de proteção necessário para isso", como se houvesse possibilidade de se proteger da doença em meio a um jogo acirrado. Não falo aqui dos trabalhadores essenciais: esses tem todo meu apoio e suporte. Falo dos que insistem em sacrificá-los, sem ao menos garantir que eles tenham o mínimo de segurança. Não à toa, o percentual de pessoas infectadas com coronavírus nos bairros pobres da cidade de São Paulo, a maior metrópole do país, é 2,5 vezes maior do que nos ricos. Ou seja, eles simplesmente não se importam se o pobre morrer: a ideia aqui é reabrir tudo, e que morram os (pobres) que tem que morrer.
E falando de morrer, essa sim é a nossa principal falha, nós, humanos, cidadãos, viventes. pois cada um desses números para nós, tornou-se apenas isso: um dado numérico. Um algo que olhamos todos os dias, e anotamos na agenda mental na nossa cabeça. Hoje 60 mil; amanhã talvez 62 mil? 63 mil? Quem pode saber? Fazemos isso, e esquecemos que cada uma dessas pessoas estava viva, tinha planos, sonhos, como nós. Era alguém que aqui estava, e depois partiu, em dores, afogada em si mesma. Não lamentamos a morte dessas pessoas, exceto quando é da nossa família, ou é alguém conhecido. E no entanto, é preciso pensar neles. Ao menos um pouco, ao menos por alguns momentos, precisamos absorver a enormidade das mortes que estamos observando. Precisamos rehumanizar a nós mesmos.
As coisas não podem ser apenas "vida que segue". Não podemos deixar que cada pessoa morta tenha sido apenas um degrau pra gente voltar à dita vida normal, sem qualquer elegia por elas. Sem um pensamento de conforto, de piedade. Se nos fizermos dessa maneira, podemos sair incólumes da covid, mas nunca mais nos recuperaremos da doença no espírito que causamos a nós mesmos.
Meu Blog: www.tesourosempoeirados.blogspot.com
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2020.06.22 12:08 aguadovimeiro (Sério) Podemos falar como os crimes são relatados pelas notícias/adoptadas pelos partidos políticos consoante lhes interessam bem como a forma como as notícias dos EUA e Brasil chegam cá?

Ponto prévio: há racismo em Portugal, há maus polícias, há más pessoas, seja de que for for. Há problemas com populações de minorias que têm comportamentos que não estão de acordo com alguns dos ideais e das formas como alguns de nós vêm o país - sendo que admito que mesmo só esta frase é suficiente para se ser considerado racista.
Aqui acrescento que no mundo atual não basta já não ser racista mas temos de ser anti-racistas, algo com o qual absolutamente concordo. Acho que devemos ter o mesmo tipo de atitudes com outras situações problemáticas seja com minorias raciais, credos, de sexo ou género. Eu quero um país integrador de várias culturas, preferências e credos.
Ora, importa começar então pelo último ponto que mencionei no título: as notícias vindas dos EUA e Brasil. Não há nenhuma ideologia assumida por televisões e jornais nacionais no que concerne Democratas vs Republicanos mas parece óbvio a qualquer um que veja ou leia notícias em Portugal que há uma clara forma de apresentar as notícias que favorece os Democratas em detrimento dos Republicanos.
O mesmo poderá ser referido do Brasil, pese embora aí existirem um conjunto de nuances mais significativas mas há uma tendência a favor do PT que se foi esbatendo depois das várias crises/processos que foram surgindo.
Para os jornalistas portugueses o Trump e o Bolsonaro são dois idiotas que devem ser gozados por tudo o que fazem. E se é verdade que ambos provavelmente o são, não é o papel do jornalista português de fazer comentário político ao invés de reportar os factos.
Porque é que isto é significativo para nós? Porque o mesmo acontece com as notícias portuguesas. É certo que a SIC tem a ligação com o Pinto Balsemão e por aí com o PSD, no entanto, a linha editorial do Expresso e da SIC tende a ser mais socialista que alguns socialistas e isso é expresso na forma como é feito comentário político ao invés de reportar as notícias factualmente.
Creio ter falado no ano passado prévio às eleições que houve uma reportagem sobre a Cristas em Coimbra que foi degradante a forma como se falava em "pouca gente", "insultos", etc., quando no mesmo dia se davam reportagens sobre o PAN em que o André era insultado mas era tudo apresentado de uma forma "caricata" e "engraçada".
Isto leva-me ao meu primeiro ponto que se relaciona com o crime. Hoje passei a manhã aqui a ser acusado de racista quando fiz uma pergunta sobre a raça de dois jovens envolvidos num crime que originou a morte de um deles. A questão surgiu precisamente por esta divisão que surge na sociedade em que a Esquerda pega em qualquer notícia de crimes contra minorias como um sinal do nosso racismo e dos problemas sistémicos da nossa sociedade e a direita faz o oposto quando o crime envolve negros, asiáticos ou romanis. Não me considero racista. Participo ativamente na comunidade com associações de integração não só de jovens com deficiência como APPACDM como faço igualmente voluntariado em IPSS com jovens de bairros sociais em Viseu, como é o caso da Paradinha, entre outros.
Importa, por isso, sabermos que nenhuma notícia nos chega aos ouvidos ou aos olhos, no caso da leitura de jornais, hoje em dia sem filtros prévios. Sem a utilização de terminologia específica para que nos fazer sentir de determinada maneira.
Passaram-se as últimas 24 horas a falar-se de um "homem de família" que se suicidou e que era muito boa pessoa mas que na verdade deixou 5 filhos e uma mulher ao abandono por motivos absolutamente não-altruístas. Tornar alguém que se suicida um mártire é um problema gigantesco da forma como se dão as notícias sobre este tema.
Por isso, gostava de debater convosco esta ideia: vocês assumem sempre que a notícia que vos chega foi criada para vos gerar uma determinada emoção ou reação ou consideram, ainda, que existe política honesta e jornalismo honesto? (à grande escala, pois à pequena escala há políticos e jornalistas fantásticos interessados na melhoria do nosso país)
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2020.05.16 18:06 epilef_backwards Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).

Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).
Ninguém sabe o que o futuro reserva. É por isso que as possibilidades são infinitas.
É clicando com o botão direito e, imediatamente após, selecionando a opção de loop na OST "Christina I", belíssima instrumental composta pelo gênio do piano Abo Takeshi, que, em meio às lágrimas que rapidamente me vêm aos olhos ao relembrar do episódio 22, inicio a escrita da análise desse show. Devo avisar, de antemão, que Steins;Gate, animação que adapta a visual novel de mesmo nome, dirigido por Takuya Satō , não é um anime para qualquer um. Como bem dito por Thalius, ser para todos não significa ser para qualquer um. Essa citação, em particular, uma das minhas preferidas, cabe à animação não porque ela trata de assuntos supostamente incrivelmente complexos como o tempo, mas, sim, porque ela apresenta diversas camadas e níveis de entretenimento. É, sim, possível se entreter apenas com a camada mais superficial, aquela que apresenta uma história sci-fi sobre viagem no tempo, no entanto, o aproveitamento da mensagem real do anime só é despertado quando você adentra às profundezas de Steins;Gate. Para iniciar, é bem verdade que a presença de temas profundos e, mesmo, desconhecidos pela ciência atual pode parecer um tanto quanto amedrontador e até desencorajador, principalmente para aqueles que não estão acostumados com termos científicos ou não se interessam tanto pelas ciências "exatas". Felizmente, temos o primeiro acerto de Steins;Gate nesse ponto, e o início das características que o diferem de qualquer outro anime existente, pois o anime se prende apenas na intensidade necessária aos conceitos e explanações que supostamente deveriam ser complexas. Isso é inteligente por parte dos roteiristas, pois são apresentados, sim, momentos explanatórios sobre uma máquina que eles irão construir, sobre os conceitos utilizados nessa máquina ou, mesmo, sobre o funcionamento de certos princípios essenciais para o nosso entendimento;contudo, o anime nunca faz isso parecer monótono ou mais complicado do que é. Muito pelo contrário: Steins;Gate faz um trabalho excepcional em explicar os conceitos necessários à trama de maneira simples e compacta, sem necessidade de longos diálogos e/ou complicações extraordinários só para "cultizar" os personagens que realizam a explicação (sim, Sword Art Online: Alicization, eu estou olhando para você neste exato momento; para você e, principalmente, para a explicação longínqua, monótona e confusa sobre o funcionamento do mundo de realidade virtual apresentado na temporada). Desse modo, Steins;Gate consegue estabelecer rapidamente os conceitos principais que regem o show sem fazer parece-los bichos de sete cabeças, o que poderia, e, provavelmente, iria, afastar muitos indivíduos.
Outra qualidade louvável, ainda no mesmo plano da última, é a capacidade da animação em flutuar em um tema complexo como viagem no tempo e não apresentar furos no roteiro que embaralham a trama, fazendo que ela fique confusa e desconexa. Ao meus eu jamais tinha encontrado uma animação sobre viagens no tempo que não apresentasse sequer um furo de roteiro quando se trata de diversas linhas temporais. E exemplos contrários não faltam, incluindo o mundo fora das animações japoneses (a série The Flash, por exemplo, apresenta um roteiro fraco e repetitivo, no entanto, o que faz da experiência muito desagradável são os constantes furos criados pelo excesso de personagens indo e vindo em linhas do tempo que aparentemente são infinitas, porém, insuficientes para o roteiro, o qual usa e abusa em todos os níveis desse artifício do gênero). Isso é muito importante na consistência e no envolvimento com a obra, pois, assim que sabemos que o roteiro utiliza a viagem no tempo mais como artifício barato para resolver qualquer problema que apareça para ele, nosso senso de importância e de gravidade é drasticamente reduzido, uma vez que sabemos que, assim que o roteiro precisar, é só aparecer um personagem onisciente do futuro que irá resolver os problemas. Uma outra possibilidade de furo de roteiro causada pelo fator viagem no tempo é essa aparente onipresença de personagens que a utilizam. Em fato, talvez esse seja o maior problema nas histórias de viagem no tempo: personagens aparecem do nada e, bem como apareceram, começam a contar absolutamente tudo que irá acontecer, o que incluí detalhes impossíveis de serem lembrados. Tás posto um exemplo de ilustração: personagem A volta à linha do tempo que irá acontecer X evento de maneira a impedir aquele evento (lembrem-se, portanto, que é a primeira vez dela ali, o que significa que ela apenas tem noção de um PANORAMA sobre o futuro) e, de modo a confirmar que veio do futuro, diz que um copo de vidro irá ser derrubado e quebrado em exatos 5 segundos. Após os 5 segundos, bem como previsto por A, o copo é derrubado e, consequentemente, quebra ao tocar o chão. A pergunta mais simples e impossível de ser respondida é: como ela sabia do copo? Por acaso vir do futuro entrega à personagem conhecimento absoluto do que aconteceu antes? Sem contar que, em muitos casos, A sequer EXISTIA no momento que essa cena acontece, o que torna IMPOSSÍVEL o conhecimento do evento em questão. Esse truque é constantemente utilizado na parte da "solução do futuro distópico" e, por si só, não apresenta grande problema, o problema se instaura quando esse artifício compõe 90% das formas como a trama se resolve, pois fica clara a inabilidade do roteirista em utilizar sua criatividade e capacidade de escrever uma história no que tange à solução de problemáticas. Em suma, o problema não é haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática, o problema é só haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática. Quanto a isso, Steins;Gate dá uma aula de como resolver essa "intrincada do viajante do tempo", utilizando-se de uma série de artifícios narrativos para desviar o excessivo uso do já citado viajante. Em primeiro lugar, existem apenas dois personagens que possuem um conhecimento "sobrenatural": o protagonista, Okabe, e John Titor, aqui na pele de Suzuha, uma das personagens secundárias do show. Isso implica diretamente em dois fatores que devem ser de extrema atenção: existem menos personagens para furar o roteiro, uma vez que, quanto mais personagens transitam pelas linhas, mais fácil é do roteiro se perder em meio a tanta informação e o roteiro precisará de outras maneiras para resolver problemas, já que como se não fosse absurdo suficiente 20 personagens sabendo sobre linhas resolverem misticamente qualquer problema da trama, mais absurdo, ainda, é imaginar que apenas 2 o farão. Desse modo, Steins;Gate decide traçar um caminho que, embora seja mais complexo de ser realizado, pode entregar um resultado excepcional no final da obra. E felizmente é isso que acontece. Diferentemente das demais obras de viagem temporal, Steins;Gate apresenta um roteiro muito apurado e astuto, uma vez que ele se utiliza de personagens que já conhecemos como aqueles que irão, em um futuro, ter sapiência sobre tais viagens. Isso significa que os personagens que irão "dominar" o tempo já estão na trama, só precisamos dar tempo a eles para eles o dominarem. Em outras palavras: em teoria, temos somente dois personagens que sabem sobre viagens e máquinas do tempo e outras linhas temporais, no entanto, ao longo da própria história daquela linha do tempo, outros personagens também terão esses conhecimentos. Esse truque fica explícito na cena em que Daru reconstrói a máquina do tempo. Em um primeiro momento, poderíamos imaginar que ali se alocava um furo de roteiro, uma vez que, mesmo ele sendo colocado com um grande conhecedor de máquinas, programação e mecânica no geral, é surreal alguém construir um objeto que será criado anos a frente. Contudo, assim que imaginamos a pensar isso, recebemos a informação que o Daru será o construtor da máquina, o que significa que há parte do "DNA" dele nela, ou seja, a maneira de pensar dele, de montar máquinas própria do personagem, o que explica como ele conseguiu consertá-la. Outra "esperteza" do roteiro é criar um porto seguro, ou seja, aquele personagem que, independente da linha temporal, irá conseguir entender o que o viajante do tempo fala. Eu normalmente não gosto desse artifício, uma vez que ele é usado de maneira porca na maioria dos casos, pois, geralmente, não há nenhuma explicação lógica para aquela personagem em específica acreditar no viajante do tempo. No entanto, Steins;Gate não é a maioria dos casos. Aqui, temos a personagem Kurisu como sendo o porto seguro do personagem principal ao longo da sua caminha de construção e desconstrução da linha temporal. E tinha que ser ela, justamente porque ela é quem apresenta o conhecimento "bruto" sobre tais assuntos, ela é quem desenvolveu a máquina de saltos temporais. Ou seja, a escolha do roteiro foi exata e faz que não duvidemos da autenticidade do fato dela aceitar e entender o que o Okabe fala sempre que ele salta de uma linha para outra.
Saindo puramente dos aspecto envolvendo viagens e saltos temporais, o anime mostra novamente como possuir um roteiro sólido é uma das bases para a construção de uma obra-prima. Percebam como nada acontece em apenas um plano em Steins;Gate. Utilizando os dois exemplos citados no parágrafo acima, enquanto o roteiro anula a possibilidade de haver incongruências temporais ao trazer à tona que Daru foi o construtor da linha do tempo, ele cria um dos muitos plot twists da série; enquanto o roteiro utiliza Kurisu como o porto seguro do próprio roteiro para servir como alguém que aceita e ajuda o protagonista após o salto, ele insere os momentos mais profundos de desenvolvimento do casal e da sua relação, bem como aproxima ambos os personagens dos espectadores ao gerar um senso de humanidade e sentimentalidade nos dois. Sempre que pensamos que estamos encarando uma camada do show, seja um plot twist ou outro artifício do roteiro, temos, ao menos, mais uma outra camada acontecendo ao mesmo tempo. Desse modo, nada em Steins;Gate é único, gratuito, não existem cenas por conta própria, todas elas servem aos plots da animação mesmo que em camadas mais escondidas dos espectadores. Um exemplo claro são os D-mails: enquanto eles claramente servem como preparação para o plot da metade do anime, por trás deles temos a ideia de o quanto enviar uma simples mensagem pode alterar com a vida de milhares e, por que não, bilhares de pessoas. Um simples D-mail alterou por completo o bairro de Akihabara. Um simples D-mail alterou o sexo de uma das personagens, causou uma confusão gigantesca envolvendo outra personagem, o suicídio de outra. E o principal: a imprevisibilidade do tempo. Nem nós, nem os envolvidos nas mensagens e nem mesmo Okabe e Suzuha sabiam o que iria acontecer a princípio. Essas camadas são de extrema importância para um bom desenvolvimento a trama, uma vez que 24 episódios, mesmo parecendo uma quantidade considerável, é pouco tempo para uma história, ainda mais se tratando de animes (os quais os episódios tendem a durar entre 22 e 24 minutos com aproximadamente 19~20 minutos de animação propriamente dita, já que deve haver espaço para a opening e ending). Um dos truques de mestre do roteiro de Steins;Gate é apresentar várias coisas ao mesmo tempo: enquanto há um plot, temos desenvolvimento da trama, dos personagens, explanação sobre temas complexos de maneira surpreendentemente acessível (alô, Thiago!) e uma mensagem sendo passada por trás daquilo.
Ainda no roteiro, é chegada a hora de falar sobre o que, ao menos para mim, separa completamente Steins;Gate dos demais animes que eu assisti, sim, de todos, é chegada a hora de falar sobre os personagens. Ou melhor, sobre o desenvolvimento dos personagens. É muito raro, em animes, haver um real desenvolvimento de personagem, ou seja, um arco completo de desenvolvimento. O que acontece em animes que levam com mais seriedade o ato de escrever uma história, realidade que, infelizmente, não é a da maioria dos animes, é um "pseudodesenvolvimento", o que significa que, ao invés de ser apresentado um arco completo, é apresentado um meio arco ou um arco de "tamanho" correlato. Ou seja, nos é dado certo desenvolvimento do personagem, porém, tal desenvolvimento é limitado em demasia e, em alguns casos, é dotado de uma única utilidade na trama: não deixa o personagem, normalmente o principal, planificado, sem sentimentos, sem evolução. Isso porque tal evolução é o que humaniza o personagem, é o que nos faz sentir algo por ele, sentir suas dores e suas conquistas, pois criamos empatia por ele. E em Steins;Gate temos o que eu considero como sendo um dos melhores arcos de desenvolvimento de personagens do mundo dos animes. Antes de chegar nele, devo falar sobre os personagens em si.
A obra apresenta relativamente poucos personagens, estando esses relacionados de alguma forma com o laboratório, seja porque são um dos membros ou porque é quem aluga o laboratório para Okabe e seu grupo, o que possibilita a criação de uma identidade para cada um deles: os personagens de Steins;Gate, mesmo os secundários, são quase que exclusivos da obra. Mesmo muitos seguindo alguns estereótipos, eles sempre apresentam algo para nos lembrarmos de que eles são humanos e cada um apresenta sua própria personalidade. Isso, em si, já se caracteriza como uma característica importante no desenvolvimento de um anime de qualidade: é sempre bom termos bons personagens ao nosso lado durante a caminhada que nos será contada. Contudo, apenas bons personagens não fazem uma trama. É necessário haver o desenvolvimento deles, uma vez que é importante demonstrar que o que aconteceu na estória afetou eles de algum modo, afinal de contas, se não afetou meros personagens criados por outros humanos, quem dirá um humano. E, novamente, Steins;Gate acerta em cheio. Com momentos pequenos que demonstram o estado emocional dos personagens (falo de olhares, maneirismos criados ou deixados de lado, estado corporal, postura, etc) e de explanações necessárias sobre como personagens está se sentindo ou sobre como ele mudou após certo acontecimento, Steins;Gate desenvolve os seus personagens por meio de outros acontecimentos da trama(lembram do "sempre há mais de uma camada?" então...). Além de compactar a trama, os momentos de twists e plots são de extrema importância em um show porque é ali onde deve haver um impacto maior nas personagens e em nós espectadores, e Steins;Gate não deixa devendo em absolutamente nada quando falamos de plots e twists de uma estória. É inacreditável a capacidade do roteirista de subverter possíveis convenções do gênero em momentos tocantes, emotivos e importantes para a trama. É ao subverter as nossas expectativas após termos contato com tantas obras mal feitas sobre viagem no tempo que o roteiro encontra o elo entre as diversas partes da trama da animação; em outras palavras, é quando achamos que sabemos o que está acontecendo que o roteiro nos pega desprevenidos, é quando achamos que a situação não pode ficar pior que ela, de alguma maneira, consegue realizar esse feito. Inclusive, Steins;Gate apresenta algo único, ao menos eu nunca assisti uma obra com tal característica, ao realizar um dos maiores plots da série com algo que já tínhamos conhecimento. É o já conhecido, e muito bem utilizado nas melhores obras de todos os tempos do cinema, "nossa, como eu pude não perceber isso". Estou falando do momento em que o Okabe percebe que, ao decidir voltar à linha beta, ele também fez uma outra decisão: sacrificar Makise Kurisu. Um dos raros momentos nos animes que me dão arrepios ao lembrar dele. Mesmo já sendo algo que você sabe, afinal de contas ela morre naquela linha temporal no primeiro episódio, o anime faz questão de nunca mais tocar no assunto, de esconder tal fato, a fim de, no momento em que imaginamos estar tudo certo, nos pegar com os rabos entre as pernas. Absolutamente genial. São poucos os pontos que eu sequer cheguei a cogitar um erro quando se trata do roteiro de Steins;Gate.
E não bastando os inacreditáveis plots da série, temos um arco de desenvolvimento duplo que ocorre concomitantemente à evolução da trama e à preparação de outros plots (novamente, nunca é apenas uma camada): o arco do Okabe. Eu poderia resumir ele a algo como "assista por conta própria e experimente o que é a evolução real de um personagem", porém, estaria sendo injusto comigo mesmo, porque o fator que mais me motivou a escrever essa crítica foi esse arco. No início do anime nos é apresentado um estranho e peculiar cientistita japonês nomeado de Okabe Rintarou, o qual possuí um também estranho e peculiar laboratório composto por outos dois membros: Daru, conhecido como "super hackar", e Mayuri, uma gentil e inocente amiga de infânce de Okabe. No laboratório, eles testam equipamentos supostamente tecnologicamente avançados. Embora seja um local mais parecido com um mini-apartamento que foi utilizado por 20 anos como oficina e não com um laboratório, Daru e Okabe são extremamente inteligentes e realmente projetam e criam alguns objetos interessantes (enquanto Mayuri fica ao fundo compensando a aura nerd em demasia dos dois). Ao ser apresentado, Okabe apresenta diversos maneirismos e atitudes únicas do personagem, fatores que já estabelecem uma relação direta com o personagem: tudo aquilo que é novo é intrigante, e, se é intrigante o suficiente, por que não tentar entendê-lo? É apartir dessa ideia de peculiaridade do personagem que nos gradualmente, ao decorrer dos primeiros 11 episódios, aprendemos a gostar do personagem, a reconhecer tais pecualirades não apenas como esquizitices do personagem, mas sim como traços que componhem a sua personalidade animada, radiante e até despojada, mesmo ficando claro que ele não é o melhor cara do mundo quando se trata de relações interpessoais. No entanto, nunca é passada aquela ideia de pessoa isolada, que nega os demais em prol de uma ideia maluca da sua cabeça (a qual é muito presenta em cientistas malucos; geralmente, o personagem é um completo babaca), o que nos conecta de vez com o personagem. No entanto, tudo muda quando os efeitos dos D-mails começam a aparecer, tudo muda quando ele precisa a largar o seu estilo despreocupado com o mundo e começar a tomar decisões que vão alterar a sua vida e a vida de todos aqueles que ele ama. Inclusive as duas que ele mais ama. Mayuri e Kurisu são personagens chaves na história à medida que são elas, ou fatos que acontecem com elas, que guiam as tomadas de decisão de Okabe: ora a morte da Mayuri faz que Okabe decida ir de volta à linha Beta, ora Kurisu o faz entender de outra maneira a situação e o ajuda a superar os desafios dessa árdua caminhada. É ao longo dela, portanto, que temos o desenvolvimento desses dois como um casal e como figuras isoladas com um aumento considerado do "screen time" de ambos juntos, o que demonstra a inteção do roteiro em enfatizar eles como um casal. Mas lembram-se do que eu disse antes? Nunca é apenas uma camada. Não somente temos a intenção do casal pelo simples fato de ambos parecerem, e, quem sabe, serem feitos um para o outro, mas sim porque é desse desenvolvimento que o anime prepara o choque que tanto Okabe como nós iremos sentir: o da decisão entre quem irá viver e quem irá morrer. Vejam como aquelas ideias colocadas anteriormente sobre o porto seguro se conectam diretamente ao que acabara de ser exposta: é Kurisu quem serve de porto seguro, para a trama e para Okabe. É ela quem o ajuda nos momentos mais desesperadores, quem sorri para ele quando o mesmo só consegue ver uma linha que leva a um final desastroso. É, portanto, do desenvolvimento de um simples casal que o roteiro retira um rico arco de um dos personagens. Aliás, cito o romance dele com a Kurisu como o principal pois de fato ele o é, porém, cada personagem em específico da obra serve de desenvolvimento para o Okabe e cada linha temporal que ele volta ou avança apresenta uma direta alteração nele. Percebam como o anime dedicou um episódio inteiro apenas para ele e Ruka poderem ter seus conflitos e suas sub-tramas resolvidas. Nada é deixado para trás em Steins;Gate, bem como nada é de graça. Percebam como outro episódio é dedicado à explanação sobre a realidade da Moeka e sobre como ela foi induzida a realizar o ato que desencadeou toda a jornada de Okabe. As pontas das linhas da animação sempre se encontram devidamente amarradas.
No entanto, para completar o arco do personagem e separar, de uma vez por todas, Steins;Gate dos demais animes, temos a mensagem principal do anime. Percebam que eu sequer toquei nela ao longo da escrita, e isso se dá justamente porque o anime contém diversas mensagens, cada uma em sua devida camada de entretenimento. No entanto, foi após terminar o episódio 24, sentar e pensar um tanto sobre a obra que eu consegui enxergar o que o autor realmente quis passar para quem assiste a animação: muito mais do que uma obra sobre o tempo, sobre pulos, viagens e temáticas temporais, sobre um casal destinado a ficar junto, sobre como os humanos não devem brincar com o tempo achando que não haverão consequências futuras, Steins;Gate é sobre memórias. Não somente memórias, mas como essas memórias podem afetar uma pessoa. Como essas memórias moldam que nós, humanos, somos, como essas memórias são uma dádiva e uma maldição: esquecer elas pode ser doloroso, porém viver com elas pode ser tão doloroso quanto. Todos esses pontos convergem no que, para mim, foi o melhor momento do show: o episódio 22. Foi um dos únicos três momentos dentre os que eu já experimentei assistindo animes em que o pranto foi inevitável. Porque não somente é o ápice perfeito para um casal perfeito, não somente é um momento que todos pensávamos até então, não somente é um turbilhão de emoções: é sobre como esses momentos mágicos e líricos podem ser, em fato, um laço à realidade que vivemos que terá de ser partido de maneira dolorosa e melancólica. A dor de conhecer uma pessoa melhor do que ela mesma e ela sequer saber direito quem você é. A dor de ter que guardar as memórias vividas. A dor de ter que lidar com memórias que, como o nome sugere, são, agora, apenas memórias. Como bem dito por Kurisu, a Teoria da Relatividade é muito romântica. Mas muito triste.
Nada do que foi colocado seria tão efetivo se não tivéssemos uma brilhante trilha sonora de fundo. Em específico, devo citar a música que coloquei no início do texto. Essa é a OST que aparece no episódio 22, e justamente por ser o episódio mais emotivo e doloroso da série, essa OST carrega consigo um peso, uma clara dor, uma clara sensação de algo que ficou no passado. Ou melhor, em outra linha temporal. Algo que você amou e se agarrou com todas as forças, porém o destino inevitavelmente fez você perdê-lo. No geral, Steins;Gate tem muitas das melhores OSTs das animações, sempre cumprindo com o papel de reforçar o mood da situação.
Em suma, Steins;Gate é uma animação única pois consegue fazer muito bem tudo aquilo que se propõe a fazer: apresenta personagens incríveis e únicos, plots e twists de levar você do céu a terra em questão de segundos (os quais vão completamente te hipnotizar e forçá-lo a terminar o show sem pausas), arcos emocionais, principalmente o de Okabe, ímpares e cumpre a difícil missão de apelar o mínimo possível às convenções de obras do tipo. Se pudesse resumir o anime em uma palavra seria a palavra "único", pois diversas das características citadas não se encontram em outros animes ou, caso se encontrem, são minimizadas pela pressa do roteiro em querer demonstrar logo os plots da série. Não posso deixar de falar, antes de terminar o texto, sobre o passo do anime. Mesmo muitos criticando a primeira metade, ela, para mim, é o exemplo perfeito de como uma história deve ser feita. Sem pressa, demonstrando os personagens e dando a eles peso, importância, expressão, unicidade e humanidade. Steins;Gate é uma obra-prima do início ao fim e mesmo que possa apresentar algumas peças que, por se tratar de uma animação relativamente curta (lembremos que outras animações que fizeram algo parecido com Steins;Gate tiveram 40~50 para tal), podem faltar, as peças que se encontram montando o quebra-cabeça compensam completamente as que podem faltar. É como olhar uma Pixel Art a distância: um ou outro bloquinho faltando não retira a primazia do todo.
Minha nota perfeita é muito mais sobre como o anime me impactou do que seu número de acertos e erros, e é por isso que Steins;Gate segue sendo uma das quatro notas 10 na minha lista e meu terceiro anime preferido. Estonteante, imprevisível e apaixonante, certamente é um anime que te fará pensar sobre conceitos complexos, como viagens e saltos temporais, e, ao mesmo tempo, conceitos completamente humanos, como perda, memórias e escolhas.
Se tivesse acesso a uma máquina do tempo, buscaria alguma linha temporal em que o meu eu não se apaixonou completamente por Steins;Gate, porém, devo concordar com Okabe sobre como tudo parece convergir para um inevitável fim.
Escrita ao longo dos dias 14, 15 e 16 de maio de 2020, 16 anos antes da Terceira Grande Guerra.
Um dos poucos momentos na história da animação em que a perfeição foi alcançada. O final do episódio 24, junto com o episódio 22, são os melhores momentos que eu tive ao assistir uma animação japonesa ao longo das centenas assistidas.
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2020.05.15 20:11 mechanical_fan Vamos discutir o caso da Suécia /r/brasil.

Então, faz um tempo que eu vejo posts aparecendo no reddit em geral discutindo sobre o que acontece na Suécia e qual o objetivo do governo (sem praticamente nenhum tipo de base), então decidi fazer um post pra tentar esclarecer algumas coisas. Vou colocar fontes em sueco (e uma em norueguês), mas o translator faz um trabalho quase perfeito de tradução sueco-inglês (e provavelmente português) se alguém quiser ler.
Primeiramente, o governo sueco basicamente não decidiu nada diretamente. Ele simplesmente conversou entre os partidos no parlamento e eles decidiram que vão seguir o que o ‘epidemiologista chefe’ Anders Tegnell (que tem o cargo desde 2013 e trabalha na parte pública com doenças comunicáveis desde 2005) e a “Agência de Saúde Pública” (Folkhälsomyndigheten) falarem. A decisão é o mais técnico que pode ser, sem interferência nenhuma de politicagem ou economia. É literalmente proibido na constituição o governo interferir nas decisões dessas agências técnicas:
The Swedish constitution prohibits ministerial rule and mandates that the relevant government body, in this case an expert agency – the Public Health Agency – must initiate all actions to prevent the virus in accordance with Swedish law, rendering state epidemiologist Anders Tegnell a central figure in the crisis. The government usually follows agency advice – politicians overruling the advice from its agencies is extremely unusual in Sweden –
Agora vamos discutir algumas peculiaridades nórdicas que (provavelmente) influenciaram as decisões (e modelos epidemiológicos) do Anders Tegnell:
Número de pessoas por residência: A Suécia tem, literalmente, o menor número de pessoas dividindo uma moradia no mundo. É também país onde as pessoas saem mais cedo da casas dos pais no mundo . Em anedota: eu não conheço ninguém com mais de 19 que more com os pais. Conheço uma moça que divide um apartamento com o irmão, e as pessoas já acham isso esquisito.
Sweden has the smallest average household size in the OECD. With fewer than 2 people (1.99) per household, it is well below the OECD average of 2.63.
(https://www.oecd.org/els/family/47710686.pdf)
Densidade populacional e tamanho de regiões metropolitanas: A Suécia é em grande parte vazia. A densidade populacional é praticamente a mesma do Brasil, mas com uma grande diferença: A população é bem mais distribuída em cidades de tamanho pequeno e médio que super concentrada em metrópoles. As maiores regiões metropolitanas têm 2.2m, 1m e 700k habitantes (Estocolmo, Gotemburgo e Malmö). Depois disso nenhuma passa de 500k (a maior é Motala-Linköping-Norrköping, com 450k) (https://sv.wikipedia.org/wiki/Sveriges_l%C3%A4n). As cidades em si também são pouco densas, prédios com mais de 6 andares são (muito) raros.
Pra ver um mapa de densidade populacional da Europa: https://i.redd.it/l83xfr216wv41.png
Hábitos da população e confiança no governo: Esse é um caso mais complicado de achar fontes já que é cultural, mas é uma população que já naturalmente não gosta de proximidade física a outras pessoas Essa é uma cena comum, mesmo sob forte chuva ou nevasca. Além disso a população tem alta confiança no governo e em seguir simplesmente recomendações desse sem necessidade de leis específicas para isso.
Sistema de registros e número de identidade: Isso é uma peculiaridade da Suécia. Mas eles tem o sistema de registros (registers) que é provavelmente o mais completo do mundo. Na verdade, é bem comum o governo sueco ser acusado e não dar privacidade nenhuma a população devido à quantidade de informação que eles constantemente coletam, tudo ligado ao seu número de identidade. Em anedota: Eu fiquei doente uns meses atras e fui no médico que me recomendou antibióticos, mas não me deu receita (em papel físico). Eu fui na farmácia, dei o meu cartão de identidade e o farmacêutico já sabia o que tinha acontecido comigo ao consultar no computador. A conta da consulta chegou por correio. O governo sueco coletou: quando eu fiquei doente, com o que, quem me atendeu e qual antibiótico (até a marca) eu comprei. O endereço ele já sabia. Na verdade, é bem comum em compra online você colocar seu número de identidade e o site auto completar seu nome, data de nascimento, endereço, telefone e email.
Número de mortos: A contagem é diferente de todos os países no mundo, mas é provavelmente a mais precisa e realista. Eles simplesmente cruzam as informações na base de registros deles e contam como morte por covid qualquer um que morreu até 14 dias depois de qualquer diagnóstico de covid. É bem comum nos outros países dependerem de hospitais/médicos reportarem diariamente e individualmente mortes por covid, alguns nem estão/estavam contando mortes em casas de retiro (UK, Italia, Espanha e Holanda). Na Noruega mesmo ainda é feito por telefone e eles mesmo comentam que os números seriam diferentes se fizessem contagem como a Suécia. Isso evita algumas dúvidas, por exemplo: se alguém tem alguma comorbidade como câncer e covid, a morte foi causada por qual? Alguns médicos podem colocar câncer, mas pro governo sueco é contado como covid, sempre. Se você morrer em um acidente de carro atropelando um alce 12 dias depois, também é morte por covid (é um problema real, a Volvo inclusive testa para isso).
Objetivo: Vamos acabar com algumas lendas urbanas aqui. Não é objetivo do governo sueco alcançar imunidade de rebanho. Também não é objetivo “preservar a economia”. O principal objetivo da “Agência de Saúde Pública” é simplesmente evitar que o sistema de saúde não seja sobrecarregado e ter uma política sustentável a longo prazo. Na verdade o Tegnell é bem pessimista sobre essas coisas:
Anders Tegnell, Sweden’s state epidemiologist who devised the no-lockdown approach, estimated that 40 per cent of people in the capital, Stockholm, would be immune to Covid-19 by the end of May, giving the country an advantage against a virus that “we’re going to have to live with for a very long time”.
“In the autumn there will be a second wave. Sweden will have a high level of immunity and the number of cases will probably be quite low,” Mr Tegnell told the Financial Times. “But Finland will have a very low level of immunity. Will Finland have to go into a complete lockdown again?”
“I don’t think we or any country in the world will reach herd immunity in the sense that the disease goes away because I don’t think this is a disease that goes away,” he added.
“It’s a big mistake to sit down and say ‘we should just wait for a vaccine’. It will take much longer than we think. And in the end, we don’t know how good a vaccine it will be. It’s another reason to have a sustainable policy in place.”
https://www.ft.com/content/a2b4c18c-a5e8-4edc-8047-ade4a82a548d
Ações do governo: Basicamente, fechou escolas de ensino médio, universidade, proibiu visitas em casas de retiro, agregações acima de 50 pessoas e o mais importante: Colocou uma série de recomendações de comportamento e informou toda a população (isso pode ser visto em (https://www.folkhalsomyndigheten.se/smittskydd-beredskap/utbrott/aktuella-utbrott/covid-19/). Decidiram não fechar escolas para não sobrecarregar quem trabalha no sistema de saúde e não arriscar que as pessoas peçam ajuda a familiares mais velhos:
According to the Health Agency, the main reasons for not closing schools was that as a preventive measure it lacked support by research or scientific literature, and because of its negative effects on society. They argued that many parents, including healthcare professionals, would have no choice but to stay home from work to care for their children if schools were closed. There was also concern for a situation where elderly people babysit their grandchildren, as they are of bigger risk of severe symptoms in case of infection. According to agency's estimations, closures of elementary schools and preschool could result in an absence of up to 43,000 healthcare professionals, including doctors, nurses and nurse's assistants, equalling 10 percent of the total workforce in the sector. In May, Tegnell said that the decision was right, as the healthcare system would not have managed the situation the past months if Swedish authorities had chosen to close elementary schools.
https://en.wikipedia.org/wiki/COVID-19_pandemic_in_Sweden#Strategy
Redução em horas. O governo sueco está cobrindo até 50% da redução em horas, ou seja, a empresa paga metade, e o governo cobre o resto e as pessoas só trabalham 50% também. Empregadores pequenos recebem algumas outras vantagens também.
O governo começou a cobrir pagamento de todos os dias de afastamento por doença e mudaram as regras sobre receber salário em caso de doença:
The 'karensdag' or initial day without paid sick-leave has been removed by the government and the length of time one can stay home with pay without a doctor's note has been raised from 7 to 21 days.
https://en.wikipedia.org/wiki/COVID-19_pandemic_in_Sweden#Finance_and_the_economy
Resultados: As pessoas seguem recomendação do governo? Sim. Por exemplo, na semana da pascoa, um dos maiores feriados na Suecia, as visitas para Gotland (um dos pontos de férias mais populares) caíram em mais de 90%. Åre (estação de ski) e o resto do país tiveram números similares.
As pessoas estão trabalhando de casa. Não consigo achar um valor recente para o país inteiro, mas essa fonte para Estocolmo está entre 70-80% dependendo do bairro (conforme classe social, como esperado). Eu pessoalmente só tenho um amigo que está indo pro trabalho fisicamente, mas ele é engenheiro em uma fábrica e está indo 2 vezes por semana. A Suécia é um país altamente digitalizado, tanto em acesso a internet e uso diario quanto ao tipo de industria. Isso facilita bastante. (de cabeça: Spotify, Ericsson, King, Paradox, Mojang, Klarna)
Houve também expansão da capacidade de UTI, no pico, por volta de 80% do sistema estava sendo usado. Mas o pico passou. Os melhores sites para ver o estado atual e histórico, na minha opinião são:
https://adamaltmejd.se/covid/
https://c19.se/en (clique na legenda para escolher o que quer ver e mudar escala - número de pessoas no hospital e em UTI/IVA tem caído faz duas semanas)
Teve problemas? Sim, teve muito problema nas casas de retiro:
He made the point that care homes in Sweden — like in the rest of the Nordic region — were for “the very old and the very sick”, as most elderly people live at home, and that there were known “quality problems” with care providers, often private companies.
“Unfortunately those quality problems have proven to make the elderly very vulnerable to infection,” Mr Tegnell said, adding that an investigation had begun.
https://www.ft.com/content/a2b4c18c-a5e8-4edc-8047-ade4a82a548d
Economia: Como eu comentei, isso simplesmente não é o ponto do governo sueco. Nunca foi. Na verdade, qualquer discussão agora é muito cedo, por razões óbvias. Vai ter artigo científico sendo escrito sobre cada país pelos próximos 10 anos. Mas a economia sueca é mais dependente de exportações de manufaturados que os vizinhos, por isso até mesmo esses pequenos pontos é dificil de comparar (de cabeça: Eletrolux, Volvo, Scania, IKEA, H&M). É simplesmente cedo demais. E quem está tomando a decisões não se importa com isso também. Ninguém espera salvar a economia nem coloca como objetivo.
“It is too early to say that we would do better than others. In the end, we think Sweden will end up more or less the same,” said Christina Nyman, a former deputy head of monetary policy at the Riksbank who is now chief economist at lender Handelsbanken.
One big reason is that Sweden is a small, open economy with a large manufacturing industry. Truckmaker Volvo Group and carmaker Volvo Cars were both forced to stop production for several weeks, not because of conditions in Sweden but due to lack of parts and difficulties in their supply chains elsewhere in Europe. Ms Nyman noted that despite being relatively little hit directly by the 2008 financial crisis Sweden’s economy still suffered more than many.
Ms Nyman said she believed that without the no-lockdown policy, Sweden would have been harder hit, as in 2008. “If we didn’t have these better circumstances, we would have done worse. Usually, we are more severely hit by a global recession,” she added. Economists at Swedish bank SEB estimate Sweden’s GDP will drop 6.5 per cent this year, about the same as the US and Germany, but a little better than Norway and ahead of 9-10 per cent falls in Finland and Denmark, all of which have had lockdowns.
But Mr Oxley stressed that Sweden was still dependent on demand and supply chains in other countries. “There’s only a limited amount of upside to being contrary when the rest of the world is doing the opposite,” he added.
https://www.ft.com/content/93105160-dcb4-4721-9e58-a7b262cd4b6e
TLDR: A estratégia da Suécia é diferente mas as intenções são bem diferentes do que as pessoas tem falado nesse sub. É sobre a economia (ou políticos)? NÃO. É a melhor estratégia? É cedo pra dizer. Eu recomendaria para o Brasil? NÃO. O Brasil: não tem capacidade nos hospitais, as cidades são imensamente mais densas, as pessoas moram com a família, gostam de contato físico e não gostam de seguir recomendação governamental.
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2020.05.08 20:59 xchapstickx Não tenham filhos só pra alguém cuidar de você mais tarde

Não tenham. Eu não quero entrar nos motivos de alguém querer ter filho ou não, eu não posso cagar regra pra ninguém, mas eu sou fruto do desejo de "ter filho pra alguém cuidar de mim", e é um peso enorme. Lendo de primeira, pode parecer ingratidão, mas nunca foram construídos laços na minha família. Sabe aquela sensação de estar acolhida? De ter um lugar seguro pra ficar? Problema toda família tem, é engraçado, mas quando ameaças, mentiras horríveis e pressão psicológica se tornam uma constante na infância e adolescência, é impossível ter laços ou empatia com quem te criou.
Eu tenho 26 anos, saí de casa, casei e sou tão, mas tão feliz! Tenho sequelas complicadas por conta do que já passei, e tento contornar isso dia após dias, mas ultimamente o peso de ter que cuidar da minha mãe daqui um tempo tem sido complicado. Minha mãe não é a pior pessoa do mundo, mas foi ela que me deixou crescer numa casa sem segurança, com meu pai ameaçando a mim, ela, pra no final eu descobrir que ela falava mal de mim pra ele e mal dele pra mim. Minha mãe é o tipo de pessoa que pensa que ninguém presta, que olha torto pra quem é fora do padrão e é confiante, que conseguiu brigar com a família toda por sempre querer ter razão.
Eu não duvido que ela me ama, jamais. Mas ultimamente vem surgindo a conversa de mudar pra uma casa no meu bairro, pra ficarmos mais próximas. Ela ficou sozinha com a minha vó, de 93 anos, que eu amo mais do que tudo. Eu sempre tento visitar ou telefonar pra minha vó, ela também foi vítima da minha mãe, por ter mantido meu pai dentro de casa tanto tempo, ouvindo ameaças dele e coisas do tipo "vou matar essa velha". Na última vez que fui lá notei minha mãe olhando com nojo pra minha vó. Enfim, eu tenho planos de sair do país, eu não criei laços com a minha mãe o suficiente pra cuidar até a morte, e a presença dela me faz mal...
Se você quer ter filhos que cuidem de você na velhice, faça por onde. Crie com muito, mas muito respeito, amor é importante, mas respeito e segurança que fazem laços se criarem.
submitted by xchapstickx to desabafos [link] [comments]


2020.03.31 03:34 busdriverbuddha2 Somente ao saltar da cabeça do leão ele provará o seu valor.

Queridos, queridas,
Um ano e meio atrás, escrevi um post neste subreddit com esse mesmo título. À época, foi uma última tentativa de convencer alguns a votar no Haddad, contra o Bolsonaro. Não porque eu gostasse daquele – explicitei naquele post meu longo histórico de decepção e ira com o PT – mas porque sabia que este faria um dano terrível à nação, maior do que nossa geração jamais experimentou.
Não sei se convenci alguém, mas é indiferente. O que aconteceu, aconteceu. Tomei nota do resultado eleitoral às 19h, quando fui estender roupa e ouvi uma dolorosa salva de fogos de artifício ao longe. Morava em um bairro conservador na época, e sabia bem o que significava. Mais tarde, na companhia virtual de queridos amigos deste sub, enrolei-me num edredon, fiz uma caipirinha com o que tinha em casa, e ouvi Roda-Viva em loop. Era o começo de uma noite longa, e ainda não amanheceu.
Na próxima quinta-feira, completo 14 dias de isolamento. Saio apenas para ir e voltar do supermercado. Às vezes compro um dogão do senhor que o vende na praça de frente para o meu prédio. E, subtraídas as horas de home office, tarefas de casa e sono, passo o restante do tempo acompanhando as notícias pela internet, tentando em vão achar alguma pista para o que nos espera amanhã.
De todos meus amigos, ouço o mesmo relato. Quebras de rotina. Gente comendo mal, se descuidando, tendo atritos com familiares pela proximidade constante. Estamos todos em suspensão, esperando a volta da normalidade, como se tivéssemos saído nas piores férias das nossas vidas e que o inferno cessará tão logo retornemos para casa.
Mas o pesadelo não começou agora. Não começou em janeiro com o COVID-19. Tampouco em 2018, com a eleição de Bolsonaro. Nosso país está vivendo essa tempestade de ódio e violência psicológica desde 2014, talvez antes.
Tampouco teremos paz quando o vírus estiver contido. Estamos em março. As previsões mais otimistas é que estaremos em curva descendente em julho. E não me interpretem mal – eu apoio 100% as medidas de restrição de movimento e fechamento do comércio. Estamos, afinal, escolhendo o menor de dois males: causando estragos inomináveis à nossa economia e ao sustento de muita gente, para evitar mortes na casa dos milhões e uma hecatombe financeira ainda maior.
Só lunáticos como o Bolsonaro e sua comitiva de boçais enxerga isso como uma escolha. Não há escolha. Só há sobrevivência. Ele excluído, toda a classe política brasileira, com todas as suas falhas, reconhece a urgência da situação. Não é sempre que vemos políticos do PCdoB e do DEM agindo em tamanho consenso. Sinal do fim dos tempos, diriam alguns.
Talvez estejam certos, talvez não. Tudo que sabemos agora é que esse tempo de amargura está longe do fim. Se as estrelas se alinharem e o distanciamento social fizer seu trabalho direito, em agosto estaremos caminhando livremente pelas ruas, dando abraços em nossos pais e avós, e aproveitando todo o ar livre que pudermos. E eu desejo a todos, de coração, que seja assim mesmo.
Mas ao mesmo tempo, fica aquela pergunta: Que mundo encontraremos lá fora? O que restará da nossa sociedade? Está cedo demais para entrar nas profundas ramificações que essa pandemia terá no nosso mundo, mas uma coisa é certa: o estrago será colossal.
Recebi ontem da minha mãe um vídeo desses feitos para WhatsApp, fazendo um apelo nostálgico às glórias dos anos 60, 70 e 80, e como tudo era mais simples e puro. A geração dos nossos pais colheu os frutos plantados pelos seus pais, que reconstruíram o mundo após o cataclisma da Segunda Guerra. Fiquei um tempo refletindo sobre a bizarrice daquele vídeo (que convenientemente ignorava todas as atrocidades da Guerra Fria) e me perguntei: "Será que vou ter o mesmo de saudosismo cego quando tiver mais de 70?"
Em vista de tudo que tem acontecido, acho que não. Algo me diz que nossa geração terá muito mais a ver com a dos nossos avós do que com a dos nossos pais. Muito em breve, teremos um mundo a reconstruir. E em face da catástrofe humana que se avizinha e do terror climático que se torna cada vez mais evidente, não tenham dúvida: Não existe caminho de sobrevivência para esta nossa humanidade que não passe pela solidariedade, pelo respeito à vida, e pela busca por igualdade de direitos.
Caberá à nossa geração achar uma maneira de chegar lá. Tal como Indiana Jones, frente ao abismo que o separa do Santo Graal que dará um sopro de vida ao seu velho pai, teremos também que dar o salto da Cabeça do Leão – não com pressa ou desespero, mas com a serenidade de quem dá um passo firme no caminho certo.
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2020.02.10 15:30 KNWRV Escrevi esse conto e gostaria de um feedback

O funeral
Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2020.01.16 01:33 KNWRV O Funeral

Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2020.01.10 16:41 KNWRV Vejam oq vcs acham desse meu conto

O funeral
Na estante de madeira, uma coleção de livros; uma televisão sobre a bancada, lâmpada fosca de tungstênio, ele se encontrava deitado sobre o teclado do computador, semi-desperto, na tela do computador se lia: “A vida e a morte de zdweddddddd...”. José Augusto era escritor, vivia de pequenos contos, algumas traduções aqui e outras ali. Dava pra pagar o pequeno apartamento em que vivia. Não tinha mais companhia, terminara com a namorada, o cachorro Tufão morreu há um mês. Vivia, ainda que mal vivia.
Prim,Prim...Ah! Acordou de sobressalto, era aquele maldito telefone, pra quê pagava aquela linha? Ninguém mais ligava ali, bom mas alguém ligava... Foi caminhando zonzo, no andar dos bêbados. Alô! É da casaa do senhor José Augustoo? – falava como se puxasse a última vogal de algumas palavras ou era a ligação- É sim. Quem fala? É Helena, mulher do Leonardo. Do Leonardo? Como ele tá? Já faz muito tempo que eu falei com ele! É assim...humf,humf... ele saiu dessa para uma melhor- disse entre choramingos. Meu deus. O funeral vai ser hoje à tarde, uma da tarde, seria bom se você aparecesse no funeral, ele pediu que eu te entregasse algo. Eu vou sim, claro que vou- falava estupefato- Tá certo... Tá certo. Funerária Jerusalém. Tá certo.
Morto, defunto, funeral... hoje? Uma hora? Mas como? Quando? Ele tava doente? Por que ele não falou nada? Faz o quê? Cinco anos? Seis? Sentou-se consternado, novamente, em frente do computador. Eram oito horas e trinta minutos, depois dessa mórbida conversa sentiu seu lábio rachado como as terras áridas do deserto, levantou-se da cadeira, a visão ficou turva e sentiu uma certa vertigem. Escuridão, tudo negro... morte? Morte? Não, ainda não. Andou meio bambo até a cozinha, retirou uma vasilha de água da geladeira. Bebeu direto dela, os copos estavam sujos. Funerária Jerusalém. Eu vou ter que pesquisar onde fica. Voltou ao quarto em duas passadas, sentou todo afobado, abriu o navegador, digitou no site de busca: Funerária Jerusalém. Descobriu que ficava na rua Azul do bairro que vivia, eram três quadras de distância, iria a pé, estava decidido.
Preto, é claro! Tem que ir de preto. Não poderia ir com a regata branca amarelada e esburacada na altura das axilas e nem mesmo o short florido que trajava no momento. Saiu do cômodo e voou pelo quarto para o armário. Cadê? Cadê? Aqui. Tirou uma amassada camisa do armário. Eu passo? É tenho que passar, mas primeiro a calça. Cadê? Cadê? Aqui! Pegou uma calça negra, mas com um buraco na parte esquerda da calça. Tem outra? Não, não tem. Droga! Jogou a calça e a camisa na cama. Meias? Precisa de meias pretas? Melhor né? Cadê? Cadê? Não tem, branco é tranquilo, é só a meia, pegou o único tênis que tinha; claramente preto. O tênis estava deplorável, a camisa amassada e a calça furada, mas era o que ele tinha.
Tem que passar a camisa... passo? Eu passo... não pra quê? Ninguém vai reparar, ninguém sabe que José Augusto é apenas um fracassado de quarenta anos, ninguém sabe, nem saberá. Que horas são? Olhou o relógio, já eram doze horas, mas já? Quanto tempo foi perdido nas roupas? Talvez uma fenda o tempo se abriu e me sugou para dentro e eu não percebi? Talvez o preto fosse uma espécie de cor sagrada em que o contato possibilitava romper as barreiras da realidade, os questionamentos fluíam da cabeça de José Augusto tomando forma na realidade, enfim concluía sempre seus pensamentos com um: “Hmm... devo escrever uma história sobre isso”. Já eram doze horas, isso lhe era inegável, ainda que tentasse justificar com ideias de ficção científica. É realmente não dá para passar. Voltou à cozinha; abriu a geladeira, tinha um pequeno prato com um pedaço de carne, pegou a margarina, caminhou até o fogão, ligou-o, chama alta, derramou quase toda a margarina na frigideira, fritou o bife, o boi morto ardia no metal, chiando, o som agudo causava certa irritação em seus ouvidos, levou o dedo ao ouvido, evitando o som que em poucos segundos cessou. Cortou um pedaço de pão velho perdido pela cozinha em uma cesta perto da geladeira, pôs a carne nele, comeu em duas mordidas. Tomo banho? Cheirou-se, não havia odor algum, não, só troco de roupa. Voltou ao quarto, trocou o folgado short que usava pela camisa amassada e a calça rasgada. Era hora de ir ao funeral.
Saiu do apartamento, trancou a porta, desceu as escadas, abriu o pequeno portão. Começou a andar no quarteirão, o sol estava queimando, os prédios mais distantes apareciam em formas distorcidas em meio ao calor como se fossem visões de uma realidade que nunca existira. Passou o primeiro cruzamento; faltavam três; uma velha corcunda vestida com um vestido florido e com cabelos brancos que pareciam brilhar em meio ao sol esperava no segundo cruzamento, ela quer atravessar? Ajudar uma velha, eu sou o quê, um escoteiro? Isso é tão ridículo. José confrontava a ideia de ajudar uma velha a atravessar a rua e não fazer nada, não importava sua escolha ambas aos seus olhos lhe pareciam ridículas, a primeira era algo quase que irreal, algo como um drama de uma história sem sal, típicas do seu trabalho de escritor menor; a segunda porque em nada mudaria o destino das estrelas no universo, uma pequena ação em uma rua tão pequena, nada poderia mudar o significado do mundo, porém alguma ação de José Augusto já havia mudado o universo? Ele pesava ambas com cuidado, agindo com uma balança perfeitamente regrada, ele sentia o que cada uma poderia causar: no fim concluiu que ajudar ou não ajudar não importava.
Quem sabe a primeira me compre um lugar no céu. Acreditava no céu? Isso não se sabe, nem ele sabia disse ao certo. José ia à igreja algumas vezes, sabia decorado alguns salmos, o pai-nosso, a ave-maria, credo e mais algumas, o tempo que passara na Eucaristia e em sua Crisma, lhe fora cansativo, porém internalizara bem os comandos de Dona Susana, mas não chegou a concluir se tinha uma fé verdadeira ou imposta, a verdade que nem ele sabia no que acreditava: às vezes se baseava puramente na ciência outras vezes falava de coisas imateriais e justificava com destino e outras coisas assim. Era um ser curioso, um escritor sem muito valor, mas bastante curioso.
Com as dúvidas na cabeça e o sol sobre a cabeça, ele se aproximou da velha corcunda. Senhora quer ajuda? Obrigado, meu filho.- disse abrindo um sorriso com os dentes amarelos, demarcados pela falta de alguns, entre os buracos parecia haver um fogo que ardia de dentro de seu ser. Ele a pegou em sua mão, a mão era fria, como se ele sentisse a mão do falecido que veria no funeral. Cuidadosamente, primeiro um pé e depois um outro, cuidado com os carros. Senhora, não precisa se apressar, vamos devagar. Isso, devagar. A velha somente ficava calada, mostrando seu sorriso furado e amarelo. Enfim atravessaram a rua, com certa lentidão típica daqueles que atravessam para o outro lado da rua. Largou a mão fria já na calçada, olhou os olhos da velha que mais pareciam tragar toda a luz e não emitir nenhuma, desafiando os princípios físicos e disse: A senhora tem que tomar cuidad... Tá falando com quem otário?! Disse um garoto com boné para trás que passava pela rua.
José Augusto desviou seu olhar para o jovem que passou e depois retornou para onde deveria estar a velha, mas ela já não estava mais lá. Olhou para os quatros cantos, a velha desaparecera em meio ao sol quente daquela quinta-feira. Como poeira naquele asfalto, a velha sumira diante do mundo, levada pelo vento quente. Como era de tentar justificar tudo José Augusto formava pensamentos desconexos para tentar compreender aquela história: foi o sol, ele pensava, o calor muda a visão e a realidade, apenas pode ser isso, assim como os prédios distorcidos, a velha não passava de uma distorção da realidade, existem algumas teorias físicas que apontam distorções do espaço-tempo, talvez a velha fosse uma extensão dessas distorções, pensava com a cabeça de um físico teórico. Continuou andando pelas cimentadas ruas, o sol queimava, mas ainda andava com passos firmes, formulando outras teorias sobre as distorções do continuum espaço-tempo. Absorto nessas ideias, ele não percebeu que apesar do sol incidir obliquamente sobre seu corpo, ele não tinha sombra, um fato muito mais curioso, haja visto que a velha caminhava logo atrás dele, sem nenhum som, ou seja seu desaparecimento não valia a pena ser investigado porque já reaparecera. Sob o sol forte, ele, enfim, chegou em frente à funerária, uma casa azul, com algumas flores amarelas na entrada e uma árvore murcha. José entrou fazendo o sinal da cruz.
“José”. Helena, há quanto tempo; Helena usava a típica roupa de viúva; negra, usava um véu sobre a cabeça branco que destoava, mas era o mais típica possível. Havia dois vasos com flores vermelhas na sala, no caixão do defunto, mais flores vermelhas e ao redor vários olhos vermelhos e inchados de choro. Perto do caixão estava a mesma velha corcunda do vestido florido, ela abriu o mesmo desdentado sorriso amarelo e José Augusto atônico, desviou o olhar das chamas que ardiam entres os furos de seu sorriso. O que foi José? Parece que viu um fantasma. Não é nada... não é nada, Helena. Ela tinha o nariz e os olhos verdes avermelhados, possivelmente do choro, pensava José. A idade não havia sido severa com Helena, ela ainda continuava bonita quando nos tempos da juventude. Ela um tanto apressada, com medo de não ter outra oportunidade, ela tirou do bolso uma pequena foto e disse: José, o Leonardo pediu para eu te entregar. Ela então entregou a foto amarelada: José e Leonardo jovens, em tempos de faculdade, sentados sobre o capô de um gol branco, José ria e Leonardo sorria olhando para baixo, o sol incidia sobre o vidro e aquele momento ficou capturado como uma alegre lembrança. Bons tempos, do que será que ele morreu? Eu pergunto? É rápido...ele olhou o nariz vermelho e subitamente sua coragem cedera, não, não pergunto, do que adianta saber, em que isso mudaria a situação?
Ele nunca me contou o porquê de vocês terem brigado, disse Helena com um certo tom de inocência na voz revelando seu inerente desejo de saber o porquê de tão bons amigos terem parado de se falar repentinamente, faz tanto tempo- disse lentamente José Augusto- eu nem lembro o motivo... eu devia ter pedido desculpas, ele olhava para os azulejos à portuguesa do chão. Ele também deveria, disse Helena abrindo um sorriso de complacência, sabendo da personalidade cabeça-dura de seu finado marido. Eles se despediram de uma forma silenciosa, Helena foi receber outros que chegavam, José sentou na cadeira de plástico bamba do canto esquerdo, com a foto na mão direita, que manuseava incessantemente entre os dedos, ele olhava fixamente para o caixão, assim como para a velha. Permaneceu sentando no canto por longos trinta minutos, alheio ao mundo; revivendo o garoto solitário que ficou amigo do garoto popular, dos jovens na faculdade, das alegres brincadeiras e queria lembrar o motivo da briga, mas não lembrava, fixava os olhos cansados sobre a foto, esquecera da velha por um momento, tentava lembrar com todas as suas forças o motivo da briga, mas não lembrava. Revisitando suas diáfanas memórias de amizade e juventude, dos namoros e diversões, de seu melhor amigo improvável, fez com que escorresse, por sua face que já enrugava, uma lágrima, somente uma, mas uma escorreu.
Levantou-se, foi-se embora lentamente, sem ninguém perceber, abriu a porta e saiu da funerária, também fazendo o sinal da cruz. A velha do sorriso amarelo o acompanhou; passou pela árvore murcha e as flores da entrada, sob o sol ainda fervente, voltou ao seu apartamento, alheio ao mundo, despercebendo as mudanças que os prédios sofriam, deixando a forma de prismas retos, para uma forma arredondada e curvada. A velha corcunda que o acompanhava, fazia o papel de sua sombra que inexplicavelmente sumira. José Augusto normalmente iria criar teorias científicas, filosóficas ou qualquer outro motivo para aqueles momentos, porém absorvido no passado que revivia em lembranças não pensava nisso, abriu a porta do seu apartamento que rangeu como um último grito de um moribundo, sentia em seu peito uma necessidade de escrever, sem trocar a roupa, comer ou beber água, encaminhou-se ao escritório, colocou a foto em cima da bancada, sentou em frente ao computador, a velha do sorriso amarelo ficara no canto do cômodo observando-o trabalhar, o seu sorriso era cada vez mais macabro, mas o escritor nada notava, apenas digitava, tudo que sentira naquela revisitação de suas memórias. José Augusto escrevera, até o anoitecer e além, o livro de sua vida: “Duas vozes”, a lua já estava alta e as estrelas cantavam, sentiu um grande sono e caiu sobre o teclado dormindo, com um sorriso escancarado, reconhecendo que escrevera uma obra digna de autores como Proust, Machado e Joyce, quem sabe estaria ele ao lado deles, após aquele livro.
A velha aproximou-se, deu-lhe um abraço e trouxe um pequeno cobertor do quarto para José, por uma última vez ela abriu o sorriso amarelo: É uma história bonita. Parabéns, José Augusto. Disse com sua voz fria e profunda que ecoava em uníssono com o silêncio do quarto frio.
“Duas vozes” virou um sucesso, falava-se dela nas ruas, na tevê, ganhara a aclamação de crítica e público, suas passagens eram recitadas por jovens e velhos e até sua abertura, que para os leitores era tão icônica, virou frase de para-choque de caminhão e tatuagens na pele de muitos que nunca viram o rosto de José Augusto, a frase era mais ou menos assim: “Cuide de suas lembranças, elas são o cemitério que você leva na cabeça”.
“Duas vozes” era claramente uma versão poética de sua amizade com Leonardo e todas as aventuras de infância, juventude e maturidade pelas quais passaram. Os críticos que a aclamaram depois, perceberam facilmente essa criação poética das lembranças e suas semelhanças com a realidade. Assim como destacam que foi escrita na quente quinta-feira do funeral de Leonardo e da morte de José Augusto.
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2019.12.17 01:32 lilvalgreen Síndrome do Pânico

Todos sabemos que só existe uma coisa inevitável, a morte. Como você se sentiria pensando nisso 90% do seu tempo?
Essa é a minha realidade, e possivelmente a de muitas outras pessoas. Desde pequeno eu era muito ansioso, isso me atrapalhava mas nada grave, as coisas ficaram realmente ruins no meu primeiro emprego/estágio da vida. Eu havia me tornado Analista de Sistemas em uma empresa nacional muito valorizada, na época considerada a melhor empresa para se trabalhar no meu estado via indicativos de satisfação dos colaboradores registrados pela GPTW (Great Place To Work, ou em português, Grande Lugar Para se Trabalhar).
Sou diabético desde os 3 anos por uma disfunção, isso me faz parar no hospital diversas vezes durante minha infância, meu irmão mais velho também é, então creio que não sofri como ele por ter sido o primeiro. Ao começar no trabalho eu comecei a me sentir um pouco estranho, sofria de pressão baixa e não sabia (provavelmente por causa da diabetes descontrolada), trabalhava em meio ao ar condicionado (na direção dele) e a saída do trabalho era em uma praça muito quente. Eu também trabalhava no 19º andar e creio que toda essa mudança térmica e de altitude culminava em impactos diretos na minha pressão arterial.
Comecei a desenvolver uma certa alergia ao ar condicionado, sentia dores no peito, constantemente meu nariz entupia, sentia um gosto estranho na boca, sentia tontura por causa da pressão baixa, sonolência pois não dormia direito, estagiava pela manhã e de noite ia para faculdade (do outro lado da cidade). Sentindo falta de tempo para ir ao médico, comecei a consultar o "Dr. Google" onde quase todas as pesquisas de sintomas te revelava as piores doenças possíveis (câncer e por aí vai).
Me tornei hipocondríaco, creio que depois disso comecei a sentir coisas que eu nem estava de fato sentindo, era psicológico e cada vez mais eu me convencia que estava morrendo. Ao me abrir com os meus pais eu desabei, disse que pediria demissão, largaria a faculdade e que ia cuidar de mim mesmo. Após muitas conversas e indo contra a vontade de meu pai eu larguei "o estágio dos sonhos", porém continuei na faculdade (eu era bolsista do PROUNI).
Apesar de ir ao médico eu não fazia qualquer tipo de terapia ou visitava o psiquiatra, apenas fiz uma bateria enorme de exames (inclusive neurológicos), até me convencer que eu não estava doente. Porém não fazer terapia tinha sido um erro, pois eu tinha alguns ataques de ansiedade isolado, mas na época ainda não sabia dizer do que se tratava.
2 a 3 meses após deixar o estágio, durante a uma conversa normal com os meus colegas de faculdade eu tive uma crise de estresse misturada com ansiedade que elevou minha pressão do normal dela 10/6 para 19/12. Nesse dia eu quase desmaiei e foi terrível, graças aos meus amigos a Bombeira que trabalha na faculdade me salvou entrando em contato com meus pais e me encaminhando para o Pronto Socorro da Unimed, onde após vários exames cardiológicos fui diagnosticado com um caso de estresse excessivo.
Depois disso minha vida nunca foi a mesma, desenvolvi síndrome do pânico e fui posteriormente diagnosticado com TAG, distúrbio de ansiedade generalizada. Não consegui fazer mais estágios e formei apenas com o tempo de experiência do que fiz (menos de 6 meses).
Depois de formado eu fiquei cerca de 8 meses completamente estagnado, as únicas coisas que eu fazia era tomar meus remédios, jogar e dormir, este ciclo se repetia toda semana. Um belo dia resolvi não tomar mais os remédios e fui diminuindo aos poucos, um mês após largar os remédios tive dengue e naquela semana minhas plaquetas diminuíram de forma considerável, ao cogitar que eu poderia morrer minha vida veio à tona novamente o que resultou em uma grande crise de ansiedade, no final de julho deste ano.
Me senti como na época da síndrome do pânico, talvez um pouco menos pior por ter sido a segunda vez, chorava vários dias me perguntando por quê eu era daquela forma e por quê eu tinha que passar por tudo aquilo. Levei cerca de dois meses e meio para me recuperar parcialmente, a ponto de exercer minhas atividades sem limitações.
Em outubro, um amigo de longa data de meu pai me arranjou um emprego na empresa de Tecnologia dele, para mim eu estava me superando em todos os quesitos, havia mudado meu pensamento e saído do ócio, estava estudando programação feito um louco! Porém ele tinha o perfil de um empresário e não de Recursos Humanos, o problema disso é que ele mesmo fez a entrevista comigo em vez do RH, explicando de forma muito falha a minha função na empresa. Ao chegar para trabalhar me deparei com um serviço aparentemente pesado que envolvia plantões, horários aleatórios para trabalhar e viagens para cidades do interior a serviço de clientes, isso fez com que minha ansiedade saísse completamente do eixo e eu pedi demissão no terceiro dia de trabalho.
Não me arrependo de ter saído, o estresse foi tanto durante esses três dias que tive que suspender a diminuição dos remédios que meu psiquiatra havia recomendado. Me doeu muito o fato de ter pedido conta, me fez lembrar de quando eu pedi conta do meu estágio e o quão decepcionante aquilo foi para mim na época.
Algumas semanas se passaram e conheci uma garota que me seguia a anos no Instagram, ela era de uma igreja próxima ao meu bairro e eu fiquei maravilhado com ela, não só pela beleza mas por tantos projetos sociais que ela participava e a forma que ela se empenhava em estudar. Fui pegando intimidade com ela e quando percebi já conhecia todas as pessoas da casa dela e mais algumas de fora como o cunhado dela, algumas tias e amigos.
Perante a essa paixão minha ansiedade não se conteve novamente e eu acabei dizendo a ela bem precoce que gostava dela, ela parecia ter um certo interesse em mim, mas daqueles de ter uma noite divertida e parar naquilo. O resultado foi um fora que me desestruturou um pouco, eu segui firme participando da igreja e indo com ela em lugares que ambos frequentávamos, como por exemplo o clube. Certo dia falei novamente com ela que gostava dela e ela me revelou que estava disposta a me dar uma chance.
O resumo dessa história foram dois dias que saímos juntos, uma vez para o cinema e outra vez em uma parte histórica da cidade, foi lindo ambas as vezes, minha memória recorda e chega a doer. Parecia tudo ótimo, mas não era bem assim, eu me esforçava para ter a atenção dela, estava sempre fazendo coisas incríveis como bolando presentes feitos a mão, desenhos, textos, poesias, tenho um livro em produção e criei um personagem para ela, a ajudei a fazer trabalhos dela relacionados a tecnologia. Para piorar eu estava criando vinculo com o pessoal da igreja e eu estava sofrendo com ela, pois percebia que as pessoas que criei vinculo, inclusive da família dela me davam mais atenção do que ela própria.
Um dia, após sair com as amigas e me deixar no vácuo, houve uma confraternização na igreja, onde ela mal conversou comigo, ao final chamei ela para fazer algo e ela argumentou que estava cansada. Já estava chateado com a situação e acabei deixando os grupos da igreja, ela me procurou para saber o que se passava e se desculpar pela falta de atenção. Achei ser uma boa oportunidade para expor como eu estava me sentindo com tudo e tentar ver se podíamos melhorar, como ainda não namorávamos eu fui total simples nas palavras e sutil, falei nada que pudesse soar como um compromentimento ou autoridade sobre ela.
Ela levou mais de 14 horas para me responder, e bem, a resposta foi um fora. Eu não estava surpreso com a resposta, porém fiquei arrasado, isso aconteceu ontem no Domingo (15/12/2019), fiquei sem rumo pois sou muito sentimental e não vejo como continuar frequentando a igreja sem alimentar um desejo ou mágoa por ela, fazendo com que aquele alicerce de pessoas que eu estava criando naquele lugar desmoronasse.
Para piorar sou frustrado profissionalmente, por não ter muita experiência em estágios não consegui atuar na minha área, meu pai é uma pessoa que possui certo dinheiro, porém tenho 24 anos e não acho que seja obrigação dele financiar uma faculdade para mim (até por isso estudei para conseguir bolsa na primeira), meu plano seria juntar dinheiro e começar outra faculdade para poder estagiar e adquirir experiência na minha área (não necessáriamente formar no curso, queria experiência do estágio e assim que me tornar um profissional Jr. trancar o curso e partir para uma pós graduação).
Para isso me sujeitei a trabalhar de faz-tudo numa fábrica de camisas, sendo que o final e início de ano são as épocas de maior fluxo de venda da empresa. Estou trabalhando de auxiliar administrativo, estoquista, vendedor, vendedor de e-commerce e as vezes até´mexo com algo de programação. Me sinto infeliz neste lugar, o salário não é bom, as condições de trabalho não são boas e o único benefício é o vale transporte em dinheiro. Sinto grande ansiedade no trabalho, o tempo parece arrastar, o trabalho parecer ser árduo e a fábrica fica em um lugar de classe baixa da cidade, o que me dá uma sensação de insegurança.
Não consigo me desligar no trabalho em casa, nem nos finais de semana, pensamentos da síndrome do pânico me atormentam, penso que um dia meus pais vão morrer, que eu irei morrer e isso fica me martelando de uma forma ruim. Penso na menina, nos poucos momentos bons que tivemos e no que me sujeitei a fazer por ela, penso nos meus amigos da igreja (para piorar a dona da empresa é da igreja e fica tocando músicas da igreja no meu trabalho o que me faz lembrar dela, as pessoas também ficam me dizendo que me viram na igreja ou em fotos da mesma em redes sociais).
Fico me perguntando se o meu problema é trabalhar, se eu não levo jeito para isso e obviamente fico péssimo pensando nisso porque trabalhar é o mínimo da dignidade, todo mundo quer trabalhar para ter seu dinheiro de forma digna (exclui-se meliantes desse comentário). E tudo isso citado me atinge enquanto estou trabalhando.
Meu sonho é ter paz mental, conseguir parar de tomar meus remédios, me tornar um bom profissional sem que o emprego pareceça uma grande tortura (inclusive estudei muito até entrar nesse trabalho para ficar fera no básico de programação front-end), e viver, sem me preocupar tanto em quando e como vou morrer, já que isso é algo natural e sem escapatória, ser independente para me sentir seguro comigo mesmo.
Este é um grande texto, iniciado as 10:00 mas terminado agora, pois me pegaram escrevendo ele no emprego e fui chamado àtenção. Senti a necessidade de colocar minha vida para fora, de alguma forma tenho a necessidade de me expor para as pessoas, não sei de onde desenvolvi isso e acho prejudicial... Mas aqui posso fazer de forma anônima.
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2019.12.16 18:10 SunTzuManyPuppies Dúvida sobre intoxicação por cobre - Aspectos legais e médicos

No início do ano me mudei para uma casa nos arredores de Curitiba. Ela fica num condomínio fechado que pertence a uma família, cujo pai comprou um terreno grande e loteou com espaço para 5 casas, sendo a dele e mais 4 filhos. Só dois desses filhos quiseram construir, então são apenas 3 casas aqui.
Eu estava cansado de morar no centro por conta do barulho e agito, e após anos tentando, finalmente consegui vender meu apartamento. Minha ideia era comprar aqui direto, pois fica afastado da cidade, tem muito verde, muita natureza, pouco movimento, nenhum barulho, piscina, além de ser uma casa bem grande. O fato de o bairro não ter infraestrutura nenhuma, e a casa estar vazia por 3 anos me fez conseguir um valor ótimo.
Resolvi ser prudente, e ao invés de comprar, fiz um contrato de aluguel de um ano, pra ver se me adaptava com a mudança de ares.
O abastecimento de água das 3 casas é feito por um poço artesiano que fica dentro do terreno. O proprietário, corretor e outros moradores fizeram uma puta propaganda dessa água, que é potável, testada duas vezes por ano, super boa pra beber, e que eles tomam faz anos. Ótimo, achei uma excelente vantagem não ter conta de água e poder beber direto da torneira sem medo.
Realmente, a água que vem do poço é excelente. O problema são os canos da minha casa. Alguns meses atrás comecei a sentir enjoos, me sentir estufado, dores de cabeça, queda de cabelo, além de depressão, ansiedade, fadiga extrema, stress... coisas que nunca tive antes, sempre me considerei emocionalmente saudável.
Então eu notei que em quase todas as pias e torneiras da casa existem manchas azuis. Após pesquisar, vi que essas manchas condizem com corrosão dos canos de cobre, e esse cobre está indo pra água que eu estava bebendo ao longo dos últimos 9 meses. Pesquisando na internet, vi que os sintomas de intoxicação por cobre correspondem ao que eu estou tendo até hoje. Nas outras casas, não há essas manchas, então o problema se limita à minha.
Perguntei ao proprietário, e ele disse que essas manchas sempre existiram, inclusive quando ele estava morando aqui, e que ele achava que era de “minerais” da água. Detalhe: ele e a família resolveram se mudar daqui porque todos estavam com depressão extrema. Julgo que estavam intoxicados e não sabiam.
Pois bem, já marquei uma consulta com um amigo advogado essa semana, mas queria pegar as impressões dos usuários desse sub que são sensatos, e dos advogados. Considerando que fui seriamente lesado, tanto física quanto profissionalmente, pois esses problemas atrapalharam muito meu rendimento no trabalho, eu me sinto no direito de uma indenização. Sei que o proprietário não sabia desse problema e não agiu de má-fé. Também não me interessa entrar com uma ação contra ele porque sei que anda com sérios problemas financeiros, além de termos desenvolvido uma relação de amizade.
Vou levar as amostras de água dessa casa pra um laboratório pra testarmos os níveis de cobre, e também vou fazer exames de sangue e urina só pra confirmar, apesar de eu ter certeza absoluta do problema ser esse.
Havendo a confirmação que há uma intoxicação por cobre na casa por causa dos canos, o que seria prudente fazer? Sei que a casa foi construída por uma construtora grande, eles estariam sujeitos a uma ação? Quem deveria ser responsabilizado por isso?
Agradeço quaisquer insights.

EDIT: Inclusive, acredito que a morte do meu gato por doença inflamatória intestinal relatada nesse post pode ter sido causada pela água contaminada, pois o cobre afeta o intestino.
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2019.12.13 18:13 new_manbr Eu odeio ser negro

Bem, é isso. Ser negro não é, nem de longe, motivo de orgulho. É um fardo do qual não posso simplesmente me esconder. Eu poderia citar várias instâncias em que ser negro afetou (e afeta) minha vida:
Crescer ouvindo que meu cabelo é ruim, ter que se vestir de certa forma a não ser considerado um criminoso, se esforçar para falar um bom português (evitar as gírias de "mano"), a não tão velada idéia que minhas características fisicas (minha beleza) é inferior ao padrão europeu (pele branca, olhos claros, etc),
Ver pessoas se afastando ou segurando a bolsa com mais firmeza quando eu ando pela rua, sempre ser a minoria em lugares como shoppings, restaurantes, etc. Entrar em lugares e perceber que o unico negro ali que não está trabalhando.
Saber que eu tenho mais chances de morrer por ser negro, saber que eu sou o único de uma família a ter pisado num universidade pública. Saber que tenho mais chances de receber menos dinheiro por um mesmo trabalho, saber que tenho menos chances de ter um emprego.
Ter que viver com a constante ideia que, por ser negro, eu sempre tenho que me esforçar mais do que um branco. Que eu tenho que sempre demonstrar o meu valor.
Saber que muitas pessoas julgam e julgarão minha pessoa sem nem a ter conhecido só pelo fato de ser negro. Saber que muitas pessoas querem a minha humilhação, a minha morte, o extermínio dos meus semelhantes, Como se eu fosse um perigo iminente ou uma praga a ser limpa.
Saber que qualquer coisa que possui uma relação com a cultura africana é desvalorizada ou apropriada.
Saber que após anos e anos de falta de igualdade, de opressão, ainda ouvir que não existe racismo no Brasil, que tudo não passa de vitimização, mesmo com várias evidências ao contrário.
Saber que várias comunidades, seja a italiana, alemã, japonesa, árabe etc, conseguiram eventualmente serem aceitos, a pertencerem a esse país, ter suas culturas inseridas, participarem de classes superiores.
A comunidade negra, não. A comunidade negra não vive em bairros como Vila Mariana, Higienópolis, Jardim Paulista. Vive em lugares como Capão redondo, Brasilândia, Paraisópolis.
O negro não é Juiz, medico, engenheiro. É porteiro, cozinheiro, doméstico, motorista, gari.
Saber que meus pais lidaram e lidam com isso, e saber que meus filhos, se um dia eu os tiver, também lidarão com tudo isso.
A carne negra é sempre a mais barata. E pelo o que estamos vendo no cenário político internacional e nacional, continuará sendo. Isso é, se sobreviver ao genocídio.
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2019.12.11 03:21 JairBolsogato "Nós nunca imaginávamos o que iria acontecer e nem nos preparamos para o que aconteceu na Venezuela"

Neste artigo, eu queria analisar minhas preparações e a natureza do apocalipse que fomos forçados a enfrentar. Não sei quanto a você, mas qualquer coisa que o tire do seu lugar, da sua cama quente, dos seus animais de estimação, dos filhos, da esposa e do resto da sua família, para mim não tem outra palavra melhor que apocalipse para descrevê-la.
Minha bolha de conforto foi destruída, meu trabalho de uma vida inteira foi jogado pela janela, minha apólice de seguro de família se foi com o vento (embora sem medicamentos para tomar e com os médicos fugindo para a Argentina e Colômbia, não teria sido muito útil mesmo).
As poucas preparações que duraram por 4 ou 5 meses são história agora. Obviamente, os preparativos funcionaram muito bem, e nós esticamos um pouco além, mas uma vez que o sistema entrou em colapso, não houve mais nada que pudéssemos fazer além de fechar o local e ir para outros locais onde pelo menos pudéssemos comprar comida.

O que aconteceu foi algo completamente diferente do que havíamos preparado.

Acho que o que quero dizer é que, dentro de nossos meios, nos preparamos mais ou menos adequadamente, mas o que realmente aconteceu foi algo completamente diferente para o qual não tínhamos preparado.

Preparamo-nos para algumas das consequências de turbulência, agitação, tumultos e crimes. Conseguimos ficar na encolha por um tempo e nos defender silenciosamente e seriamente, sem precisar sair do nosso refúgio. Os problemas de escassez começaram lá por volta de 2013-2014. Naqueles anos, foi a última vez que lembro que poderíamos comprar grandes quantidades de farinha de trigo, farinha de milho para fazer arepas, macarrão, leite em pó e UHT, arroz, e outros mantimentos.

Um colapso econômico durante tanto tempo parecia algo totalmente fora de questão. Era totalmente imprevisível. Eu esperava uma pandemia ou um golpe de estado muito antes desse cenário faminto de zumbi.

Sabíamos que algo perturbador aconteceria mais cedo ou mais tarde. Nós poderíamos sentir isso na atmosfera ... mas nada como o que aconteceu. Nós nunca pensamos que seria impossível encontrar uma bateria, óleo de motor ou gasolina (Caramba, este era um país produtor de petróleo!) ou que as crianças seriam colocadas em perigo na porta de suas escolas. No pior dos nossos pesadelos que poderíamos ter imaginado, um de nossos gatos resgatados que realocamos com um de nossos amigos em um bairro sofreu uma morte horrenda (por favor, não peça detalhes).

Nunca poderíamos imaginar que os funcionários das empresas estatais de petróleo e eletricidade seriam ameaçados de prisão por traição se tentassem deixar o emprego para deixar o país. Porque isso é o que está acontecendo. Quando descobri isso, senti uma profunda sensação de alívio, como nunca na minha vida, por ter saído antes. O único sentimento semelhante em que consigo pensar foi quando meu último filho nasceu, e os médicos me disseram que ele estava bem e não havia motivos para se preocupar.

Sob a situação atual, sofrer acusações tão terríveis é um pesadelo completo. Mas com a renda do trabalho freelance online, conseguimos pelo menos manter a casa funcionando, sem o pequeno salário que já foi mais do que suficiente para uma boa vida. Sem ele ... nossa família teria sido condenada à morte, não importando nossas preparações.

Portanto, deixar e deixar o país (e minha família) para trás foi uma das escolhas mais difíceis em nossas vidas, mas as mais sólidas e as mais seguras a longo prazo. Evitar o risco potencial de ser (falsamente, é claro) acusado de traição e entrar em um problema confuso, já é um grande benefício. Sempre dei confiança à intuição feminina. Quando minha esposa e eu conversamos sobre como as coisas estavam indo mal e a decisão de sair antes de piorar, eu sabia que era a intuição dela falando.

Nunca imaginamos que o dinheiro seria outra mercadoria e que os preços seriam muito diferentes se você tentasse pagar com cartão de débito em vez de dinheiro. Se você pagar com cartão de débito, o preço será o dobro do valor pago em dinheiro. Isso não é surpreendente: a taxa do caixa circulante para o não circulante é profundamente distorcida. Há pessoas que VENDEM o dinheiro: você os transfere um milhão de BsF para as contas bancárias deles, eles oferecem 500 ou 600.000 em dinheiro. E isso é o suficiente para duas dúzias de ovos e um pouco de queijo.

Em retrospecto, o que poderíamos ter feito para nos preparar para a situação atual? Vejamos.

Sim, eu sei como isso soa. Mas eu não ligo para algumas coisas que eu sei que esses FDPs podem fazer, como um cara sendo baleado a 30 metros da pessoa que me contou a história de um criminoso em uma motocicleta, e eu e minha família quase sendo parados na estrada deserta às 20h no meio do nada, com um tronco no meio do caminho (eu só pisei fundo no acelerador e passamos por cima).

Não há como estocar massas e outros produtos secos por um período tão longo sem comprar outra casa ou construir um segundo andar, acrescentando cerca de 60 ou 70 metros quadrados à casa. E mesmo assim teria sido arriscado: alguém assistindo no momento errado e estaríamos em apuros, acusados ​​de “acumular” e blá-blá-blá (insira aqui sua desculpa “socialista” favorita por roubar propriedade privada). Nossos bens teriam sido apreendidos, os 10% vendidos em público para "os pobres" pelos jornais do governo e os 90% roubados por quem saberá.

Se suprir de proteínas com nossa situação atual nesse bairro é muito mais difícil. Não há muito espaço. Coelhos e outros roedores estão fora de questão, já que as moscas que seus cocô atraem aqui nos trópicos são um problema e economicamente inviável. Os produtos de limpeza e alimentos são muito caros e, como você deve supor, escassos. As pessoas nos chalés já estarão muito melhor preparadas do que nós, moradores de cidades nerds e viciados em café.

Sob esse prisma, parece que as melhores escolhas seriam se mudar para uma cabana na floresta, não acha? Mas não é tão fácil.

Nossas leis não aprovam a educação em casa; Dirigir uma hora do chalé para a escola todos os dias está fora de questão, porque é quase impossível conseguir peças e consumíveis para automóveis ou muito caros.

O crime está ficando cada vez mais terrível. Uma cabana com colheitas e gado é um alvo fácil para pessoas famintas que são preguiçosas e ignorantes demais para se preparar (quando podem). Conseguir algo como uma espingarda de defesa só traria mais problemas. Os bandidos vêem isso como uma atração grande demais para resistir. Como armas e munições são escassas, elas são um verdadeiro tesouro. Eles sabem onde você está, estão organizados e têm os contatos adequados para poder colocá-lo em uma posição muito difícil.

Seria muito pior derrubar alguém tentando invadir sua própria casa, pois eles nunca roubam sozinhos. As leis de auto-defesa doméstica não se aplicam, a menos que o falecido tenha sido um criminoso "inconveniente", e se for esse o caso, é provável que muitos de seus amigos sejam parecidos. Uma segunda visita, talvez com bandidos mais preparados, porque eles sabem que você será capaz de fazer o que for necessário e não dará mole pra ninguém.

Ou pior, os policiais e juízes processarão o proprietário da residência porque ele é uma 'ameaça para o governo'. Roubarão as coisas da casa dizendo que são possível 'produtos de um crime' e o proprietário não poderá provar o contrário de dentro da prisão. Conheço várias pessoas que tiveram que pagar mensalmente à milícia guerrilheira os produtos que eles preferiam vender com prejuízo.

Tendo filhos para cuidar e cuidar, a opção do lobo solitário não é realmente uma opção. Se o esconderijo dele não estiver suficientemente longe ou bem escondido, mais cedo ou mais tarde alguém o descobrirá. A melhor opção é unir-se a outras famílias, cada uma em sua cabana, e construir uma rede de comunicações suficientemente confiável e com bom backup, caso algumas matilhas tentem atacar. Eu sei que isso seria muito mais fácil para o povo dos EUA, pois o acesso a todos os tipos de ferramentas de defesa deles é muito melhor.
Por J G Martinez D
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